Banco norte-americano vê melhora tática de curto prazo nos bonds da Raízen
A Raízen S.A. (BOV:RAIZ4) voltou a ser destaque no mercado financeiro na quarta-feira, 4 de fevereiro, após o JPMorgan elevar a recomendação para os títulos de dívida internacional da empresa, conhecidos como bonds RAIZBZ, para Overweight. Este posicionamento ocorre mesmo diante do recente aumento nos spreads, além de rumores sobre uma possível recuperação judicial.
Movimentação nos Títulos
Conforme um relatório divulgado pelo banco norte-americano, os spreads dos títulos da Raízen se abriram entre 50 e 110 pontos-base nos dois dias anteriores à publicação do documento. Os papéis estavam sendo negociados com um YTW (Yield to Worst, ou rendimento ao pior) entre 10% e 10,9%, enquanto o preço médio dos bonds girava em torno de US$ 76.
Esse estresse no mercado de crédito foi impulsionado pela decisão da Cosan (BOV:CSAN3), holding controladora da Raízen, de realizar o resgate antecipado de títulos, o que resultou na eliminação da cláusula de vencimento antecipado cruzado. Para muitos investidores, essa decisão sinalizou um possível enfraquecimento do compromisso da holding com a subsidiária, o que gerou incertezas e pressionou os spreads.
Avaliação do JPMorgan sobre a Recuperação Judicial
Apesar do cenário desafiador, o JPMorgan acredita que uma recuperação judicial não é iminente. A análise da instituição se baseia em três pontos fundamentais: a liquidez confortável da empresa, a continuidade de um plano avançado de venda de ativos e a expectativa de uma melhora no fluxo de caixa livre nos próximos trimestres.
Para ilustrar essa liquidez, o banco aponta que a Raízen deve receber cerca de US$ 755 milhões ao longo de 2026, provenientes de vendas de ativos realizadas no ano anterior, que ainda não haviam sido contabilizadas no último balanço financeiro da empresa. Assim, a liquidez total da companhia é considerada em aproximadamente US$ 5,3 bilhões, incluindo caixa, linhas de crédito disponíveis e recursos a receber.
Desafios Estruturais e Riscos
O JPMorgan também enfatiza que a melhoria na recomendação dos títulos possui uma perspectiva tática e de curto prazo. O banco observa que apenas uma nova injeção de capital poderia enfrentar estruturalmente os desafios relacionados à alavancagem.
Além disso, diversos riscos foram destacados, como resultados financeiros aquém das expectativas, decisões mais arrojadas quanto a investimentos ou repasses de capital aos acionistas, e uma possível queda nos preços das commodities principais da companhia, como açúcar e etanol.
Classificação de Investimento e Necessidades de Capital
Outro ponto cruciale a ser observado é que a atual estrutura financeira da Raízen não é suficiente para suportar um rating de grau de investimento (IG), conforme exigido por agências de classificação. Essas entidades estipulam que a alavancagem líquida deve ser inferior a 2,5 vezes, enquanto a expectativa do JPMorgan aponta que a empresa terminará seu exercício fiscal com uma alavancagem em torno de 4 vezes. Para um ajuste completo na estrutura de capital, o banco estima que seriam necessários cerca de US$ 3 bilhões.
Desempenho no Mercado de Ações
No tocante ao mercado de ações, a resposta foi mais cautelosa. As ações da Raízen (BOV:RAIZ4) estavam em queda na quarta-feira, 4 de fevereiro, sendo negociadas a R$ 0,95, refletindo um recuo de 3,06% em relação ao fechamento anterior. O papel iniciou o dia a R$ 0,98, alcançando uma máxima de R$ 1,01 e uma mínima de R$ 0,95, evidenciando a volatilidade e o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores.
Sobre a Raízen S.A.
A Raízen S.A. (BOV:RAIZ4) é reconhecida como uma das principais empresas do setor de energia e biocombustíveis no Brasil. A companhia possui uma atuação integrada que abrange a produção de açúcar, etanol e bioenergia, além da distribuição de combustíveis sob a marca Shell. No competitivo cenário do agronegócio energético, a Raízen se coloca como um dos players de destaque, competindo com grandes grupos como São Martinho, BP Bunge Bioenergia e Adecoagro.
O relatório elaborado pelo JPMorgan evidencia um alívio pontual para o mercado de crédito da Raízen, embora esclareça que os desafios estruturais que a empresa enfrenta permanecem relevantes. Assim, é fundamental que os investidores mantenham um olhar atento à evolução da alavancagem, às vendas de ativos e à resposta do mercado nas próximas divulgações financeiras.
Fonte: br.-.com