Criptomoedas e Acesso ao Mercado Tradicional
A chegada das criptomoedas ao mercado tradicional abriu novas possibilidades para investidores que desejam adicionar Bitcoin a suas carteiras. As opções disponíveis incluem compra direta, custódia própria, fundos de índice (ETFs), derivativos e ações de empresas que possuem a criptomoeda em seus balanços. De acordo com Guilherme Gomes, CEO da Oranje BTC, essa variedade de opções é bem-vinda. Ele destacou: “Quanto mais formas e mais maneiras de você ter exposição ao Bitcoin e à sua economia, mais interessante”.
Painel sobre Acesso e ETFs
A declaração de Gomes foi proferida durante o painel intitulado “Democratizando acesso: Ativos Digitais por meio de ETFs”, que ocorreu na B3 Week 2026, durante o ETF Day, no dia 16 de setembro. Além de Gomes, participaram do debate Samir Kerbage, representante da Hashdex, e Jackeline Melaines, que atuou como mediadora da conversa.
Avanços na Oferta de ETFs e Investidores
O aumento na oferta de produtos relacionados ao Bitcoin reflete uma transformação no mercado brasileiro. De acordo com Melaines, a B3 já conta com mais de 40 ETFs vinculados a criptoativos, oferecendo diferentes tipos de exposição aos investidores. Melaines ainda mencionou um levantamento realizado por Datafolha, Paradigma e Hashdex, que estima que cerca de 30 milhões de brasileiros já possuem algum tipo de investimento em criptomoedas.
Guilherme Gomes ressaltou que, apesar do crescimento observado, ainda há certa resistência por parte de investidores institucionais. Ele apontou que essa hesitação é em parte devido ao fato de que o Bitcoin se originou fora da estrutura financeira tradicional. Contudo, o executivo acredita que hoje o ativo está cada vez mais integrado a esse sistema. Em sua avaliação, uma pequena exposição ao Bitcoin pode desempenhar um papel importante em uma carteira diversificada, embora cada investidor deva considerar seu próprio perfil ao determinar o percentual adequado para esse tipo de investimento.
Diversificação e Correlação de Ativos
Samir Kerbage também enfatizou a importância da diversificação nesta discussão. Ele afirmou que o principal argumento para a inclusão de criptoativos em uma carteira de investimentos é a baixa correlação histórica desses ativos com outras classes. Em termos de mercado brasileiro, essa correlação já foi próxima de zero em determinados períodos. Isso significa que, quando a exposição é realizada de maneira disciplinada, pode haver benefícios na relação entre risco e retorno.
Kerbage não aconselha que os investidores tentem prever o próximo movimento do Bitcoin. Ele defendeu a adoção de uma estratégia de alocação e rebalanceamento, na qual o investidor deve reduzir sua posição após um aumento substancial no preço e recompor a parcela após quedas, a fim de manter o percentual que havia sido previamente determinado. A proposta é distanciar o criptoativo da percepção de ser meramente um objeto de especulação, que ainda persiste na imagem de alguns investidores.
ETFs como Alternativa de Investimento
Para investidores que preferem não escolher quais moedas digitais comprar individualmente, os ETFs de índice surgem como uma alternativa viável. Kerbage argumentou que, em um campo tecnológico ainda em desenvolvimento, é particularmente desafiador antecipar quais projetos terão sucesso. Portanto, ele acredita que é mais sensato começar com um índice diversificado que possua critérios rigorosos de elegibilidade, liquidez e presença institucional, antes de se aventurar em exposições mais específicas.
Por sua vez, Gomes apresentou três maneiras principais de acessar o Bitcoin: a custódia própria, que oferece controle direto sobre o ativo, mas exige que o investidor tome responsabilidade pela segurança das chaves; os ETFs, que permitem a aquisição de exposição via home broker, transferindo a custódia para instituições especializadas em troca de uma taxa de administração; e as empresas listadas que mantêm Bitcoin em seus balanços e utilizam o mercado de capitais para aumentar suas reservas de criptomoedas.
Inovações da B3 e Derivativos
A B3 também busca expandir as opções relacionadas a esses fundos. Após lançar contratos futuros de Bitcoin, Ether e Solana, a Bolsa passou a disponibilizar derivativos associados a ETFs de criptoativos. Kerbage enfatizou que esses instrumentos de opções e futuros permitem que os investidores criem estratégias que visam a proteção de seus ativos, a geração de renda e a exposição ao crescimento do ativo, sem necessariamente arcar com toda a volatilidade que caracteriza o Bitcoin.
B3 Week 2026
A B3 Week 2026 acontece entre os dias 14 e 16 de setembro na cidade de São Paulo e reúne representantes do mercado de capitais brasileiro, além de instituições internacionais. Este evento, que reachou sua sétima edição, promove debates sobre economia, tendências globais, questões regulatórias, investimentos, tecnologia e análise de dados.
Fonte: www.estadao.com.br
