Pedidos de recuperação judicial no agronegócio atingem recorde histórico no terceiro trimestre de 2025.

Pedidos de Recuperação Judicial no Agronegócio Brasileiro

O agronegócio brasileiro fechou o terceiro trimestre de 2025 com um total de 628 pedidos de recuperação judicial, marca que representa o maior número desde o início da série histórica em 2021. Este dado foi divulgado pelo Índice de Recuperação Judicial do Agronegócio da Serasa Experian. O volume de solicitações reflete um crescimento significativo de 147,2% em comparação aos 254 pedidos registrados no mesmo período do ano anterior, 2024. Essa elevação indica uma deterioração considerável no ambiente financeiro do setor, abrangendo tanto produtores rurais, sejam pessoas físicas ou jurídicas, quanto empresas diretamente vinculadas à cadeia do agronegócio.

Dificuldades na Gestão Financeira

Conforme a análise da Serasa Experian, o aumento expressivo dos pedidos de recuperação judicial é um reflexo das crescentes dificuldades enfrentadas na gestão de caixa e no cumprimento de obrigações financeiras por parte dos envolvidos. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, destacou em nota que o crescimento nos pedidos de recuperação judicial evidência um cenário de desafios maiores para a capacidade de produtores rurais e de empresas do setor em manter seus fluxos de caixa e pagamentos. Esse cenário é especialmente complicado para aqueles que vêm lidando com dívidas por vários anos, sem implementar os ajustes necessários para redução de custos, reavaliação de patrimônio e finalização de expansões mal planejadas.

Análise Regional dos Pedidos

A análise dos dados por região revela que o estado de Mato Grosso foi responsável pelo maior número de pedidos de recuperação judicial no período entre julho e setembro, seguido por Goiás e Paraná. A predominância desses estados, que são destacados polos produtivos do país, sugere que as restrições financeiras estão atingindo áreas com intensa produção e alta dependência de crédito rural. Essa constatação se baseia em processos registrados nos tribunais de justiça de todos os estados brasileiros.

Perfil dos Produtores Rurais

Dentro do grupo de produtores rurais classificados como pessoas físicas, foram contabilizados 255 pedidos de recuperação judicial no trimestre, um aumento em relação aos 106 pedidos registrados no mesmo intervalo de 2024. A maior parte das solicitações foi realizada por produtores arrendatários ou integrantes de grupos econômicos e familiares, totalizando 84 pedidos. Em seguida, estão os grandes proprietários, com 69 solicitações; pequenos produtores, com 58; e médios produtores, com 44. Essa tendência sugere que um perfil que historicamente apresenta menor incidência em processos judiciais está começando a utilizar com mais frequência esse recurso, diante das dificuldades na renegociação de dívidas.

Pedidos de Produtores Rurais Pessoa Jurídica

No segmento dos produtores rurais classificados como pessoas jurídicas, foram registrados 242 pedidos de recuperação judicial no terceiro trimestre de 2025, também apresentando um crescimento significativo em relação ao ano anterior. Entre esses pedidos, predominam aqueles realizados por produtores dedicados ao cultivo de soja, contabilizando 156 solicitações, seguidos por criadores de bovinos com 45 pedidos. O aumento simultâneo das solicitações dentre pessoas físicas e jurídicas indica uma pressão financeira disseminada, atingindo diversos modelos de produção.

Aumento nas Empresas Ligadas ao Agronegócio

As empresas vinculadas ao agronegócio também observaram um aumento no número de pedidos de recuperação judicial, totalizando 131 entre julho e setembro, comparado a 56 no mesmo período do ano anterior. O comércio atacadista de produtos agropecuários primários foi o setor mais afetado, com 31 pedidos registrados, seguido pela indústria de processamento de agroderivados, como óleo e farelo de soja, açúcar, etanol e laticínios, com 27 solicitações, e pela agroindústria de transformação primária, com 25. Esses dados demonstram que as dificuldades financeiras não se restringem ao campo, mas também afetam revendas, cooperativas e empresas de processamento.

Importância da Análise de Crédito

Diante desse cenário, a Serasa Experian afirma que é crucial que as instituições financeiras adotem práticas mais rigorosas na concessão de crédito. Marcelo Pimenta declarou que, neste contexto, é fundamental que os credores enfatizem a importância da análise de crédito fundamentada em dados confiáveis. Quanto mais precisa e aprofundada for a avaliação dos riscos, maior será a capacidade do mercado de antecipar dificuldades, ajustar limites e evitar que situações de estresse financeiro se agravem. Segunfo ele, o uso de inteligência de crédito é um fator que pode contribuir para a diminuição da inadimplência e a promoção da sustentabilidade financeira em toda a cadeia produtiva.

Identificação de Sinais de Instabilidade

A empresa ainda destacou que o Agro Score, uma solução projetada para a análise de risco específica do agronegócio, é capaz de identificar sinais de instabilidade financeira meses antes do pedido de recuperação judicial. Levantamentos realizados pela Serasa Experian indicam que três anos antes do protocolo, o score médio dos produtores que buscaram esse recurso já se mantinha significativamente abaixo da média geral dos produtores.

Impacto no Mercado e na Economia

Em termos de mercado, o aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio tende a elevar a percepção de risco entre empresas do setor e instituições financeiras que possuem uma maior exposição ao crédito rural. Esse ambiente pode resultar em uma maior seletividade na concessão de financiamentos e pressão sobre os spreads de crédito, influenciando ainda a precificação de ações e títulos associados à cadeia agroindustrial. Além disso, isso pode ter efeitos indiretos sobre o câmbio, considerando a relevância do agronegócio na balança comercial brasileira.

Fonte: br.-.com

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