Reino Unido, Alemanha e Dinamarca assinam pacto de energia limpa
Na última segunda-feira, 26 de setembro, países como Reino Unido, Alemanha e Dinamarca firmaram um acordo em Hamburgo, comprometendo-se a gerar 100 GW (gigawatts) de capacidade de energia eólica offshore por meio de projetos conjuntos de grande escala. Essa iniciativa destaca o comprometimento dos governos da Europa Ocidental e do Norte com a energia eólica, especialmente em um momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se opõe à transição para energias mais sustentáveis.
No Fórum Econômico Mundial realizado em Davos na semana anterior, Trump criticou a dependência de turbinas eólicas, alegando que essa abordagem leva à perda de dinheiro. Em contrapartida, o ministro da Energia britânico, Ed Miliband, enfatizou a importância do desenvolvimento de energia limpa como forma de garantir a soberania e a abundância energética para o Reino Unido, destacando a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Objetivos da Europa em relação à energia russa
Um dos principais focos da Europa tem sido eliminar a dependência da energia russa. Na mesma data, os Estados-membros da União Europeia aprovaram a proibição das importações de gás russo até 2027, formalizando a ruptura com um fornecedor que foi essencial para a região durante anos, especialmente após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.
No entanto, um novo desafio surge com o aumento nas importações de gás e GNL (gás natural liquefeito) dos Estados Unidos, que representaram 27% do total de importações da UE em 2025. Esse percentual pode aumentar para 40% até 2030, conforme projeções do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira.
Compromissos para o futuro da energia eólica
O compromisso firmado entre as nações do Mar do Norte integra uma meta estabelecida em 2023 para alcançar 300 GW de capacidade eólica offshore até 2050. A associação industrial WindEurope, que está atenta a essas movimentações, anunciou que as empresas envolvidas no acordo se comprometeram a reduzir custos, criar até 91 mil novos empregos e gerar aproximadamente 1 trilhão de euros em atividade econômica associados a essa expansão.
A adição de 100 GW de energia eólica no mar terá um impacto significativo no mercado energético europeu, que atualmente conta com 258 GW de capacidade eólica instalada, contando tanto com projetos em terra quanto em mar, de acordo com dados da WindEurope.
O pacto, cujo esboço foi antecipado pela Reuters na semana passada, foi assinado por um conjunto de países que inclui Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Noruega durante a Cúpula do Mar do Norte.
Planejamento e investimento em energia eólica
A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, ressaltou que o planejamento conjunto da expansão da energia eólica, assim como a construção de redes elétricas e infraestrutura, são passos fundamentais para criar uma energia limpa e acessível. Isso, segundo ela, não só fortalecerá a base industrial da Europa, mas também aumentará sua soberania estratégica no setor energético.
Em uma iniciativa adicional, Reiche anunciou planos para revitalizar os leilões de energia eólica offshore na Alemanha, que estavam em um impasse. O novo pacote de medidas incluirá a oferta de receitas de energia mais estáveis para os investidores, com a introdução de “contratos por diferença”. Essas medidas permitem que os investidores sejam compensados quando os preços do mercado de eletricidade caírem abaixo de um valor de referência, ou que devolvam parte de suas receitas caso os preços subam acima desse mesmo parâmetro.
A Alemanha precisa intensificar seus esforços, especialmente após duas licitações recentes para desenvolvimento de projetos eólicos que não atraíram propostas. Em contraste, Reino Unido e Irlanda têm avançado com projetos bem-sucedidos.
O Reino Unido também se comprometeu a assinar acordos adicionais com grupos menores de países para promover o desenvolvimento mais efetivo de projetos transfronteiriços e infraestrutura necessária para a construção de parques eólicos no mar, que possam ser conectados diretamente a mais de uma nação.
No início de janeiro, o Reino Unido alcançou recorde de capacidade em energia eólica offshore em seu mais recente leilão, onde projetos que totalizam 8,4 GW foram contemplados com contratos para início das atividades.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br