Prejuízo no setor agrícola deve continuar em 2026 nos EUA, apesar do suporte federal.

Desafios para os Produtores Agrícolas nos Estados Unidos em 2026

Os produtores agrícolas dos Estados Unidos (EUA) se preparam para mais um ano de margens negativas em 2026, com a previsão de aumento nos custos de produção para as nove principais culturas. Essa informação foi divulgada pelo American Farm Bureau Federation (AFBF), a maior organização agrícola independente do país.

Impactos dos Custos de Produção

O AFBF destaca que, apesar de haver programas de auxílio federal disponíveis, esses não são suficientes para fechar a lacuna entre as despesas operacionais, que estão inflacionadas, e os preços das commodities, que permanecem deprimidos. A análise indica que as perdas líquidas no setor agrícola devem ultrapassar US$ 50 bilhões nos últimos três anos-safra.

Projeções de Custos para 2026

Conforme a atualização de dezembro realizada pelo Serviço de Pesquisa Econômica (ERS) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os custos totais por acre devem aumentar entre 2,2% e 3,3% em 2026 para culturas como milho, soja, trigo, algodão e arroz. O arroz, o amendoim e o algodão estão entre as culturas que apresentam os maiores custos de produção, com estimativas de US$ 1.336, US$ 1.194 e US$ 965 por acre, respectivamente.

Esse aumento nos custos é impulsionado, especialmente, por despesas com juros, fertilizantes, combustível e mão de obra, que estão significativamente acima dos níveis que eram observados antes de 2021.

Auxílio Federal e Retornos Econômicos

Recentemente, o USDA anunciou a liberação de US$ 12 bilhões em auxílio por meio do Programa de Assistência Agrícola (FBA), com pagamentos diretos programados para ocorrer até 28 de fevereiro. No entanto, o AFBF calcula que, mesmo com a assistência federal, os retornos sobre os custos totais continuarão negativos. Produtores de arroz devem enfrentar perdas estimadas de US$ 210 por acre. Já os produtores de algodão, milho e soja devem enfrentar perdas de US$ 202, US$ 87 e US$ 61, respectivamente.

Declarações da Secretária de Agricultura

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que os recursos disponibilizados têm como objetivo auxiliar no planejamento do plantio da primavera. Contudo, a federação advertiu que essa ajuda pode apenas retardar a erosão do capital de giro, sem restabelecer a lucratividade necessária para a sustentaçãp do setor.

Pressões por Soluções de Mercado

Diante desta complexa situação, que os agricultores classificaram como um “ponto de ruptura econômico”, o setor agrícola intensifica a pressão por soluções de mercado. Uma das propostas em discussão é a aprovação da venda de E15 durante todo o ano, uma medida que visa fortalecer a demanda interna por biocombustíveis.

Legislação Agrícola e Segurança de Rede

O Farm Bureau também alerta que as melhorias na rede de segurança, previstas na nova legislação agrícola (OBBBA), só começarão a entrar em vigor em outubro de 2026. Essa expectativa deixa muitas operações agrícolas vulneráveis no curto prazo, dependendo de medidas provisórias que não endereçam o desequilíbrio estrutural entre os custos elevados e as baixas receitas.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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