Petrobras Recebe Recomendação de Compra pelo BTG Pactual
O BTG Pactual ajustou o preço-alvo para os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras (PETR3; PETR4) para o final de 2027, fixando-o em US$ 26. Essa alteração representa um potencial de alta de 35,27% em relação ao fechamento registrado no dia anterior. A recomendação de compra continua válida, e o banco reafirma a estatal como a principal opção em sua seleção para o setor de óleo e gás no Brasil.
Análise do Cenário Eleitoral e Financeiro
Os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha observam que o ciclo eleitoral no Brasil e os preços elevados do petróleo e dos combustíveis colocaram a Petrobras em destaque nas discussões entre investidores. Os temas centrais incluem a política de preços, a alocação de capital e a eficiência operacional da companhia.
Posição da Petrobras em Ciclos Eleitorais
De acordo com o relatório do BTG, a empresa enfrenta essa discussão em uma posição “materialmente mais forte” em comparação com ciclos eleitorais passados. A produção acumulada até o momento é de cerca de 2,68 milhões de barris por dia, superando o guidance (projeções) estimado.
O relatório também revela que os resultados de refino da Petrobras continuam robustos, e sua situação financeira é considerada saudável.
Política de Preços de Combustíveis
O BTG destaca que as recentes mudanças na política de preços dos combustíveis reforçam uma possível desvalorização em termos de governança. No entanto, o entendimento do banco é que a estrutura de precificação de combustíveis permanece sólida. Uma subvenção adicional ao diesel, conforme argumentam, poderia melhorar os resultados financeiros no curto prazo.
Indicadores Financeiros
No que diz respeito ao refino, a estatal opera com um custo aproximado de US$ 135 por barril para diesel, que poderia aumentar para US$ 167 por barril com a nova subvenção, enquanto o custo para gasolina gira em torno de US$ 101 por barril.
Baseando-se nas informações apresentadas, o BTG estima um fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) nos próximos 12 meses em torno de US$ 22 bilhões, enquanto os dividendos devem totalizar aproximadamente US$ 15 bilhões, gerando yields (rendimentos) de cerca de 16% e 11%, respectivamente.
Produção de Petróleo
A produção acumulada até agora é de aproximadamente 2,68 milhões de barris por dia, o que está acima do intervalo estimado entre 2,4 milhões e 2,6 milhões de barris por dia.
Conforme o BTG, esse desempenho é atribuído a um aumento na produtividade dos poços localizados no pré-sal, bem como pela operação de unidades flutuantes de produção (FPSOs) acima de sua capacidade nominal e pela gradual introdução de novas unidades. O modelo atualizado do banco projeta a produção doméstica em 2,73 milhões de barris por dia até 2026, 2,84 milhões em 2027 e 2,88 milhões em 2028. Diante dessa situação, o BTG acredita que uma revisão das projeções pode ocorrer em breve.
Alavancas Potenciais de Valor
O relatório menciona quatro alavancas que podem gerar valor adicional além do cenário base. A primeira alavanca consiste em uma redução anual nas despesas gerais e administrativas (SG&A), que poderia resultar em um aumento de cerca de US$ 3 por ADR.
Cutbacks em Investimentos e Racionalização
A segunda alavanca diz respeito aos capex (investimentos). O BTG reconhece que existem limitações no que diz respeito à redução de investimentos já comprometidos na produção do pré-sal e no refino, mas destaca que um corte anual de US$ 1 bilhão a US$ 3 bilhões poderia elevar o yield médio do FCFE entre 2027 e 2028, passando de 14% para 15%-16%.
Outra estratégia sugerida envolve aumentar a previsibilidade na alocação de capital e na política de preços dos combustíveis. Isso poderá baixar o custo de capital próprio e levar a uma reprecificação significativa do valuation (valor do ativo) da empresa.
Perspectivas de Lucro
Para os anos de 2026 e 2027, o BTG aumentou suas estimativas de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em cerca de 12%, prevendo números de US$ 68,6 bilhões e US$ 63,8 bilhões, respectivamente. Essas mudanças se devem a premissas macroeconômicas revisadas e a uma expectativa de produção mais robusta.
Comparação com Concorrentes
O banco salienta que, para 2027, a Petrobras apresenta um FCFE yield em torno de 14% e um dividend yield aproximado de 10%, além de um FCFE yield de cerca de 16% e um dividend yield de perto de 11% para os próximos 12 meses.
No mesmo relatório, o BTG realiza uma comparação desses índices com os de concorrentes globais, indicando que estes operam com um FCFE yield próximo de 10% e um dividend yield em torno de 8% para o ano de 2027.
Fonte: www.estadao.com.br
