Petróleo começa 2026 em estabilidade, com mercado avaliando excesso de oferta e tensões geopolíticas.

Mercado de Petróleo em 2026

Os preços do petróleo iniciaram o ano de 2026 apresentando uma tendência de estabilidade, no primeiro dia de negociações, que ocorreu na sexta-feira, 2 de janeiro. Esse movimento foi observado após os contratos acumularem a maior perda anual desde 2020. Os investidores continuam avaliando as inquietações em torno do excesso de oferta global, além dos riscos geopolíticos que permeiam a situação, abrangendo desde o conflito na Ucrânia até as exportações de petróleo da Venezuela.

Valores das Cotações

Por volta das 10h50, no horário de Brasília, os futuros do petróleo Brent (CCOM: OILBRENT) apresentavam uma queda de 0,82%, sendo negociados a US$ 60,35 por barril. Paralelamente, o petróleo West Texas Intermediate, que é a referência norte-americana (CCOM: OILCRUDE), caiu 0,84%, sendo cotado a US$ 56,94 por barril. Esses dados refletem um ambiente de cautela no início do novo ano.

Cenário Geopolítico

No que se refere ao cenário geopolítico, a Rússia e a Ucrânia trocaram acusações sobre ataques realizados contra civis durante o dia de Ano Novo. Essas tensões persistem mesmo quando estão em andamento negociações supervisionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que visam por fim à guerra que já dura quase quatro anos. Recentemente, a Ucrânia tem intensificado suas ofensivas em relação à infraestrutura energética na Rússia, com o intuito de diminuir as fontes de financiamento de Moscou para sua campanha militar na Ucrânia.

Simultaneamente, o governo dos Estados Unidos sob Trump ampliou a pressão sobre o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, ao impor sanções a quatro empresas e petroleiros que, segundo autoridades do país, estariam atuando no setor petrolífero da Venezuela. Essas sanções geram uma nova camada de incerteza em relação às exportações do país sul-americano.

Crise no Oriente Médio

No Oriente Médio, a crise entre os países membros da OPEP, incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, tornou-se mais intensa devido a um conflito em torno do Iémen. Essa situação se agravou após a interrupção de voos no aeroporto de Aden, ocorrida na quinta-feira, 1 de janeiro. Esse evento aconteceu na véspera de uma reunião virtual programada da OPEP+, que envolve tanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo quanto seus aliados, agendada para 4 de janeiro.

Os operadores do mercado esperam que, de maneira geral, a OPEP+ mantenha a suspensão nos aumentos de produção durante o primeiro trimestre do novo ano. A analista da Sparta Commodities, June Goh, comentou que 2026 será um ano significativo para avaliar as decisões da OPEP+ em relação ao equilíbrio da oferta, e também destacou que a China deve continuar acumulando estoques de petróleo bruto no primeiro semestre, criando assim um suporte para os preços da commodity.

Perdas em 2025

Durante o ano de 2025, os principais índices de petróleo, Brent e WTI (West Texas Intermediate), apresentaram perdas anuais próximas a 20%. Essas perdas foram as mais significativas desde 2020 e estão atribuídas a uma combinação de excesso de oferta e tarifas que superaram os riscos geopolíticos. Para o Brent, este foi o terceiro ano consecutivo de desvalorização, marcando a sequência mais longa já registrada para esse índice específico.

Expectativas para 2026

Em relação ao futuro, o analista de energia da DBS, Suvro Sarkar, expressou a perspectiva de que 2026 será um ano marcado por estabilidade nos preços do petróleo Brent, oscilando em torno de US$ 60 a US$ 65 por barril. Por sua vez, a analista da Phillip Nova, Priyanka Sachdeva, observou que o movimento contido dos preços reflete uma disputa entre riscos geopolíticos de curto prazo e fundamentos de longo prazo que continuam a sinalizar um cenário de excesso de oferta.

Compreendendo o contexto do mercado, essa situação tende a manter os contratos de petróleo em faixas de preços menos voláteis, influenciando não apenas as empresas do setor energético, mas também as moedas dos países exportadores e os títulos soberanos que dependem das receitas geradas pela commodity. Apesar disso, a avaliação geral é de que haverá uma menor volatilidade estrutural, embora eventos geopolíticos possam gerar oscilações pontuais nos preços.

No pregão realizado na sexta-feira, 2 de janeiro, a cotação do petróleo reflete essa situação delicada, que associa a abundância de oferta a riscos externos. O desempenho atual dos contratos reafirma a percepção de que o mercado inicia 2026 com um comportamento de espera, atento às decisões que a OPEP+ tomará e à evolução dos conflitos geopolíticos que são de relevância para o setor energético.

Fonte: br.-.com

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