Powell expressa preocupação com o desvio da inflação e do emprego; pausa nas taxas está em consideração?

Discurso Cauteloso do Presidente do Federal Reserve

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, enfatizou seu tom cauteloso em relação ao futuro da política monetária nos Estados Unidos. Em uma coletiva de imprensa realizada após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), ocorrida na última quarta-feira, dia 10, Powell destacou que a instituição continua empenhada em alcançar os objetivos do seu duplo mandato, que são o máximo emprego e a estabilidade da inflação.

Desafios na Política Monetária

No entanto, ele apontou que o trabalho do Fed apresentou novos desafios. A inflação permanece acima da meta de 2% estabelecida pela autoridade monetária, enquanto o mercado de trabalho tem mostrado sinais de fraqueza nos últimos meses.

Powell afirmou: “Os riscos de curto prazo para a inflação estão inclinados para cima, e os riscos para o emprego, para baixo — uma situação desafiadora. Não há caminho sem riscos para a política enquanto navegamos essa tensão entre nossos objetivos de emprego e inflação.”

Expectativa de Pausa em Cortes de Juros

O presidente do Fed também mencionou que o banco está preparado para aguardar e avaliar a trajetória da economia, o que sugere que uma pausa nos cortes de juros pode ser iminente. A mediana das projeções dos dirigentes indica que a taxa dos Federal Funds deverá atingir 3,4% até o final de 2026, o que implicaria apenas um corte adicional na taxa.

“Após reduzirmos nossa taxa de política em 75 pontos-base desde setembro e 175 pontos-base desde setembro do ano passado, a taxa dos Federal Funds atualmente se encontra dentro de uma ampla faixa de estimativas de seu valor neutro, apresentando-se adequadamente posicionada para aguardar e observar como a economia evolui”, explicou Powell.

Decisão sobre a Taxa de Juros

Powell também comentou que a decisão de reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo um novo intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, não contou com o voto unânime dos dirigentes. Dentre os 12 dirigentes, nove votaram a favor do reajuste, enquanto Stephen Miran defendeu um corte de 0,50 ponto percentual, e Austan Goolsbee e Jeffrey Schmid optaram por manter a taxa inalterada.

“Todos concordam que a inflação está alta e que o mercado de trabalho enfraqueceu. Também existe um consenso sobre os riscos adicionais que isso acarreta. A divergência se dá em como cada um pondera esses riscos, como suas previsões se formulam e, em última análise, onde cada um vê os maiores riscos”, acrescentou Powell.

Projeções do Federal Reserve

De acordo com o dirigente, nenhuma decisão foi ainda tomada em relação à reunião de janeiro, mas ele acredita que o Fed está em uma posição favorável para aguardar e observar o comportamento da economia nos próximos meses.

Inflação e Emprego

Powell sublinhou que, embora alguns dados governamentais significativos ainda não tenham sido divulgados devido ao shutdown, os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica está se expandindo a um ritmo moderado. As projeções do Fed indicam um crescimento do PIB de 1,7% para 2025 e 2,3% para 2026.

Mercado de Trabalho

No que diz respeito ao mercado de trabalho, apesar do atraso na divulgação dos dados oficiais referentes a outubro e novembro, as evidências disponíveis mostram que os índices de demissões e contratações continuam baixos. A taxa de desemprego prevista é de 4,5% ao final deste ano, com uma expectativa de queda gradual nos períodos seguintes.

“Uma boa parcela da desaceleração provavelmente é resultado da redução no crescimento da força de trabalho, causada por uma menor imigração e pela diminuição da participação na força de trabalho, embora a demanda por mão de obra também tenha apresentado um claro enfraquecimento”, informou Powell.

Inflação em Níveis Elevados

A inflação, por sua vez, diminuiu de forma acentuada em relação aos picos verificados em meados de 2022, mas ainda permanece elevada quando comparada à meta de longo prazo de 2%. Os preços do PCE (Índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal) aumentaram 2,8% nos 12 meses encerrados em setembro. Excluindo alimentos e energia, o núcleo do PCE também apresentou um avanço de 2,8%.

“Esses números estão acima dos registrados no início do ano, à medida que a inflação relacionada a bens aumentou, refletindo os impactos das tarifas”, destacou Powell. Ele observou que os efeitos das tarifas sobre a inflação devem ser de curta duração e, caso não haja novos anúncios, a inflação dos bens poderá atingir seu pico no primeiro trimestre de 2026.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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