Planejamento Financeiro para Aquisição de Imóvel
Ter as chaves de um imóvel em mãos em dez anos representa um planejamento a longo prazo. O sucesso dessa trajetória depende de uma decisão crucial tomada no presente: o valor do aporte mensal que o investidor está disposto a realizar.
Cálculo do Aporte Mensal
Gustavo Moreira, planejador financeiro certificado e especialista em investimentos, elaborou cálculos que determinam o montante necessário a ser guardado mensalmente para comprar um imóvel avaliado em R$ 300 mil. O objetivo é também obter um valor considerável para a entrada de uma compra financiada. Moreira utilizou três diferentes cenários de rentabilidade, que variam de acordo com o perfil do investidor. A seguir, as informações detalhadas:
| Perfil | Rentabilidade estimada ao mês | Investimento mensal | Objetivo | Exemplos de investimentos | Prazo |
|---|---|---|---|---|---|
| Conservador | 0,80% | R$ 1.583 | R$ 300 mil | Tesouro Direto, CDBs de bancos sólidos, LCIs e LCAs | 10 anos |
| Moderado | 1,20% | R$ 1.219 | R$ 300 mil | Tesouro Direto, CDBs de bancos sólidos, LCIs e LCAs, fundos imobiliários, ações, ETFs, fundos multimercados, entre outros | 10 anos |
| Arrojado | 1,60% | R$ 1.000 | R$ 300 mil | Tesouro Direto, CDBs de bancos sólidos, LCIs e LCAs, fundos imobiliários, ações, ETFs, fundos multimercados, entre outros | 10 anos |
É fundamental salientar que os valores apresentados são apenas simulações, baseadas em rentabilidades hipotéticas que não levam em consideração taxas, impostos ou a inflação no período. Esses fatores impactarão o resultado final.
Além disso, as taxas de rendimento foram estimadas para fins de ilustração. Os investimentos de renda fixa podem ser afetados por variações nas taxas de juros, enquanto ativos de maior risco podem passar por oscilações. Assim, o montante final pode aumentar ou diminuir, de acordo com as condições do mercado.
Perfis de Investimento
Para determinar o esforço financeiro necessário, o especialista Gustavo Moreira utilizou a média da taxa básica de juros ao longo de 10 anos, especificamente no período entre 2014 e 2024. Para uma melhor compreensão, o cálculo foi baseado em uma taxa aproximada de 10% ao ano, correspondendo a cerca de 0,80% ao mês para o investidor conservador. Para o investidor com perfil arrojado, foi considerado o retorno aproximado do Ibovespa nesse mesmo período. O perfil moderado ficou com um retorno intermediário entre os dois extremos.
Embora o perfil arrojado permita uma economia de cerca de R$ 600 mensais em comparação ao conservador para alcançar o mesmo objetivo, é importante destacar uma ressalva significativa: não há garantias de que os perfis moderados e arrojados mantenham esse desempenho. Aqueles que adotam esses tipos de estratégia estão mais expostos a riscos e podem enfrentar períodos de queda, resultando em um montante inferior ao desejado, podendo até mesmo acarretar perdas.
No perfil conservador, o retorno não é necessariamente fixo e pode variar de acordo com as escolhas dos ativos por cada investidor. Ademais, oscilações na taxa Selic e na inflação influenciam os retornos. Cabe ressaltar que, desde que mantidos até a data de vencimento, os títulos nunca causarão perdas, embora haja a incidência de impostos sobre os rendimentos de alguns investimentos.
Características dos Perfis de Investimento
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Perfil Conservador: O foco é a preservação do patrimônio e a previsibilidade. O investidor busca aplicações seguras, como títulos do Tesouro Direto, CDBs de instituições financeiras sólidas, Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
- Perfis Moderado e Arrojado: Esses perfis incluem em suas estratégias investimentos mais arriscados, como fundos imobiliários, ações, ETFs e fundos multimercados. A diferença entre eles está na proporção de ativa mais arriscados que cada um decide alocar.
Segurança nos Investimentos
Para investidores que buscam adquirir um imóvel, a segurança deve ser uma prioridade em suas decisões financeiras, de acordo com Gustavo Moreira. Segundo ele, “títulos de renda fixa, como Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e CDBs de bancos sólidos, são alternativas que cumprem bem o papel de proporcionar segurança e clareza de retorno ao investidor”.
Simultaneamente, Moreira sugere que “destinar uma parte do capital a investimentos mais arrojados, como fundos multimercados ou renda variável, pode acelerar a formação do patrimônio ao longo do tempo, desde que essa exposição esteja em sintonia com o perfil de risco e o prazo fixado para o objetivo”.
Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir.
Fonte: borainvestir.b3.com.br