Raízen (RAIZ4) valoriza ações na B3 com progressos nas negociações da dívida, dois meses após o pedido de recuperação extrajudicial; entenda o caso.

Raízen (RAIZ4) valoriza ações na B3 com progressos nas negociações da dívida, dois meses após o pedido de recuperação extrajudicial; entenda o caso.

by Beatriz Fontes
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Desempenho das Ações da Raízen

Na manhã desta terça-feira, dia 12 de setembro, as ações da Raízen (RAIZ4) apresentavam uma alta de 2,17% por volta das 11h23. Este desempenho se destaca em um momento em que o Ibovespa, principal índice da B3, operava em queda de quase 1%.

A valorização das ações da Raízen ocorre após informações divulgadas pela Reuters, que indicam um progresso nas negociações entre credores e acionistas da companhia. O objetivo dessas discussões é evitar um processo de recuperação judicial, focando na reestruturação da governança da empresa.

Esses desenvolvimentos acontecem cerca de dois meses após a Raízen ter protocolado um pedido de recuperação extrajudicial, em 11 de março. Neste período, a companhia passou por uma série de negociações e especulações acerca dos passos futuros da joint venture formada entre Shell e Cosan (CSAN3).

Relembre a ‘Novela’ Raízen

A Raízen fez sua estreia na bolsa durante um período marcado por um grande número de ofertas públicas iniciais (IPOs) em 2021. Na ocasião, a empresa foi avaliada em R$ 76 bilhões e trouxe a promessa de revolução no setor de combustíveis verdes, tendo o etanol de segunda geração (E2G) como carro-chefe.

Entretanto, essa proposta encontrou obstáculos significativos ao longo do tempo. O apetite global por investimentos em projetos ESG (ambientais, sociais e de governança) arrefeceu, a alternativa do etanol de milho se mostrou mais barata e escalável, e a pressão nos preços do açúcar e do etanol complicou ainda mais a situação.

Após quase cinco anos desde o seu IPO em 5 de agosto de 2021, a joint venture de Cosan e Shell viu seu valor de mercado desmoronar em 93,52% até 11h13 do dia 12 de maio. A ação passou a ser negociada como uma penny stock, com valores em torno de R$ 0,47. Ao mesmo tempo, a companhia acumulou uma dívida bilionária devido a um ciclo agressivo de aquisições e expansão de ativos.

Em uma tentativa de reverter essa trajetória negativa, a Raízen iniciou, no final de 2024, um processo de reestruturação que visa a diminuição de sua alavancagem. Como parte dessa estratégia, houve uma troca significativa na alta administração, com a entrada de Nelson Gomes no cargo de CEO, tendo experiência prévia em empresas como ExxonMobil, Cosan, Compass, Comgás e Moove.

Até fevereiro de 2026, a companhia havia levantado aproximadamente US$ 5 bilhões através de iniciativas de desinvestimento, que incluíam a venda de usinas e outros ativos estratégicos.

No entanto, no terceiro trimestre da safra 2025/2026, a empresa enfrentou mais um revés ao reportar um prejuízo de R$ 15,65 bilhões. A dívida líquida aumentou de R$ 38,6 bilhões no terceiro trimestre de 2025 para R$ 55,3 bilhões no terceiro trimestre de 2026. A relação entre dívida líquida e Ebitda também se deteriorou, passando de 3 vezes para 5,3 vezes nesse mesmo período.

Em meio a essa deterioração no perfil de crédito e sucessivas reduções de rating pelas agências Fitch Ratings, S&P Global Ratings e Moody’s, a Raízen declarou um impairment de R$ 11,1 bilhões. Este contexto gerou rumores e negociações entre Cosan e Shell, que se arrastaram por semanas. Consequentemente, em 11 de março, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, com o objetivo de suspender, por 90 dias, o pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões.

Essa ação resultou na exclusão da empresa do Ibovespa e de outros índices da Bolsa Brasileira.

Propostas de Reestruturação

O início do processo de recuperação extrajudicial abriu espaço para uma série de propostas e discussões em torno da reestruturação financeira da Raízen.

Em 6 de abril, o Valor Econômico publicou que credores haviam rejeitado uma proposta que visava converter 45% da dívida — aproximadamente R$ 29 bilhões — em ações. Tal mecanismo poderia possibilitar cerca de R$ 10 bilhões em vendas de ativos.

De acordo com a mesma publicação, alguns credores enviaram uma carta aos acionistas Cosan e Shell, solicitando um reequilíbrio na proposta de reestruturação.

Uma semana depois, em 14 de abril, credores e detentores de títulos da Raízen apresentaram uma contraproposta que contemplava a conversão de 45% da dívida em troca de 90% de participação na empresa, conforme informado pela Bloomberg News. Essa operação caracterizaria um “debt-to-equity swap”, onde dívidas seriam convertidas em participação acionária, o que significaria alívio financeiro para a Raízen, mas também resultaria na perda de controle da companhia pelos acionistas atuais.

Em 20 de abril, a Bloomberg noticiou que bancos credores haviam apresentado uma nova proposta de reestruturação. Essa proposta previa que 30% dos recursos provenientes da venda de ativos da Raízen na Argentina fossem direcionados à redução da dívida acumulada pela empresa.

Entre as exigências dos credores, estava a destituição de Rubens Ometto da presidência do conselho da Raízen — uma solicitação que já havia sido levantada anteriormente pelos detentores de títulos. Enquanto os credores solicitavam um aporte de R$ 8 bilhões, a proposta dos bancos não especificava um valor para a capitalização da empresa.

Após a repercussão das negociações, a Raízen informou à B3 que estava em diálogos com credores e outras partes interessadas para construir uma solução consensual para a reestruturação financeira. Entretanto, reiterou que ainda não havia uma definição clara sobre os próximos passos a serem tomados.

No dia 26 de abril, a Bloomberg News trouxe a informação de que a empresa havia enviado uma proposta alternativa aos credores enquanto tentava negociar os termos da reestruturação das suas dívidas, que totalizam R$ 65 bilhões. Segundo fontes, a Raízen estava buscando captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em novos recursos, somando-se aos R$ 4 bilhões já comprometidos por Shell e Rubens Ometto.

Entretanto, os credores não receberam sinais positivos em relação a possíveis mudanças na administração do conselho. Informações indicaram que Rubens Ometto mostrava resistência em deixar a presidência do colegiado. No dia 28 de abril, um grupo de detentores de títulos de renda fixa da Raízen contratou a consultoria financeira Journey Capital, bem como o escritório Felsberg Advogados, para representá-los durante o processo de reestruturação da empresa, conforme relatado pela Reuters.

Sendo assim, o grupo de credores detém cerca de R$ 14 bilhões em títulos que foram emitidos pela Raízen. A consultoria Journey confirmou a contratação, porém, Felsberg e a Raízen optaram por não comentar sobre o assunto.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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