Petróleo impulsiona superávit na balança comercial, revela Icomex da FGV.

Petróleo impulsiona superávit na balança comercial, revela Icomex da FGV.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Melhoria do Superávit Comercial Brasileiro em 2026

A melhoria do superávit comercial brasileiro no ano de 2026 tem sido impulsionada pela força da indústria extrativa, especialmente no setor de petróleo bruto. Esse desempenho tem contribuído para o aumento dos saldos comerciais com países como a China e a União Europeia, sustentando o resultado agregado, mesmo diante do déficit recorrente observado na indústria de transformação.

Ambiente Geopolítico e Econômico

Este cenário econômico ocorre em um ambiente marcado por tensões geopolíticas, preços elevados de energia e incertezas comerciais, que são frequentemente atribuídas ao “efeito Trump”. As informações que respaldam essa análise foram divulgadas no relatório do Icomex (Indicador de Comércio Exterior), publicado na terça-feira, dia 15, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Assimetria Setorial nas Relações Comerciais

O relatório destaca a assimetria setorial existente nas relações comerciais do Brasil com seus principais parceiros. Entre os meses de janeiro a agosto, o Brasil apresentou superávits nas áreas de agropecuária e extrativa, ao passo que enfrentou déficits na transformação nas relações comerciais com a China, União Europeia e Estados Unidos.

Superávit com a China

No comércio com a China, o superávit da indústria extrativa atingiu o montante de US$ 33,8 bilhões, o que é superior ao saldo da agropecuária, que registrou US$ 27,9 bilhões. Em contrapartida, a indústria de transformação apresentou um déficit que chegou a US$ 36,1 bilhões.

Superávit com a União Europeia

Com a União Europeia, a indústria extrativa também demonstrou um saldo positivo, atingindo US$ 11,2 bilhões, enquanto a agropecuária obteve um resultado de US$ 7,8 bilhões. O déficit do setor manufatureiro na relação com a União Europeia foi de US$ 15,8 bilhões.

Situação com os Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a dinâmica das exportações e importações explica a manutenção do déficit bilateral. O déficit da transformação, embora menor em comparação aos outros dois mercados, foi de US$ 4,6 bilhões. Os saldos positivos registrados em agropecuária, que chega a US$ 1,1 bilhão, e na extrativa, com US$ 0,4 bilhão, não foram suficientes para cobrir o resultado negativo da indústria.

Limitações na Expansão do Superávit

De acordo com a FGV, a coincidência entre as pautas comerciais do Brasil e dos EUA nas áreas de agropecuária e extrativa limita a capacidade de expandir o superávit brasileiro nessas categorias em relação ao parceiro americano.

Importância do Petróleo nas Exportações

O petróleo também vem ganhando destaque na composição das exportações brasileiras. Em agosto, as vendas externas de petróleo bruto representaram 14,6% do total, superando a soja, que foi responsável por 13,3%. No total acumulado até agosto, a soja segue como principal produto de exportação, atingindo 15,7%, enquanto o petróleo aparece em segundo lugar, com 14,7%.

Saldo do Petróleo até Agosto

A FGV estima que o saldo das exportações de petróleo bruto no ano, até agosto, atinge US$ 32,3 bilhões. Ao considerar o déficit de derivados, que é de US$ 4,9 bilhões, o saldo líquido em relação ao conjunto de petróleo e derivados é de US$ 27,3 bilhões, correspondendo a 49,4% do superávit total no período analisado.

Impactos do Conflito no Irã

O relatório associa parte do crescimento recente das exportações à situação de conflito no Irã e as repercussões geradas sobre os preços e as rotas de abastecimento. Esses fatores têm elevado os preços do petróleo e derivados, além de estimular os importadores a buscarem fornecedores fora das áreas de maior risco.

Pressão para Conciliar Ganhos Comerciais

Com o Brasil se beneficiando desse reposicionamento comercial, surge também uma pressão crescente para que o país consiga conciliar os ganhos comerciais do setor de petróleo com os compromissos relativos à transição energética.

Déficits na Indústria de Transformação

No que diz respeito à indústria de transformação, os déficits apresentados são amplos e persistentes. Dentre os 23 setores do setor manufatureiro, o Brasil apresenta déficits em 18 setores nas relações comerciais com a China, em 17 setores na União Europeia e em 12 setores com os Estados Unidos.

Setores Superavitários

A análise revelou que três setores se destacam como superavitários nas relações com os três mercados analisados: produtos alimentícios, produtos de fumo e celulose.

Oportunidades de Exportação

A FGV observa que os Estados Unidos oferecem mais oportunidades para aumentar as exportações manufatureiras, enquanto a União Europeia poderia seguir um caminho semelhante, dependendo do progresso do acordo com o Mercosul. Na China, o avanço em novos segmentos de mercado está sujeito aos investimentos que o país poderá vir a realizar no Brasil.

Expectativas para 2026

No geral, o relatório do Icomex projeta um superávit maior em 2026 em comparação com 2025, sustentado pela indústria extrativa, em especial pelo petróleo, enquanto a indústria de transformação continua a ser um ponto de vulnerabilidade nas contas bilaterais com os principais parceiros comerciais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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