Movimentos nos Preços do Petróleo
Os preços do petróleo tiveram um novo aumento nesta quarta-feira, dia 11, em um cenário em que os mercados avaliam se o plano apresentado pela Agência Internacional de Energia (IEA) para a liberação de um volume recorde de reservas de petróleo poderá efetivamente compensar os choques de oferta que podem surgir devido ao conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Dados de Mercado
Os contratos futuros do petróleo Brent registraram uma alta de 59 centavos, ou 0,7%, alcançando o preço de US$ 88,39 por barril às 07h27 GMT. No mesmo período, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos EUA subiu 98 centavos, correspondente a um aumento de 1,2%, totalizando US$ 84,43 por barril.
Ambos os contratos sofreram perdas adicionais no início das negociações asiáticas, após terem caído mais de 11% na terça-feira, mesmo com a recuperação dos preços do petróleo nos EUA, que aumentaram 5% na abertura do mercado.
Proposta da IEA
A proposta da Agência Internacional de Energia supera o volume total de 182 milhões de barris que os países membros da agência disponibilizaram ao mercado em dois períodos de liberação que ocorreram em 2022, no contexto da invasão em larga escala da Rússia à Ucrânia, conforme relatado pelo The Wall Street Journal, que citou fontes próximas à situação.
Em uma comunicação aos clientes, analistas da Goldman Sachs afirmaram que uma liberação de estoques desse porte poderia compensar aproximadamente 12 dias da interrupção projetada pelo banco, estabelecida em 15,4 milhões de barris por dia, nas exportações do Golfo.
No entanto, alguns especialistas expressaram ceticismo em relação à proposta da IEA e seu impacto no mercado de preços do petróleo. Suvro Sarkar, líder da equipe responsável pelo setor de energia do DBS Bank, afirmou: “Medidas como a liberação das reservas estratégicas pela IEA não são a solução para a crise. A evolução dos preços do petróleo dependerá da duração da guerra com o Irã.” Além disso, Sarkar indicou que os riscos de alta nos preços no curto prazo deverão ser moderados por ações periódicas de sinalização estratégica, semelhantes às observadas nos últimos dias, com o intuito de acalmar os mercados.
Reuniões de Alta Perícia no G7
As autoridades do G7 realizaram uma reunião online para discutir a possível liberação de estoques emergenciais de petróleo, com o objetivo de amenizar os impactos negativos no mercado. O presidente da França, Emmanuel Macron, organizou uma videoconferência entre os líderes do G7 nesta quarta-feira, centrando os debates sobre o reflexo do conflito no Oriente Médio sobre o setor energético e sobre quais medidas poderiam ser implementadas para lidar com a conjuntura atual.
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, declarou repetidamente que os Estados Unidos estão prontos para fornecer escoltas a petroleiros que atravessarem o Estreito de Ormuz quando necessário. Entretanto, fontes consultadas pela Reuters relataram que a Marinha dos Estados Unidos negou pedidos da indústria de transporte marítimo para escoltas militares, pelo menos por enquanto, devido ao elevado risco de ataques.
Na terça-feira, os Estados Unidos e Israel executaram uma série de bombardeios contra o Irã, descritos pelo Pentágono e por fuentes no local como os ataques aéreos mais intensos da guerra. O Comando Central dos EUA também informou que eliminou 16 embarcações iranianas, que estavam sendo utilizadas para a colocação de minas nas proximidades do Estreito de Ormuz. O presidente Trump ressaltou que qualquer mina que o Irã tente colocar no estreito deverá ser removida imediatamente.
Desafios na Oferta de Petróleo
A ADNOC, grande estatal de petróleo de Abu Dhabi, decidiu fechar sua refinaria de Ruwais após um incêndio em uma de suas instalações, provocado por um ataque com drone. Esse incidente representa o mais recente impacto na infraestrutura energética resultante da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
A Arábia Saudita, reconhecida como a maior exportadora de petróleo do mundo, está aumentando o fornecimento via Mar Vermelho. No entanto, essa quantidade ainda se mostra inferior aos níveis necessários para compensar a diminuição dos fluxos provenientes do Estreito de Ormuz, segundo dados de transporte marítimo. O reino está utilizando o porto do Mar Vermelho de Yanbu para aumentar suas exportações e mitigar cortes acentuados na produção, enquanto seus vizinhos, como o Iraque, Kuwait e os Emirados Árabes Unidos, já implementaram reduções em sua produção.
A consultoria especializada em energia Wood Mackenzie indicou que, atualmente, a guerra está diminuindo a oferta de petróleo e derivados provenientes do Golfo ao mercado em cerca de 15 milhões de barris por dia, o que poderia fazer com que os preços do petróleo chegassem a US$ 150 por barril.
O Morgan Stanley, em um relatório, destacou que “até mesmo uma rápida resolução da crise provavelmente implicaria em semanas de interrupções nos mercados de energia.” Refletindo um aumento na demanda, os estoques de petróleo bruto, gasolina e destilados nos Estados Unidos apresentaram quedas na semana anterior, conforme informações de fontes do mercado que utilizaram dados do American Petroleum Institute divulgados na terça-feira.
Fonte: www.moneytimes.com.br