Deflação e Expectativas de Corte na Selic
Queda do IPCA-15
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma queda de 0,40% em agosto. Esse resultado pode ser atribuído, em parte, a um bônus na conta de luz proveniente da usina de Itaipu.
Previsões do Bank of America
O Bank of America (BofA) atualizou suas projeções, o que inclui um ciclo de afrouxamento monetário mais significativo no Brasil até 2027. O banco prevê cortes de 25 pontos-base nas taxas de juros em todas as reuniões do Banco Central, até o final de dezembro de 2027. Esse cenário é sustentado por dados que indicam uma atividade econômica mais fraca, leituras de inflação relativamente benignas e uma desaceleração no crescimento do crédito.
As expectativas favorecem uma maior exposição a empresas sensíveis a juros, que têm potencial para se beneficiar durante esse ciclo de queda. O BofA menciona um interesse especial em “bond proxies”, que são ações de companhias que tendem a se comportar de maneira semelhante a títulos de renda fixa, apresentando menor risco em termos de lucro.
Utilities com Perspectiva Favorável
Empresas de Serviços Públicos
No segmento de utilities, os analistas Rogerio Araujo, Gustavo Faria, Victor Tapia, David Beker, Paula Andrea Soto e Natacha Perez destacam a companhia Equatorial (EQTL3) como a preferida para um cenário de “risk-on” no Brasil. A Equatorial combina uma duração de fluxo de caixa de aproximadamente 12 anos com uma taxa interna de retorno real em torno de 12%. A empresa também apresenta opções relacionadas a fusões e aquisições no setor de distribuição de energia, além de melhorias regulatórias esperadas.
O BofA observa que a Equatorial é a utilidade com a maior sensibilidade às taxas de juros de curto prazo.
Outras Empresas em Utilities
Além da Equatorial, a Axia (AXIA3) é vista como um bom investimento tanto em um contexto “risk-on” quanto defensivo. Os analistas ressaltam que a Axia possui o maior beta em sua cobertura, uma duração de fluxo de caixa curta (cerca de oito anos) e o maior dividend yield, que varia de 11% a 15% nas estimativas para 2026 e 2027. A visão otimista sobre os preços de energia permanece.
Para investidores mais cautelosos, o BofA sugere a Isa Energia (ISAE4) como a principal escolha defensiva. A empresa deve apresentar uma taxa interna de retorno real em torno de 10% e um potencial de valorização acima de 15% se o passivo de pensão for resolvido, algo considerado provável para 2027.
Transportes: Melhores Perspectivas
No setor de transportes, o BofA expressa uma preferência pela Motiva (MOTV3) e pela Ecorodovias (ECOR3) em comparação com a Rumo (RAIL3), alegando que rodovias pedagiadas oferecem uma relação de risco-retorno superior.
A Motiva é descrita como uma opção defensiva que negocia a um valuation considerado atraente, apresentando uma taxa interna de retorno real de cerca de 11%. Possíveis catalisadores incluem aditivos contratuais e discussões pendentes sobre reequilíbrio nos próximos meses.
A Ecorodovias, por sua vez, mostra um valuation mais promissor entre as “bond proxies”, com uma taxa interna de retorno real em torno de 17%. Há um potencial de desempenho superior se os cortes de juros forem mais profundos ou ocorrerem de forma mais rápida do que o esperado. O potencial da Rumo, que apresenta uma taxa interna de retorno real de 9,7%, está vinculado a uma recuperação do ciclo de grãos, cujo momento ainda não é certo.
Shoppings: Previsibilidade e Cautela Necessária
No segmento de shoppings, o BofA aponta que as taxas internas de retorno continuam pouco atraentes em comparação com outras “bond proxies”, embora o setor ainda ofereça maior previsibilidade em seus resultados financeiros.
O banco também recomenda uma postura cautelosa em relação aos resultados recentes, que demonstraram um desempenho financeiro saudável, mas apresentaram tendências operacionais fracas, com escasso espaço para uma nova reprecificação significativa dos operadores de shoppings no Brasil. Mesmo com esses desafios, a Allos (ALOS3) permanece como a principal escolha do BofA, sendo vista como a opção de risco-retorno mais atraente do setor.
Telecomunicações: Desafios com Valuations Elevados
No setor de telecomunicações, o BofA adota uma postura cautelosa em relação às ações da Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3), apesar da recente correção nos preços. O banco argumenta que os valuations continuam elevados.
A análise aponta que níveis próximos a quatro vezes o múltiplo EV/Ebitda podem representar um piso para investidores internacionais, que costumam usar como referência múltiplos EV/Ebitda de telecomunicações em nível global. Isso poderia fomentar uma recuperação em relação ao trimestre anterior, caso o ambiente competitivo, ainda considerado intenso, se torne mais favorável nos próximos meses.
Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast.
Fonte: www.estadao.com.br
