Reag e Banco Master: Entenda os Motivos da Investigação da Polícia Federal sobre a Gestora – Times Brasil

O Banco Central (BC) anunciou, nesta quinta-feira (15), a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM, anteriormente conhecida como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Essa decisão surgiu como consequência direta das investigações associadas ao Banco Master.

A ação foi divulgada após a detecção de violações graves às normas do Sistema Financeiro Nacional, resultando no encerramento das atividades da instituição no mercado financeiro e aprofundando a crise que a colocou sob a análise da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do regulador.

Motivos para a liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial é um dos instrumentos mais rigorosos disponíveis ao Banco Central. Essa medida é aplicada quando o regulador determina que não há possibilidades de recuperação da instituição ou que as irregularidades encontradas são incompatíveis com a continuidade das operações. O BC informou que, no caso da Reag Trust DTVM, foram identificadas graves violações às normas que regem o funcionamento de instituições financeiras e do mercado de capitais.

Embora o Banco Central não tenha detalhado publicamente quais infrações foram investigadas, considerou que a gravidade dos problemas inviabilizava a continuidade das operações da distribuidora dentro do Sistema Financeiro Nacional.

Com essa decisão, a empresa encerra suas atividades. Um liquidante externo responsável assume a condução do processo, e os bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis para impedir qualquer alteração patrimonial enquanto as responsabilidades administrativas, civis e, se necessário, criminais estão sendo apuradas.

Razões para a investigação pela Polícia Federal

A investigação se intensificou a partir da Operação Compliance Zero, que tem como principal alvo o Banco Master. O banco foi liquidado no final do ano passado, acusado de estruturar carteiras fictícias de crédito para inflar artificialmente seu patrimônio.

Neste cenário, a Reag passou a ser considerada um elemento crucial para compreender as operações financeiras. Um foco importante é a relação entre o banco e os fundos administrados pela gestora, especialmente as operações realizadas em abril de 2024, conforme reportado pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Na ocasião, um fundo recém-criado sob gestão da Reag recebeu um investimento de R$ 450 milhões apenas 20 dias após o seu registro.

Dois dias antes, a empresa cotista havia solicitado um empréstimo de valor praticamente idêntico junto ao Banco Master, mesmo com um capital social de pouco mais de R$ 2 milhões.

Fluxo de recursos que levantou suspeitas

Os recursos não permaneceram no fundo que recebeu o aporte e, em um prazo de cerca de uma hora e meia, foram transferidos integralmente para outro fundo sob a mesma gestão e, em questão de minutos, repassados a um terceiro ativo financeiro.

De acordo com as investigações, essa série de transferências rápidas resultou na aquisição e reavaliação de ativos de baixa liquidez, vinculados a papéis do extinto Banco do Estado de Santa Catarina. Após a reprecificação, esses ativos passaram a ser contabilizados com valores bilionários.

Operação Banco Master: PF apreende R$ 5,7 bilhões

O efeito contábil resultante foi uma rentabilidade de aproximadamente 2.300% em um único ano. Para os investigadores, a discrepância entre o retorno registrado e os parâmetros de mercado levantou a suspeita de que esse ganho não representava uma valorização econômica real, mas sim uma distorção de preços gerada por operações em camadas.

Suspeita de um ciclo fechado de recursos

Outro aspecto central da investigação é o destino final dos recursos. As autoridades estão analisando se, após circular pelos fundos administrados pela Reag, os recursos retorceram ao Banco Master através da compra de Certificados de Depósito Bancário, que são o principal instrumento de captação dos bancos.

Se essa informação for confirmada, a dinâmica caracterizaria um ciclo fechado, no qual os recursos saem do banco como crédito, transitam por diversos fundos e retornam à própria instituição como captação.

Envio de informações à PF após operação que investiga o Banco Master

Esse cenário reforça a possibilidade de que essas operações estavam mais relacionadas com a manutenção artificial de resultados e da liquidez do que com investimentos genuínos.

Atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal estão apurando se houve um uso intencional de fundos de investimento para inflar ativos, gerar rentabilidade extraordinária e ocultar a verdadeira situação financeira do Banco Master. As investigações incluem mandados de busca e apreensão em diferentes estados e englobam empresários associados tanto ao banco quanto à gestora.

A Reag também está vinculada a outras investigações, como a Operação Carbono Oculto, que examina suspeitas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e em estruturas financeiras. O Banco Central indicou que pelo menos seis fundos de investimento estão sob análise no contexto dessas apurações.

Quem é a Reag Trust DTVM?

A Reag é um grupo financeiro independente fundado por João Carlos Falbo Mansur e estruturado para atuar em várias áreas do mercado de capitais, como gestão e administração de recursos, distribuição de títulos e valores mobiliários, estruturação de fundos e serviços fiduciários.

Nos últimos dez anos, o grupo recebeu autorizações da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central para operar como gestora, administradora e distribuidora, ampliando sua presença entre investidores institucionais e de alta renda.

A CBSF DTVM, atual Reag Trust, possui sede na região da Faria Lima, em São Paulo, atuando como distribuidora de títulos e valores mobiliários. De acordo com o Banco Central, a empresa se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial, que é reservado a instituições de pequeno porte e sem relevância sistêmica.

No entanto, esse enquadramento não diminui a gravidade das infrações identificadas, segundo o regulador. Para o Banco Central, o impacto potencial não é medido apenas pelo tamanho da instituição, mas também pela transgressão das normas e pelos riscos que representam ao funcionamento regular do mercado.

Implicaçãos a partir da liquidação extrajudicial

Com a liquidação extrajudicial, a Reag Trust DTVM inicia o processo de encerramento definitivo. O liquidante será encarregado de levantar ativos e passivos, apurar obrigações e conduzir o fechamento de acordo com a legislação vigente.

O Banco Central também informou que continuará a aprofundar as investigações e poderá aplicar novas sanções administrativas ou encaminhar informações a outras autoridades. A apuração do relacionamento entre a Reag e o Banco Master segue em andamento e deve resultar em novos desdobramentos nos meses subsequentes.

Fonte: timesbrasil.com.br

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