Por que o ouro e a prata estão batendo recordes no início de 2026 após o desempenho do ano passado?

Perspectivas para o Ouro e a Prata em 2026

A avalanche de manchetes geopolíticas que começou em 2026 tem iluminado as perspectivas para o ouro e a prata, mesmo após a impressionante valorização desses metais preciosos no ano anterior. No início do novo ano, o ouro atingiu a marca histórica de US$ 4.600 a onça pela primeira vez, enquanto a prata ultrapassou os US$ 90. Desde o Ano Novo, ambos os metais apresentaram uma valorização de mais de 6% e 22%, respectivamente.

Consenso do Mercado

No mercado de Wall Street, já existia um consenso de que ouro e prata teriam um bom desempenho novamente, embora não tão acentuadamente quanto no ano passado. Essa expectativa se baseava em forças estruturais que sustentam a demanda por ouro e prata, como o aumento da demanda pelos bancos centrais, a desvalorização do dólar americano e as dinâmicas apertadas de oferta e demanda. Entretanto, a enxurrada de notícias constantes provenientes de Washington nas últimas semanas — com ênfase em situações como Venezuela, Irã e Groenlândia, além de ataques à independência do Federal Reserve dos Estados Unidos — intensificou a convicção em relação aos metais preciosos. Esses sinais de um governo dos EUA mais intervencionista têm levado investidores a buscar ativos de refúgio.

Impacto das Notícias Geopolíticas

Aakash Doshi, chefe global da estratégia de ouro e metais da State Street, comentou à CNBC sobre a grande quantidade de manchetes geopolíticas: "Não se trata apenas de barulho nas manchetes, mas de que isso pode refletir uma mudança estrutural no regime". Historicamente, os choques geopolíticos têm pouco impacto duradouro no mercado de ações, com a recente saída do líder venezuelano Nicolás Maduro não tendo abalado significativamente os mercados. Contudo, o cenário no mercado de metais preciosos apresenta uma realidade diferente. Estrategistas atribuem a recente alta tática à crescente instabilidade nos EUA e ao redor do mundo.

Projeções para o Ouro

Na quarta-feira, Ulrike Hoffmann-Burchardi, chefe global de ações na UBS Financial Services, previu que o ouro poderia atingir US$ 5.000 nos próximos meses, e até US$ 5.400 no cenário mais otimista. Essa expectativa é sustentada pela demanda por cobertura diante de preocupações macroeconômicas e geopolíticas. Hoffmann-Burchardi também destacou que o ouro é o "ativo preferido", especialmente em caso de escalada das tensões com o Irã, podendo impactar o transporte de petróleo através do Estreito de Ormuz, uma importante via de passagem para o transporte de energia global.

Táticas de Intervenção

O presidente Donald Trump incentivou os iranianos a continuarem protestando contra o regime, afirmando que os EUA estão "prontos para ajudar". Além disso, Trump estaria considerando opções de ação contra o Irã. No entanto, em sua análise, Hoffmann-Burchardi comentou que "o mercado de petróleo hesitou em incorporar um prêmio de risco recentemente e esperamos que ele esteja algo sobrecarregado na primeira metade deste ano". Ela observa que, portanto, o ouro se mostra como o ativo preferido para proteção nesse contexto, devido ao seu potencial de diversificação.

Declarações sobre a Groenlândia

Recentemente, as declarações de Trump sobre a Groenlândia também provocaram atenção. Na quarta-feira, o presidente afirmou em uma postagem nas redes sociais que a Groenlândia se tornar qualquer coisa menos que parte dos Estados Unidos é "inaceitável". O ataque de Trump à Venezuela, assim como sua disposição para considerar o uso de força militar na Groenlândia e no Irã, fez com que investidores temessem uma mudança na abordagem política global dos EUA para uma postura mais intervencionista, o que também poderá impactar a política externa de outras nações.

Reações dos Investidores

Se anteriormente os investidores imaginavam que os EUA adotariam uma postura mais não intervencionista, com foco maior em questões internas, agora surge o argumento de que talvez o novo paradigma indique um risco mais elevado de intervenções externas, conforme observou Doshi. Como resultado, países terceiros poderiam começar a estocar suas próprias reservas de petróleo, ouro e outras commodities, conforme analisou Marko Papic, estrategista-chefe de estratégia geomacro da BCA Access.

Tensão Financeira

Outras inquietações, como os contínuos ataques de Trump ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, também poderiam desestabilizar ainda mais o equilíbrio financeiro. Nesta semana, Kenny Hu, do Citigroup Research, ajustou suas previsões de preços em um horizonte muito próximo, elevando-as para US$ 5.000 a onça para o ouro e US$ 100 para a prata. De acordo com Hu, os riscos geopolíticos elevados colaboram para uma perspectiva otimista em relação a ambos os metais. "Esperamos que o mercado em alta continue firme no curto prazo, diante dos riscos geopolíticos aumentados (Rússia/Ucrânia, Irã, Groenlândia, Venezuela etc.) e da incerteza renovada sobre a independência do Fed", concluiu Hu.

Fonte: www.cnbc.com

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