A Petrobras e o Impacto da Cotação do Petróleo nos Investimentos
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, relacionou a desvalorização da cotação do petróleo à definição dos valores que a estatal pretende investir nos próximos cinco anos. Durante uma coletiva de imprensa referente ao plano de negócios (PN) 2026-2030, realizada na sexta-feira (28), ela destacou que o plano, apresentado no dia anterior, indica uma redução significativa na projeção do preço do petróleo Brent. Na quinta-feira (27), a empresa informou que o valor do Brent, por barril, está previsto em US$ 63 para 2026 e US$ 70 para 2030.
A Queda da Cotação do Petróleo
Magda comentou sobre a diminuição do preço do petróleo ao afirmar: “Eu chamo a atenção que, do primeiro semestre do ano passado até o momento atual, nós observamos uma queda de US$ 20 por barril no preço do petróleo cru”. Ela observou que, no mês de novembro, a cotação do petróleo Brent está a 75% do valor observado no início de 2024.
Em uma analogia com as finanças pessoais, Magda questionou: “O que significaria nas contas pessoais de cada um de vocês se, de um ano para outro, tivessem seu salário reduzido a 75% do valor? Que tipo de ajuste seria necessário para equilibrar as contas? E é isso que estamos fazendo”.
A CEO ainda mencionou previsões feitas por analistas de mercado, que indicam que “muitos cenaristas estão falando de petróleo a US$ 50 no início do próximo ano” e destacou que, em um cenário de preços baixos, “os produtores tendem a desacelerar a produção, o que pode acarretar em um aumento de preços; por essa razão, a projeção de US$ 70 para os quatro anos finais do plano é plausível”.
O Investimento da Petrobras nos Próximos Anos
Magda enfatizou que, mesmo com esses desafios, o volume de investimentos projetados pela estatal para os próximos cinco anos é significativo para a economia nacional. Este plano é o segundo sob sua gestão e representa cerca de 5% de todos os investimentos realizados no país, conforme afirmou a presidente.
No contexto apresentado, a estatal divulgou um plano que prevê até US$ 109 bilhões em investimentos totais no período de 2026-2030. Esse montante representa uma diminuição de 1,8% em comparação ao plano atual.
Dessa cifra total, US$ 81 bilhões estão garantidos, enquanto US$ 10 bilhões foram designados para revisão trimestral até 2027. Outros US$ 18 bilhões serão analisados posteriormente pela empresa.
Ajustes nas Projeções de Preço do Petróleo
O diretor financeiro, Fernando Melgarejo, ressaltou a redução do Brent de equilíbrio, que passou de US$ 80 no plano anterior (2025-2029) para US$ 59 em 2026. “Para a formação das nossas projeções de preço do petróleo, consultamos mais de 30 analistas que atuam no setor”, afirmou Melgarejo.
Magda ainda destacou que a empresa está sendo cautelosa em relação ao nível de endividamento, mas que não pode abrir mão de investimentos fundamentais. “No contexto da precificação do petróleo, todas as estimativas estão sujeitas a erro. Isso significa que embora estejamos antevendo um ano desafiador, posteriormente a situação pode mudar. Caso adotássemos uma previsão mais pessimista (de US$ 50), evitaríamos investimentos cruciais para a companhia. Portanto, alocamos US$ 10 bilhões na Carteira em Implantação, que será revisada trimestralmente”, explicou.
Além disso, Magda anunciou que estão sendo retomados projetos que haviam sido suspensos, e a implementação de diversas medidas para otimização de custos está em andamento, com a meta de alcançar uma economia de 8,5% nos gastos operacionais até 2030.
A Política de Dividendos da Petrobras
Durante a coletiva, a presidente da Petrobras reafirmou o compromisso da estatal com seus investidores, ao mesmo tempo em que trabalha para assegurar a saúde financeira da empresa. “Nossa política de dividendos permanece inalterada, e estamos mantendo o endividamento sob controle”, assegurou Magda.
Conforme informado, a previsão da estatal é gerar entre US$ 190 bilhões e US$ 220 bilhões de caixa nos próximos cinco anos. Em relação aos dividendos, estima-se que os acionistas receberão entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões, de acordo com a documentação enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A executiva ainda destacou que a empresa está implementando iniciativas para redução de custos que somam US$ 12 bilhões. Entretanto, no momento, não há uma carteira específica de desinvestimentos em curso.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br