Perspectivas da Selic para 2026
Queda da Selic em Análise
A trajetória da política monetária será um tema de grande relevância no debate econômico em 2026. De acordo com a avaliação da Galapagos Capital, há espaço significativo para uma redução da Selic ao longo do ano. A economista-chefe da instituição, Tatiana Pinheiro, afirma que o nível atual do aperto monetário é inédito em termos de duração e que já supera consideravelmente o que poderia ser considerado compatível com a taxa neutra. Isso, segundo Pinheiro, abre margem para um ciclo de flexibilização no próximo ano.
Influência da Política Monetária
"O ponto central para o próximo ano é a condição da política monetária. Isso terá uma grande influência no cenário econômico", declarou a economista durante o evento Arko Talks 2025. Pinheiro destacou que o Brasil está enfrentando um período prolongado de aperto monetário, decorrente de uma defasagem significativa entre a taxa real aplicada e a taxa neutra estimada pelo Banco Central. "Estamos há 11 meses com 4% a mais de juros do que a taxa neutra. Este é o período de maior duração que tivemos de aperto monetário nessa magnitude", afirmou.
Expectativas de Flexibilização
Segundo a economista, a atual situação, somada aos indícios provenientes dos indicadores de curto prazo e à lógica de condução da política econômica, sugere uma trajetória consistente de afrouxamento. "Tudo indica que estamos à beira de um grande ciclo de cortes de juros, salvo ocorrências inesperadas", acrescentou.
Possível Nível da Selic
Tatiana Pinheiro acredita que, uma vez iniciada a flexibilização, a Selic pode chegar ao patamar de 10,50%. Este nível seria considerado “mais palatável” para a economia brasileira. Contudo, ela ressaltou que tal cenário está condicionado à condução da política fiscal.
Incertezas Relacionadas ao Imposto de Renda
Pinheiro mencionou as incertezas que cercam o impacto potencial da isenção do Imposto de Renda sobre a demanda e o impulso fiscal. "O mercado está bastante preocupado com a isenção do Imposto de Renda e com o que isso pode representar em termos de impulso fiscal. Neste ano, realmente observamos uma contração do impulso fiscal, mas para o próximo ano, permanece a dúvida sobre como isso vai se desenrolar e qual será o impacto nos cortes de juros", comentou.
Perspectivas do Ministério do Planejamento
Em resposta a essas preocupações, o secretário-executivo no Ministério do Planejamento e Orçamento, Gustavo Guimarães, afirmou, durante o evento, que o Brasil precisa enfrentar desafios fiscais de curto prazo ao mesmo tempo que constrói um planejamento estrutural de longo prazo, focado no aumento da produtividade.
Avanços Institucionais
Guimarães ressaltou que o Brasil avançou em seu arcabouço institucional ao longo das últimas décadas, com reformas importantes e melhorias nas políticas monetária, fiscal e no ambiente regulatório. Essas mudanças elevaram o potencial de crescimento do país e fortaleceram os mecanismos de freios e contrapesos.
A Importância da Credibilidade
Para o ano de 2026, ele avaliou que o equilíbrio das contas públicas dependerá também da credibilidade e das expectativas em relação à condução econômica.
Assim, as discussões sobre a Selic e sua possível redução estão diretamente ligadas a um conjunto de fatores que contam com a atenção de economistas e autoridades financeiras, que buscam compreender um panorama que pode ser desafiador, mas que também oferece oportunidades para uma revitalização econômica.
Fonte: www.moneytimes.com.br