Previsão de Queda nas Margens da Renault até 2026
O Grupo Renault divulgou na última quinta-feira, 19 de outubro, uma previsão de margens menores para o ano de 2026. Essa expectativa surge após a divulgação de uma queda de 15% no lucro operacional no ano anterior. Esse cenário impactou negativamente o valor de suas ações em um momento de crescente pressão sobre os preços, em grande parte causada pela concorrência de fabricantes chineses e tradicionais no mercado automotivo.
Desempenho das Ações
As ações da Renault apresentaram uma queda de quase 6% durante o pregão, enquanto o mercado analisava os resultados financeiros da empresa, que está sob a liderança do novo CEO, François Provost, desde o verão deste ano.
Aviso de Redução das Margens
Em julho, a Renault já havia sinalizado uma redução das margens de lucro, atribuindo essa deterioração às condições adversas do mercado observadas no segundo trimestre de 2025. O alerta foi especialmente voltado para o setor europeu de vans, onde a Renault mantém uma posição de liderança.
Concorrência e Estratégias
Embora a Renault tenha afirmado que seu segmento de vans deverá se recuperar e retornar ao crescimento em 2026, a forte concorrência no setor de automóveis de passeio tende a persistir. A crescente presença de marcas chinesas na Europa e a estratégia de vendas agressiva adotada pela Stellantis, principal concorrente da Renault, são fatores que preocupam a montadora na recuperação de sua participação no mercado.
François Provost comentou sobre a situação em uma teleconferência com analistas, ressaltando que, ao longo do ano passado, diversos concorrentes pressionaram os preços de maneira significativa. Ele afirmou ainda que essa não é a abordagem escolhida pela Renault. O executivo demonstrou confiança de que a montadora está “preparada para enfrentar” a concorrência chinesa, apoiando-se em uma estrutura de custos reduzidos e um aumento no ritmo de lançamentos de novos modelos, como o Clio 6 e a nova geração do Twingo.
Expectativas para o Futuro
Provost não subestima a intensa pressão exercida pelos concorrentes chineses, mas acredita que a estratégia da Renault e suas receitas permitirão sustentar um crescimento na Europa nos anos seguintes. Em 2025, a montadora registrou um lucro operacional de 3,6 bilhões de euros, um número que está alinhado com as previsões do mercado. As pressões sobre os preços foram responsáveis por uma perda superior a 700 milhões de euros em lucros.
A Renault informou que sua margem operacional consolidada foi de 6,3% no último ano, uma queda em relação ao recorde de 7,6% registrado no ano anterior. A montadora manifestou a intenção de alcançar cerca de 5,5% em margens operacionais até 2026 e de permanecer na faixa entre 5% e 7% no médio prazo.
Crescimento nas Vendas
Apesar das dificuldades enfrentadas, o crescimento em mercados internacionais permitiu à Renault elevar o volume de vendas em 3,2% no ano de 2025, totalizando 2,34 milhões de veículos vendidos, o que resultou em um faturamento de 57,9 bilhões de euros, representando um aumento de 3% em relação ao ano anterior.
A empresa está apostando no modelo SUV Duster como um impulso em seus negócios na Índia, enquanto busca expandir seu alcance na América do Sul, com o objetivo de aumentar as economias de escala e reduzir a dependência do mercado europeu.
Desafios na Rentabilidade
Entretanto, a rentabilidade nos mercados internacionais também apresentou dificuldades, e a Renault seguirá focada na redução de custos variáveis em aproximadamente 400 euros por veículo, conforme declarado pelo diretor financeiro, Duncan Minto, em uma coletiva de imprensa. A montadora já havia alcançado essa meta em 2025.
A Renault reportou um prejuízo líquido anual de 10,9 bilhões de euros, baseado na contabilidade do grupo, sendo esse seu primeiro resultado negativo em cinco anos. Isso se deve, em grande parte, a uma baixa contábil extraordinária de 9,3 bilhões de euros em julho, referente à sua participação na Nissan, sua parceira que enfrenta dificuldades financeiras.
Dividendo e Performance das Ações
O grupo anunciou ainda que pagará um dividendo de 2,20 euros, valor que permanece inalterado em relação ao ano de 2024.
As ações da Renault apresentaram uma queda de 25% ao longo de 2025 e acumulam uma desvalorização de aproximadamente 8% no ano atual, desempenho inferior em comparação com as da Stellantis, cuja queda alcança 30%.
Fonte: www.moneytimes.com.br