Por que os shoppings permanecem resilientes mesmo diante de juros elevados e da crescente concorrência do e-commerce, segundo especialistas.

A Resiliência e Adaptação dos Shopping Centers

Depois de enfrentar crises econômicas, incluindo o fechamento durante a pandemia, os shopping centers demonstram uma impressionante resistência e, mais importante, uma notável capacidade de adaptação. A análise é realizada por gestores do setor, que sublinham tanto a durabilidade quanto a necessidade contínua de reinvenção destes ativos.

Declarações de Especialistas

“O segmento é extremamente resiliente. Conseguimos passar por períodos complicados e, no final, sair fortalecido por conta de toda a busca por eficiência operacional”, afirmou Felipe Gaiad, executivo da HSI Investimentos, durante sua participação no FII Experience 2026, evento que ocorreu em São Paulo no dia 26 de outubro de 2023.

De acordo com Gaiad, os shopping centers enfrentaram uma série de choques desde 2014, que incluem a recessão econômica, instabilidade política e a covid-19, esta última sendo considerada o momento mais crítico, com lojas fechadas e operações intermitentes.

Recuperação no Pós-Pandemia

Atualmente, o setor apresenta uma taxa média de ocupação próxima de 95% em todo o país, evidenciando a recuperação após a pandemia. Além disso, como observou o executivo, os ativos mostraram um crescimento operacional de dois dígitos entre 2022 e 2025.

“Após a covid-19, tivemos crescimento de dois dígitos que começou a desacelerar apenas no final do último ano [2025], no segundo semestre, devido a um período de taxas de juros mais elevadas, com a Selic em 15%, o que impacta de forma significativa o consumo”, mencionou.

O Papel do E-Commerce

Durante sua apresentação, o gestor também comentou sobre o que chamou de “não fantasma” do comércio eletrônico nos últimos anos. Ele ressaltou que, se anteriormente o e-commerce era visto como uma ameaça, atualmente, sua atuação tem se consolidado como um complemento para o setor.

“No final das contas, a conclusão que chegamos é que o e-commerce, que parecia ser uma grande ameaça para os shopping centers, acabou se revelando a menor das ameaças durante todo esse período”, afirmou.

Gaiad acrescentou que, na verdade, "o comércio eletrônico mostrou-se complementar ao segmento, e não excludente".

Integração com o Comércio Eletrônico

Segundo Gaiad, essa integração se dá por meio de estratégias como o pickup from store (compra online com retirada na loja) e o ship from store (envio de produto a partir da unidade física).

“É uma vantagem bastante significativa para o setor. Assim, o e-commerce atua mais como um contribuinte para os resultados dos principais varejistas, especialmente das grandes lojas, do que como uma ameaça”, destacou.

A Necessidade de Reinvenção e o Investimento

Se a resiliência caracteriza o passado, a necessidade de reinvenção é o que orienta o futuro. Para Giuliano Ricci, gestor da Pátria Investimentos e também presente no evento, a pandemia forçou os shoppings a saírem de sua zona de conforto, implementando mudanças de forma acelerada.

“A necessidade de se reinventar é constante, e isso vai demandar capex (investimentos). Não tem jeito”, afirmou, reconhecendo que essa urgência ainda gera apreensão em uma parte dos investidores de fundos imobiliários, especialmente quando o fluxo de caixa é temporariamente impactado.

“Se você compreende essa necessidade de reinvestimento, o capex passa a ser visto como algo natural, e não como uma preocupação”, completou.

A Prioridade na Experiência do Consumidor

Ricci destacou que, após a pandemia, os shopping centers têm ampliado seu foco em experiência, serviços e na promoção do aumento do tempo de permanência do consumidor nas unidades. Isso se torna evidente até mesmo em áreas tradicionais, como os estacionamentos.

“Existem shoppings que começaram a utilizar os estacionamentos como quadras de beach tennis ou áreas para crianças, tudo com o propósito de aumentar a permanência do cliente. Isso acaba gerando um benefício horizontal, de maneira geral, para os lojistas, pois atrai o consumidor para o seu cotidiano”, observou.

Relevância dos Shoppings

De acordo com os gestores presentes no evento, com ativos que se tornam cada vez mais eficientes, uma integração cada vez mais forte com o mundo digital e um foco inabalável na experiência do consumidor, os shopping centers demonstram que continuam a ser relevantes e estão longe de perder espaço no mercado atual.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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