Introdução
As crianças costumam expressar suas emoções através de ações. Por exemplo, os pequenos tendem a gritar e a bater quando não conseguem o que desejam. Já os adolescentes podem sair batendo a porta em momentos de raiva ou revirar os olhos para demonstrar desapontamento.
Como psicóloga e co-autora do livro “Os Pais Também Têm Sentimentos”, tenho trabalhado com centenas de pais que se sentem sobrecarregados quando seus filhos não obedecem, se comportam mal ou fazem birras aparentemente sem motivo. Alguns optam por negociar com as crianças, enquanto outros perdem a paciência e se estressam. Ambas as atitudes podem deixar os pais ainda mais cansados e sem controle.
É importante ressaltar que o comportamento inadequado é uma parte normal da infância, funcionando como uma forma de comunicação que revela pistas sobre os medos e sentimentos assustadores que estão por trás das explosões emocionais.
Os pais que conseguem seguir essas pistas e abordar as emoções subjacentes preparam seus filhos para o sucesso a longo prazo. Essas crianças tendem a se tornar mais inteligentes emocionalmente, o que as ajuda a lidar melhor com contratempos, a valorizar a independência e a experimentar novas situações.
Na próxima vez que seu filho demonstrar um comportamento inadequado, considere seguir as cinco dicas a seguir.
1. Calme-se primeiro
Seja em meio a uma birra de um pequeno ou a uma discussão com um adolescente, é comum sentir-se abalado e até perder a calma. No entanto, é fundamental lembrar que as crianças aprendem muito ao observar nossas reações. Portanto, procure permanecer calmo em meio ao caos. Uma boa estratégia é fazer uma pausa e realizar cinco respirações profundas. Embora essa possa parecer uma técnica simples, a respiração profunda fornece oxigênio aos nossos músculos, o que ajuda a ativar a resposta de relaxamento do corpo.
As emoções são contagiosas; quando os pais mantêm a calma, os filhos tendem a “captar” essa tranquilidade e aprendem a regular seus próprios sentimentos intensos.
2. Aja como um detetive, não como um CEO
Quando as crianças se comportam mal, a tentação de gritar “pare com isso!” é grande. Alternativamente, muitos pais pulam para o modo de resolução de problemas. No entanto, essa atitude pode fazer com que as crianças se fechem e prejudique sua autoconfiança.
Em vez de tentar liderar a situação como um CEO, adote uma abordagem de detetive. Pergunte-se: “O que pode estar se passando com meu filho que está causando esse comportamento?” Por exemplo, uma criança que mente pode ter medo de se meter em problemas, enquanto um adolescente que desafia limites pode estar buscando mais liberdade. Ao incentivar seu filho a ser honesto, você valida a importância da verdade, e ao convidar seu adolescente que desafia regras para discutir as coisas que deseja, você abre um canal de comunicação.
Identificar a causa subjacente do comportamento é um passo essencial para resolver a situação.
3. Ajude seu filho a nomear suas emoções
O comportamento inadequado de uma criança pode ser descrito como uma “defesa”, um mecanismo que utilizamos para nos proteger de emoções dolorosas. Defesas como a desonestidade, a evitação, as críticas a outros e o desvio da raiva são maneiras eficazes de lidar com sentimentos intensos.
Embora essas defesas possam anestesiar temporariamente emoções como vergonha, culpa ou tristeza, elas não ajudam as crianças a “sentir e lidar” com os desafios da vida no longo prazo. Encontrar palavras para nossas emoções, prática conhecida como “nomeação de emoções”, ajuda a acalmar a amígdala cerebral e mitigar a intensidade das emoções. Por isso, pergunte a seu filho se ele está triste, zangado ou preocupado; essas perguntas podem ser um bom começo para ajudá-lo a identificar o que está sentindo.
4. Investigue se seu comportamento desempenha um papel
As crianças costumam imitar os comportamentos que observam tanto na escola quanto em casa. Se o comportamento inadequado do seu filho se repete, reflita sobre suas próprias atitudes. Pergunte a si mesmo:
- Como eu trato minhas próprias emoções?
- O que faço quando me sinto irritado, triste, ansioso ou com medo?
- Eu uso defesas para lidar com emoções dolorosas em vez de enfrentá-las?
- O comportamento do meu filho se assemelha ao meu?
Dedicar um momento para identificar e validar suas próprias emoções, bem como buscar o que você precisa, pode gerar grandes mudanças. Comece fazendo uma varredura em seu corpo, do topo da cabeça até os pés. Quais sensações você percebe?
Uma sensação de opressão no peito pode indicar tristeza, sugerindo que você precisa do apoio de um parceiro ou amigo. A raiva, por sua vez, pode elevar a temperatura do corpo e deixar a mandíbula tensa, o que pode sinalizar a necessidade de estabelecer um limite, reservar um tempo para autocuidado ou resolver um problema.
5. Considere como o estresse não resolvido impacta a situação
Tanto o estresse diário quanto o prolongado afetarão a mente e o corpo. Os estressores podem desestabilizar o sistema nervoso de uma criança, tornando mais difícil regular suas emoções.
Como psicóloga, sei que essa desregulação afetará o comportamento da criança. É comum que os filhos regressem a comportamentos imaturos quando um novo bebê nasce ou em momentos de transição difíceis. Além disso, é comum que crianças tenham colapsos emocionais quando estão excessivamente cansadas.
O acrônimo “H.A.L.T.” — que significa faminto, irritado, solitário ou cansado — pode ajudar os pais a identificar estressores subjacentes que tornam mais desafiador para as crianças regular suas emoções e que podem levar a comportamentos inadequados.
Tente atender às necessidades de seu filho primeiro e observe se o comportamento deles muda. Um lanche bem-timed, uma soneca ou momentos de qualidade juntos podem ser o recomeço perfeito.
Juli Fraga é psicóloga licenciada com quase duas décadas de experiência trabalhando com novos pais. Ela é co-autora do livro “Os Pais Também Têm Sentimentos”. Além disso, ministra workshops para pais em gestação no hospital da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF), onde também supervisiona residentes em psiquiatria. Siga-a no Instagram @parentshavefeelingstoo.
Fonte: www.cnbc.com
