Panamá pune concessão da empresa para operação de portos como ilegal.

Decisão da Suprema Corte do Panamá

A Suprema Corte do Panamá decidiu na noite de quinta-feira, 29, que a concessão detida por uma subsidiária da CK Hutchison Holdings, de Hong Kong, para operar os portos localizados em ambas as extremidades do Canal do Panamá é considerada inconstitucional. Essa decisão avança a intenção dos Estados Unidos de bloquear qualquer influência da China sobre essa via navegável estratégica.

Auditoria e Contestação

A decisão judicial foi respaldada por uma auditoria realizada pelo controlador do Panamá, que identificou irregularidades na extensão de 25 anos da concessão, a qual foi concedida em 2021. O governo Trump havia priorizado a limitação da influência chinesa sobre o Canal do Panamá no contexto das relações no hemisfério, sendo essa a primeira parada internacional do Secretário de Estado, Marco Rubio, em sua função.

Apesar das afirmações do governo panamenho e da autoridade do canal de que a China não exerce influência nas operações, Rubio asseverou que os Estados Unidos consideravam a operação dos portos uma questão de segurança nacional. O ex-presidente Donald Trump até sugeriu que o Panamá deveria devolver o controle do canal aos Estados Unidos.

Futuro da Operação dos Portos

A curta declaração da corte não forneceu detalhes sobre o que ocorrerá com os portos após a decisão. Segundo o analista político Edwin Cabrera, o próximo passo processual consiste em notificar as partes envolvidas na decisão judicial. Assim, a responsabilidade sobre o futuro dos portos será repassada ao poder executivo do Panamá, especificamente à Autoridade Marítima do Panamá.

Cabrera expressou a impressão de que a operação dos portos não será interrompida, com base em conversas que manteve com alguns interlocutores.

Venda da Participação da CK Hutchison

No ano anterior, a CK Hutchison Holdings firmou um acordo para vender sua participação majoritária nos portos panamenhos, além de outros ao redor do mundo, a um consórcio internacional que incluía a BlackRock Inc. No entanto, o andamento do acordo foi prejudicado devido a objeções por parte do governo chinês.

Paralelamente a isso, o controlador do Panamá realizou uma auditoria da Panama Ports Company, que detinha o contrato de operação dos portos desde 1997. Essa concessão foi renovada em 2021 por mais 25 anos, durante a administração anterior do Panamá.

Irregularidades Identificadas

Anel Flores, o controlador, informou que a auditoria identificou pagamentos não realizados, erros contábeis e a existência suposta de concessões "fantasma" atuando nos portos desde 2015. A empresa, no entanto, negou todas as alegações apresentadas.

A auditoria revelou que as irregularidades causaram uma perda de aproximadamente US$ 300 milhões ao governo desde a extensão da concessão, além de um montante estimado em US$ 1,2 bilhão ao longo do contrato original de 25 anos. Flores também destacou que a extensão da concessão foi feita sem o necessário endosso de sua instituição.

Em 30 de julho, o controlador decidiu contestar o contrato da Panama Ports Company para a operação dos portos perante a Suprema Corte do Panamá.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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