É amplamente reconhecido que educar crianças emocionalmente inteligentes as prepara para o sucesso futuro. No entanto, o desafio está no fato de que muitos de nós não aprendemos essas habilidades durante nossa própria infância.
Durante nossos anos de formação, muitos de nós escutamos expressões como “pare de chorar”, “acalme-se” ou “seja bom”. Com o tempo, essas mensagens nos ensinaram a reprimir sentimentos, ao invés de compreendê-los. Agora, como adultos e pais, frequentemente nos encontramos tentando ensinar habilidades emocionais que não tivemos a oportunidade de aprender.
Contudo, as crianças de hoje têm a possibilidade de desenvolver inteligência emocional através das interações diárias com os adultos que estão ao seu redor. As conversas que mantemos, as perguntas que fazemos e o senso de segurança que elas sentem em casa moldam a forma como entendem as emoções.
Após anos estudando mais de 200 relacionamentos entre pais e filhos, identifiquei que certas perguntas ajudam as crianças a construir consciência emocional, resiliência e empatia de maneira consistente.
1. ‘Como seu corpo mostrou seus sentimentos hoje?’
Crianças muitas vezes sentem emoções em seus corpos antes mesmo de terem a linguagem para descrevê-las. Fazer essa pergunta as ajuda a começarem a notar esses sinais. Por exemplo, uma criança nervosa pode mencionar que está com dor de estômago. A excitação pode se manifestar como um rosto quente ou um coração acelerado. Reconhecer essas sensações auxilia as crianças a desenvolverem uma maior consciência sobre seu estado emocional.
2. ‘Qual foi um sentimento que você teve hoje e o que o fez surgir?’
As crianças começam a perceber que emoções estão ligadas a experiências. Sentimentos começam a ter sentido quando conseguem conectá-los a algo que aconteceu. Uma criança pode explicar que se sentiu orgulhosa após finalizar um projeto ou frustrada durante uma discussão com um amigo. Essas conexões as ajudam a compreender suas emoções e a responder a elas de maneira mais eficaz.
3. ‘Como você sabe quando alguém está se sentindo feliz ou triste?’
A empatia se desenvolve quando as crianças prestam atenção às emoções dos outros. Esta pergunta as encoraja a notar expressões faciais, tom de voz e comportamento. A expectativa é que elas se tornem mais conscientes de que emoções existem não apenas dentro delas, mas também nas pessoas ao seu redor.
4. ‘O que há em você que te faz sentir orgulho?’
Muitas crianças associam orgulho apenas a vencer ou a se sair bem em algo. Esta pergunta ajuda a mudar o foco para suas qualidades pessoais. As crianças começam a reconhecer aspectos como bondade, persistência ou generosidade como razões para se sentirem orgulhosas. Essa conscientização contribui para um senso mais forte de autoestima.
Se tiverem dificuldade em responder, sugestões gentis podem ser úteis:
- “Você se sente orgulhoso de quão gentil você foi hoje?”
- “Você se sente orgulhoso de quão duro você tentou?”
- “Você se sente orgulhoso de ter ajudado seu amigo?”
5. ‘Quando você se sente chateado, o que você gostaria que alguém fizesse por você?’
Esta pergunta incentiva as crianças a refletirem sobre suas necessidades em momentos difíceis. Uma criança pode dizer que deseja um abraço, que alguém se sente ao seu lado ou que precisa de um espaço tranquilo. Expressar essas preferências as ajuda a aprender que suas necessidades são importantes e podem ser comunicadas.
6. ‘Quando você se sentiu nervoso hoje, o que ajudou seu corpo a se sentir seguro novamente?’
A inteligência emocional envolve aprender a acalmar o corpo durante momentos de estresse. As crianças começam a identificar o que funciona melhor para elas. Algumas se sentem melhor após fazer respirações profundas. Outras se acalmam conversando com um pai, abraçando um brinquedo, movimentando o corpo ou passando alguns minutos sozinhas em silêncio. Reconhecer essas estratégias ajuda as crianças a lidarem com emoções intensas de forma mais confiante.
7. ‘O que você diz a si mesmo quando algo parece difícil?’
Esta pergunta introduz a ideia de uma voz interna. As crianças mais novas frequentemente se beneficiam ao ouvir exemplos de autoconversa encorajadora. Os pais podem modelar frases como:
- “Você pode tentar novamente.”
- “Erros ajudam você a aprender.”
- “Você está seguro.”
- “Você está dando o seu melhor.”
Com a repetição, as crianças começam a usar essas frases, o que fortalece sua resiliência.
8. ‘Como você demonstra a alguém que se importa com seus sentimentos?’
As crianças aprendem que a empatia envolve ações. Cuidar dos sentimentos de outra pessoa muitas vezes se manifesta em comportamentos simples. Elas podem mencionar ouvir um amigo, perguntar “Você está bem?”, compartilhar um brinquedo ou sentar-se ao lado de alguém que se sente solitário. Essas ações cotidianas ajudam as crianças a praticarem a bondade de maneira concreta.
9. ‘O que há em você que te torna especial?’
Esta pergunta ajuda as crianças a pensarem sobre as qualidades que definem quem elas são. Os pais podem mencionar traços como criatividade, curiosidade, humor, consideração ou coragem e perguntar quais delas parecem verdadeiras para as crianças. Reconhecer essas qualidades apoia um senso saudável de identidade que não está vinculado a comparações ou conquistas.
Reem Raouda é uma referência no campo da parentalidade consciente e a criadora dos diários BOUND e FOUNDATIONS, que agora são oferecidos juntos como seu Emotional Safety Bundle. Ela é amplamente reconhecida por sua expertise no bem-estar emocional infantil e por redefinir o que significa criar crianças emocionalmente saudáveis. Você pode encontrá-la no Instagram.
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Fonte: www.cnbc.com