Críticas à Política Monetária do Banco Central
O Partido dos Trabalhadores (PT) recentemente reiterou suas críticas à política monetária do Banco Central e solicitou uma revisão da meta de inflação em um documento aprovado durante as comemorações de 46 anos da sigla. Essa movimentação reascende a tensão entre o governo e o mercado financeiro no que diz respeito à gestão da economia. A análise é de Lucinda Pinto, no programa Agora CNN.
A analista de Economia da CNN destacou que a resolução parece ter sido criada como um gesto em direção às bases do partido.
No entanto, Lucinda expressou preocupação, afirmando que o teor das críticas pode desestabilizar a confiança do mercado e afetar a credibilidade da política monetária brasileira. Segundo sua avaliação, “Esse documento ganha força negativa diante do mercado financeiro por conta da indicação de Guilherme Mello para o Banco Central.”
Segundo a analista, ficou evidente que o governo pretende que Mello atue como uma espécie de “representante do PT” na instituição. Ele é percebido como um economista heterodoxo que advoga por uma política fiscal mais flexível.
Preocupações com a Autonomia do Banco Central
Lucinda Pinto destacou a importância da autonomia do Banco Central, afirmando que “É fundamental para um país que adota o sistema de metas de inflação haver a confiança de que o Banco Central tem liberdade para agir tecnicamente e não defender interesses específicos de um governo, em especial os eleitorais.”
A analista ainda lembrou um precedente negativo que aconteceu durante o governo de Dilma Rousseff, quando o Banco Central implementou cortes de juros considerados prematuros em 2011, mesmo diante de um cenário de inflação em alta. “A inflação acabou ficando muito acima da meta, superando 6%, e seguiu uma trajetória crescente até que, em 2015, ultrapassou a marca de 10%. Isso ocorreu, entre outras razões, pela perda de confiança na política monetária do Banco Central”, ressaltou.
Apesar das críticas provenientes do PT, Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, conseguiu manter a confiança do mercado financeiro por meio de seu compromisso com a meta de inflação. No entanto, o atual episódio desafia a capacidade do governo de equilibrar seus interesses políticos com a estabilidade econômica do país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br