Petróleo sobe 4% com ataques iranianos a importante instalação energética do Catar gerando preocupações sobre abastecimento.

Aumento dos Preços do Petróleo em Meio a Conflitos no Oriente Médio

Um pumpjack se destaca no campo de petróleo de Inglewood, em Los Angeles, Califórnia, no dia 17 de março de 2026.

Patrick T. Fallon | AFP | Getty Images

Contexto Atual

Os preços do petróleo continuaram a se elevar, à medida que a situação no Oriente Médio se intensifica com ataques à infraestrutura energética na região, aumentando as preocupações sobre uma possível crise de abastecimento. No dia 17 de março, o Catar informou que ataques de mísseis iranianos causaram danos a uma importante instalação de exportação de gás natural liquefeito (GNL). Esta ação ocorreu após um aviso de Teerã sobre possíveis ataques a instalações energéticas no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, em resposta a bombardeios israelenses a uma instalação de processamento de gás natural no Irã.

Os contratos futuros de petróleo Brent para o mês de maio registravam alta de 4%, chegando a US$ 111,80, às 20h45 ET, enquanto os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos para abril subiram mais de 3%, atingindo US$ 99,47.

Danos Causados pelos Ataques

Os ataques de mísseis iranianos causaram "danos extensos" na cidade industrial de Ras Laffan, considerada a maior instalação de exportação de GNL do mundo, conforme relatado pelo Catar. As equipes de emergência foram enviadas para combater incêndios na região, conforme anunciou a QatarEnergy em uma publicação nas redes sociais, ressaltando que não houve relatos de vítimas. Posteriormente, o Ministério do Interior do Catar informou que o incêndio já estava sob controle.

Condenação e Resposta Internacional

O Ministério das Relações Exteriores do Catar condenou o ataque, classificando-o como uma "escalada perigosa" e uma "flagrante violação da soberania", alertando que a situação representa uma ameaça à segurança nacional e à estabilidade regional. Além disso, o ministério destacou que o Catar se reserva o direito de responder conforme o direito internacional.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também estão em estado de alerta após o ataque israelense a uma instalação de processamento de gás natural iraniana.

Suspensão da Produção de GNL

O Catar já havia suspendido a produção de GNL em 2 de março, em decorrência de ataques com drones iranianos nas cidades industriais de Ras Laffan e Mesaieed. O país ocupa a posição de segundo maior exportador de GNL do mundo, logo atrás dos Estados Unidos, e responde por quase um quinto das exportações globais, conforme dados da Kpler.

Ameaças à Infraestrutura Energética

Os recentes ataques à infraestrutura energética do Oriente Médio apresentam o risco de acentuar o choque de fornecimento provocado pela guerra no Irã. A movimentação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, que é responsável por cerca de 20% do abastecimento global de petróleo, está em grande parte bloqueada.

A Visão dos Especialistas

Tom Kloza, conselheiro sênior da Gulf Oil, advertiu que os mercados podem entrar em um cenário de "todas as apostas estão suspensas" caso o conflito se amplie além do Golfo Pérsico e comece a atingir a infraestrutura energética em outras regiões, como na Europa ou nos Estados Unidos. Kloza afirmou: "Você pode imaginar a resposta no mundo se [o Irã] atacar algo fora do Golfo Pérsico, como uma refinaria em Rotterdam ou uma instalação em algum lugar nos Estados Unidos? É nesse momento que todas as apostas estão suspensas e os preços podem se tornar absolutamente apocalípticos."

Essa transição marcaria uma mudança de riscos geopolítico contidos para um choque de fornecimento global, onde os modelos tradicionais de preços e as suposições de risco deixariam de ser aplicáveis. Nesse cenário, o temor de interrupções generalizadas no refino e na distribuição de combustíveis poderia provocar uma volatilidade extrema, com os preços do petróleo e do gás subindo drasticamente, à medida que os comerciantes tentassem precificar os piores cenários e se apressassem para garantir suprimentos.

Dan Pickering, fundador e CIO da Pickering Energy Partners, acrescentou: "Estamos passando de um problema de cadeia de suprimento para, potencialmente, um problema de fornecimento. Há uma grande diferença. Você consegue resolver problemas de cadeia de suprimento rapidamente."

Pickering continuou: "Se você começar a alterar a capacidade de produção, seja de GNL ou petróleo, e de repente não consegue mover a mesma quantidade de volumes porque esses volumes não estão disponíveis… Isso é uma escalada."

— A reportagem contou com a contribuição de Spencer Kimball, da CNBC.

Fonte: www.cnbc.com

Related posts

Ações do HDFC Bank caem 5% após renúncia do presidente interino por questões de ética.

Powell afirma que continuará como presidente do Fed até a confirmação de Warsh.

Trump ameaça ‘destruir’ campo de gás South Pars no Irã se ataques contra setor energético do Catar persistirem.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais