Previdência privada: descubra como taxas podem diminuir seu rendimento em até R$ 1,5 milhão

Previdência privada: descubra como taxas podem diminuir seu rendimento em até R$ 1,5 milhão

by Editoria Bolsa e Mercado
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Taxas de administração em fundos de previdência privada

Taxas de administração elevadas podem reduzir significativamente a rentabilidade de um fundo de previdência privada ao longo dos anos. No entanto, esse não é o único custo que merece atenção ao escolher um investimento para a aposentadoria: as taxas de carregamento e de performance também podem impactar o retorno final obtido pelo investidor.

Taxa de carregamento

A taxa de carregamento, que é cobrada sobre os aportes feitos pelos investidores, pode ser aplicada na entrada ou na saída do investimento, o que reduz tanto o valor que está sendo aplicado quanto o que será resgatado. Essa taxa, apesar de ser relevante, está se tornando cada vez menos comum. Segundo Guilherme Cadonhotto, que é head de alocação da Grão Investimentos, uma gestora independente associada ao Grupo Primo, os investidores devem evitar fundos que ainda utilizam essa taxa. Ele ressalta que “produtos novos que estão obtendo uma boa parte das aplicações dos investidores não contam com a famosa e indesejável taxa de carregamento”, indicando que essa prática está em declínio no mercado.

Taxa de performance

A taxa de performance é aplicada quando o retorno do investidor, descontando a taxa de administração, supera o benchmark (indicador de referência) do fundo. Em geral, essa taxa é cobrada semestralmente e respeita a chamada linha d’água, que impede que novas cobranças sejam feitas enquanto o fundo não recuperar eventuais perdas anteriores. Para Cadonhotto, a maior crítica sobre essa taxa é que o investidor não recupera os valores pagos se o desempenho do fundo for insatisfatório ao longo do tempo. Assim, mesmo que o gestor acumule uma rentabilidade inferior ao benchmark durante vários anos, ainda é possível que ele cobre a taxa de performance em semestres específicos em que o fundo superou temporariamente o indicador de referência.

Como avaliar a taxa de administração de um fundo?

Um fundo de previdência pode adotar estratégias variadas, que vão desde investimentos simples, como aplicações apenas em Tesouro Selic, até abordagens mais sofisticadas, que incluem exposição a ações do mercado tanto brasileiro quanto internacional. Como destaca Cadonhotto, é importante não tratar as taxas dos fundos de previdência de maneira homogênea. Em vez disso, eles devem ser analisados de acordo com suas classes de ativos, assim como se faz com fundos abertos.

No entanto, o head de alocação da Grão enfatiza que mesmo taxas elevadas que não tragam um desempenho elevado para o investidor não justificam sua existência. De acordo com ele, “um fundo de investimento não deve existir apenas para remunerar sua equipe. Antes de tudo, ele tem como objetivo entregar retorno para o cliente final”.

As diferenças, mesmo que pareçam pequenas entre as taxas, podem impactar o investidor de forma significativa ao longo do prazo. Por exemplo, em uma simulação de 30 anos, a diferença de taxas de 0,5% para 2% ao ano resultou em uma redução do saldo final do investidor de R$ 1,52 milhão. Este cálculo considera um patrimônio inicial de R$ 500 mil, aportes mensais de R$ 5 mil e um retorno bruto real constante de 5% ao ano. Após 30 anos, o saldo estimado chegaria a R$ 5,58 milhões com uma taxa de 0,5% ao ano, em comparação a R$ 4,06 milhões com uma taxa de 2% ao ano.

Esses dados são parte de um levantamento realizado por Victor Garrido, especialista em investimentos. Esta pesquisa analisou 136 fundos classificados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) na categoria de Previdência Renda Fixa Duração Baixa.

A pesquisa também avaliou as variações na rentabilidade em função das taxas de administração cobradas e dos prazos de investimento. Em um intervalo de 12 meses, os fundos com taxas que variavam entre 0,01% e 0,50% apresentaram um retorno mediano anualizado de 14,51%, em contraste com 12,22% para aqueles que cobravam acima de 2%. Nos períodos de três anos, os resultados foram de 12,73% e 10,49%, respectivamente. Já em cinco anos, a diferença foi aproximadamente de 1,95 ponto percentual ao ano: 11,92% contra 9,97%.

Ao analisar fundos de previdência com características e níveis de risco semelhantes, Garrido recomenda que o investidor verifique a existência de opções comparáveis que possuam taxas menores e que se alinhem aos objetivos financeiros desejados. É igualmente importante avaliar o histórico de desempenho do fundo, observando como ele se comportou ao longo do tempo em relação ao seu benchmark.

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Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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