Presidente da CPI do INSS defende a comissão e refuta Moraes sobre vazamento de conversas do ministro.

Manifestações Sobre a CPI do INSS

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana, do Podemos em Minas Gerais, manifestou-se nesta sexta-feira, 6, em resposta à nota divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido do ministro Alexandre de Moraes. Viana repudiou a informação de que a comissão parlamentares teria revelado material sigiloso que envolve membros da Corte.

A declaração foi postada nas redes sociais após a nota emitida pelo STF, que afirmava que conversas capturadas no celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foram divulgadas pela CPI do INSS no dia em que ele foi detido. No comunicado, Moraes refutou a alegação de que capturas de tela de mensagens atribuídas a Vorcaro foram encaminhadas a ele.

Segundo Viana, a CPI atuou em conformidade com a legislação vigente e não foi responsável por qualquer vazamento de informações confidenciais. O senador destacou a importância de identificar a fonte das informações divulgadas antes de atribuir responsabilidades ao Parlamento, afirmando que “a CPMI sempre atuou dentro dos limites legais e regimentais”.

No comunicado do STF, foi divulgado que uma análise técnica havia identificado que o diálogo publicado foi realizado com outra pessoa e que “as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes”.

Entretanto, a nota não nega que Moraes tenha se comunicado com Vorcaro no dia 17 de novembro do ano anterior, data em que o banqueiro foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero. Informantes contactados pelo jornal Estadão confirmaram a troca de mensagens entre ambos nesse dia.

A Metodologia das Comunicações

A troca de mensagens se realizava com o uso de prints em modo de visualização única. Para assegurar o sigilo das comunicações, tanto Vorcaro quanto Moraes redigi vinham textos em blocos de notas, capturavam a tela e enviavam as imagens, que se autodestroiam logo após a primeira visualização.

Conteúdo das Mensagens

Conforme reportado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Vorcaro e Moraes mantiveram um intercâmbio de mensagens via WhatsApp durante todo o dia 17 de novembro de 2025, momento em que Vorcaro foi detido pela Polícia Federal (PF) pela primeira vez.

Dados retirados do celular do executivo sugerem que ele relatava ao ministro detalhes sobre negociações referentes à venda do banco e indicam conversas sobre um inquérito sigiloso em trâmite na Justiça Federal em Brasília.

A defesa do banqueiro protocolou ao STF um pedido para investigar o vazamento das informações contidas em seu celular, incluindo “conversas íntimas” e “supostos diálogos com autoridades, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes”. Esse pedido foi aceito pelo ministro André Mendonça, que é o relator do caso na Corte.

Nesta mesma sexta-feira, Mendonça ordenou que a PF inicie uma investigação para elucidar a origem do vazamento de dados sigilosos de Vorcaro, cuja documentação estava sob a guarda da PF e foi compartilhada com a CPI do INSS.

Fontes consultadas pelo Estadão confirmaram que Vorcaro realmente trocou mensagens com Moraes naquele dia, utilizando fotos que poderiam ser visualizadas apenas uma vez.

Na análise dos dados do celular do banqueiro, foram encontradas sete imagens de rascunhos com mensagens que tratavam das negociações do Banco Master com o Banco Central. A criação de alguns desses registros ocorreu num horário próximo ao horário em que Vorcaro enviou mensagens ao ministro.

Implicações e Cronologia das Interações

Nos textos, Vorcaro indicava ter antecipado um negócio com o grupo Fictor como uma tentativa de salvar a instituição financeira, além de alertar que um possível vazamento de informações poderia ser danoso, mas também poderia servir como uma oportunidade para intervir no processo. O banqueiro questionou Moraes, em duas ocasiões, se havia alguma atualização sobre o caso, chegando a perguntar diretamente: “Conseguiu bloquear?”.

Um dos prints do bloco de notas no celular de Vorcaro, registrado às 18h32, continha a seguinte pergunta: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. A sequência dos eventos sugere que, enquanto se comunicava com o ministro, Vorcaro monitorava o andamento das investigações. Segundo a PF, ele teria acessado informações sigilosas de maneira ilegal através dos sistemas da própria corporação e tentou protocolar um pedido na 10ª Vara Federal de Brasília apenas 18 minutos após ter sido decretada sua prisão, buscando impedir medidas cautelares.

A mensagem mais recente registrada, enviada às 20h48, indica que Vorcaro respondia a uma dúvida sobre as negociações e afirmou que a movimentação poderia inibir um desdobramento indeterminado. No encerramento da conversa, ele avisou que estava se dirigindo para assinar acordos com investidores internacionais, momento em que Moraes reagiu apenas com um emoji de polegar para cima.

Por volta das 22h, o executivo foi preso pela PF antes de embarcar rumo a Malta, de onde planejava seguir para Dubai.

Reação à Decisão de André Mendonça

Carlos Viana também comentou a decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que ordenou a abertura de uma investigação para apurar uma possível violação de dados relacionados à CPI. O senador declarou que recebe a determinação “com serenidade e respeito institucional”, mas sublinhou que o Congresso possui prerrogativas constitucionais específicas para conduzir investigações.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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