Investigação sobre o Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi designado para relatar as investigações referentes ao Banco Master. Ele assume essa responsabilidade após a renúncia de Dias Toffoli da função.
Indicação e Experiência
André Mendonça foi indicado ao cargo de ministro por Jair Bolsonaro, que o descreveu como “terrivelmente evangélico”. Antes de integrar o STF, Mendonça ocupou os cargos de ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União.
Mudança na Relatoria
A decisão de Dias Toffoli em se desligar da relatoria das investigações sobre as fraudes relacionadas ao Banco Master foi comunicada pelo STF após uma reunião entre os dez ministros da Corte. Essa mudança de relatoria se deu em um contexto de contínuas apurações sobre a instituição financeira.
Formação e Carreira
Mendonça é um evangélico que pertence a uma denominação considerada mais progressista em comparação a outras tradições religiosas. Ele foi caracterizado, por fontes consultadas pelo Estadão, como “técnico idealista” ao assumir a Advocacia Geral da União (AGU) em julho de 2019.
Nascido em Santos, São Paulo, Mendonça é torcedor do time local e cresceu em uma família religiosa, vivendo em diversas cidades do estado, incluindo Miracatu, onde reside a família presidencial. Seu pai trabalhou no Banespa, e Mendonça é casado e pai de dois filhos.
Experiência Profissional
Antes de seu ingresso na AGU por meio de concurso, André Mendonça atuou como advogado na Petrobras Distribuidora de 1997 a 2000. Ele possui formação em Direito em Bauru, São Paulo, e em Teologia em Londrina, Paraná. Além disso, possui pós-graduação em Direito Público pela Universidade de Brasília (UnB) e desenvolveu mestrado e doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha.
Na AGU, Mendonça ocupou cargos importantes, como corregedor-geral, adjunto do Procurador-Geral da União e diretor do Departamento de Patrimônio e Probidade, a convite do ministro Dias Toffoli.
Atuação na Controladoria Geral da União
Na Controladoria Geral da União (CGU), ele assessora o ministro Wagner Rosário, com foco em acordos de leniência, uma área que Mendonça é reconhecido como entusiasta. Sua atuação incluiu casos relacionados à Operação Lava Jato, que geraram algumas controvérsias. Um dos incidentes destacados foi quando Mendonça deixou de se comunicar com uma colega e se recusou a participar de reuniões nas quais ela estivesse presente. Uma auditora envolvida relatou que essa postura era frequentemente vista como “autoritária e até infantil”.
Quando questionado sobre essas divergências, Mendonça comentou que "pode ter havido diferenças de opiniões em certas análises técnicas" e reforçou que, de sua parte, “nada além disso” ocorreu.
Relacionamento com a Política
Mendonça não fez campanha explícita em apoio a Bolsonaro durante as eleições de 2018. Em sua presença nas redes sociais, ele demonstrou interesse pela candidatura de Marina Silva, quem representava a Rede Sustentabilidade naquele período.
Em 2002, antes de sua função atual, o ministro publicou um artigo na Folha de Londrina manifestando apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, à época, destacando a significativa importância de sua eleição ao escrever que “temos o primeiro presidente eleito do povo e pelo povo”.
Instituto Iter
O Instituto Iter, fundado por André Mendonça, arrecadou no mínimo R$ 4,8 milhões, sendo que a maior parte dos recursos provém de contratos celebrados com instituições públicas entre maio de 2023 e outubro do mesmo ano.
Mendonça se tornou a principal figura do instituto, sendo presente em seus materiais publicitários e se destacando como sua principal atração. A notoriedade de seu nome é um fator essencial para a obtenção de contratos, e o próprio Mendonça declara que o Iter se propõe, além de oferecer cursos, a ser um espaço neutro para discussões entre autoridades, longe das influências políticas de Brasília.
O Iter foi constituído como uma empresa de sociedade limitada em novembro de 2023, época em que Mendonça já atuava no STF. As operações do instituto começaram em 2024, e no mesmo ano, ele foi transformado em uma sociedade anônima de capital fechado.
Em uma nota oficial enviada pelo Instituto Iter, Mendonça esclareceu que sua atividade no instituto é estritamente educacional e que está em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). Ele acredita que suas funções acadêmicas são compatíveis com seu papel no Supremo Tribunal Federal.
Fonte: www.moneytimes.com.br