Pagamentos com IA: Visa, Mastercard e Elo impulsionam o comércio digital

Pagamentos com IA: Visa, Mastercard e Elo impulsionam o comércio digital

by Editoria Bolsa e Mercado
0 comentários

Transformação no Comércio Digital com IA

Os cartões de crédito estão passando por uma evolução significativa, integrando agentes de inteligência artificial (IA) nas transações, o que promete uma revolução no comércio digital. As principais bandeiras do setor, como Mastercard, Visa e Elo, estão na vanguarda dessa transformação, buscando tornar o comércio operado por IA tão comum quanto as transações realizadas via PIX. A Elo, por exemplo, já está testando a aplicação de IA em compras de passagens aéreas, enquanto Visa e Mastercard estão progredindo nos processos de transações em tempo real. De acordo com a consultoria McKinsey & Company, espera-se que o comércio conduzido por IA movimente trilhões de dólares até 2030, com o Brasil se destacando como um mercado promissor nessa nova abordagem.

Evolução dos Cartões e o Papel da IA

Leva-se em conta que foram necessárias várias décadas para que os cartões de crédito fossem gradualmente adotados, substituindo a hegemonia do papel-moeda na carteira dos consumidores. Nesse contexto, as bandeiras se consolidaram como uma espécie de “ponte” conveniente e segura entre o comprador, a instituição bancária e o comerciante. Contudo, à medida que nos aproximamos de uma nova era de pagamentos digitais, um quarto elemento, a inteligência artificial, promete transformar o modelo de negócios do setor.

A Corrida pelo Comércio Agêntico

As operadoras de cartão estão se esforçando para serem mais do que simples “plásticos no bolso”. Elas desejam se estabelecer como a camada invisível por detrás das transações realizadas por “máquinas”. Futuramente, espera-se que assistentes de IA possam comparar preços, selecionar as melhores opções e concluir compras de maneira totalmente autônoma.

Nos últimos meses, Mastercard, Visa e Elo deram os primeiros passos concretos em direção à mediação dessa nova cadeia de comércio. Entretanto, executivos do setor que foram consultados indicam que ainda existe incerteza quanto ao cronograma para que o modelo agêntico transite da fase experimental para um uso cotidiano, tão comum quanto a operação do PIX.

Desafios e Expectativas

Um dos principais obstáculos começa a surgir antes mesmo da decisão de compra. Após anos de resistência, o varejo finalmente conseguiu acostumar os consumidores a seguir passos específicos para adquirir produtos pela internet: localizar um buscador, encontrar a loja ideal, clicar no botão de “comprar”, autorizar a transação e receber o produto em casa. Por conseguinte, delegar todo esse processo a um robô implica uma ruptura cultural que exige tempo para ser assimilada.

Historicamente, mudanças significativas na área de adquirência tendem a levar cerca de dez anos para serem adotadas globalmente. O diretor digital da Mastercard, Pablo Fourez, destaca que a tarja magnética, por exemplo, só substituiu o antigo “clack-clack” das máquinas manuais definitivamente em meados da década de 1980, mesmo que a tecnologia tenha sido desenvolvida cerca de dez anos antes disso. Mudanças, como a introdução do chip e do pagamento por aproximação, seguiram uma dinâmica de adoção semelhante.

No entanto, a era da inteligência artificial parece estar encurtando esses prazos. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude, que não existiam há cerca de quatro anos, já impactaram substancialmente a experiência digital de consumidores e empresas.

No que se refere à tecnologia agêntica, estima-se que a velocidade de disseminação se posicione entre os dois extremos observados anteriormente, conforme projetado por Fourez. Ele argumenta que as ferramentas estão aprendendo rapidamente e que este é o momento adequado para realizar investimentos nesse setor.

Investimentos no Comércio por IA

Os esforços das principais bandeiras buscam assegurar a competitividade em uma economia em constante transformação. O comércio realizado através de agentes de IA, voltado para consumidores (B2C), deverá movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030, conforme estudo elaborado pela consultoria McKinsey & Company. O sucesso do sistema de pagamentos via PIX, que foi fundamental na digitalização dos pagamentos no Brasil, coloca o país entre os mercados mais promissores para a introdução desta nova tecnologia, segundo as avaliações de executivos do setor.

Por esse motivo, as principais bandeiras em operação no Brasil têm ampliado seus investimentos em iniciativas voltadas para a implementação de inteligência artificial.

Iniciativas da Elo

A Elo, controlada pelos bancos Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, recentemente proporcionou a 5 mil clientes um agente de IA em parceria com a agência de viagens digital Decolar. Esta ferramenta é capaz de fornecer toda a experiência de compra de passagens aéreas, desde a pesquisa inicial até a transação final, e funciona integrada a outros canais de comunicação, como o aplicativo WhatsApp. Na fase final da aquisição, o usuário ainda precisa realizar uma intervenção para concluir o processo de compra.

Tentativas da Visa e Mastercard

As concorrentes Visa e Mastercard também realizaram seus primeiros testes relacionados a transações em tempo real de pagamentos agênticos no Brasil em março. A Visa introduziu no país um programa destinado à certificação de emissores e credenciadores para a realização de operações realizadas por agentes de IA. Essa abordagem não consiste em criar uma infraestrutura completamente nova, mas sim na atualização de sistemas já existentes, como APIs de tokenização e autenticação biométrica, para viabilizar essas novas transações.

Em junho, a Visa firmou uma parceria com a OpenAI para viabilizar o comércio agêntico, primeiramente em território americano. O diretor-executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, Leandro Garcia, declarou que, embora ainda não haja previsão para que essa solução chegue ao Brasil, a empresa está investindo em preparações tecnológicas para quando isso acontecer.

A Mastercard, por sua vez, tem se concentrado no chamado Agent Pay (Agente de Pagamento), uma infraestrutura que visa proporcionar segurança, autenticação e confiança ao comércio agêntico. Além de focar no consumidor final, a instituição também está estendendo esse conceito para a automação entre empresas, com o Agent Pay For Machines, que permite que agentes de IA realizem pagamentos corporativos de forma autônoma, de acordo com orçamentos previamente estabelecidos. Recentemente, a bandeira anunciou ainda uma solução que adapta sites de lojistas para que possam ser compreendidos por agentes de IA.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy