Avaliação da S&P Ratings sobre a 3tentos
A agência de classificação de risco S&P Ratings rebaixou a nota de crédito da 3tentos (TTEN3) de “brAA” para “brA+” na escala nacional brasileira, além de alterar a perspectiva do rating de estável para negativa.
Deterioração da rentabilidade e aumento da alavancagem
A decisão reflete fatores como a deterioração da rentabilidade da companhia, um aumento na alavancagem e a piora em sua posição de liquidez.
Certificados de Recebíveis do Agronegócio
Além do rating corporativo, a agência também reduziu a classificação das 1ª, 2ª e 3ª séries da 201ª emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Opea Securitizadora, que estão lastreados em créditos da 3tentos, passando de “brAA (sf)” para “brA+ (sf)”.
Resultados operacionais abaixo das expectativas
Segundo a S&P, os resultados operacionais da empresa estiveram abaixo das expectativas, sendo impactados por margens mais fracas no segmento industrial e por uma contribuição mais lenta das novas capacidades produtivas. A agência revisou sua projeção de EBITDA para 2026, que passou de R$ 1,27 bilhão para R$ 941 milhões.
Na avaliação dos analistas, embora os negócios de grãos e insumos da 3tentos tenham mostrado um crescimento de volume no primeiro semestre, ambos possuem margens inferiores às operações industriais.
Pressões nos segmentos de mercado
Além disso, o segmento foi pressionado pela queda nos preços do farelo de soja e do biodiesel, pelo aumento nos custos logísticos e pela postergação da mistura obrigatória de biodiesel B16, que foi adianta para 2027.
Impacto da nova planta de etanol
A S&P também destaca que a nova planta de etanol de milho iniciou suas operações apenas em meados de junho deste ano, contribuindo de forma limitada para os resultados do semestre, mesmo diante dos investimentos já realizados para sua implantação.
Liquidez preocupa agência
Outro fator decisivo para o rebaixamento da nota foi a deterioração da liquidez da 3tentos. A S&P alterou sua avaliação de liquidez de “suficiente” para “insuficiente”, mencionando os elevados vencimentos de curto prazo, a necessidade de capital de giro, além do volume significativo de investimentos em andamento.
No mês de junho de 2026, a 3tentos possuía aproximadamente R$ 1,4 bilhão em caixa, contra cerca de R$ 1,8 bilhão em dívidas de curto prazo, além de R$ 366,8 milhões relacionados à TentosCap.
Mesmo levando em consideração a monetização de estoques de grãos de alta liquidez, a S&P estima que as fontes de caixa da companhia cobrirão apenas 0,9 vez os usos planejados para os próximos 12 meses.
A agência observa que a empresa depende da conversão de estoques em caixa e da manutenção do acesso ao crédito para gerenciar suas necessidades financeiras.
Embora o relacionamento com os bancos seja sólido e o histórico de acesso ao mercado de capitais seja positivo, a necessidade de refinanciamentos da 3tentos aumentou consideravelmente.
Perspectiva negativa
Adicionalmente, a S&P também modificou a perspectiva da 3tentos para negativa.
De acordo com a agência, essa mudança reflete o risco de um novo rebaixamento nos ratings caso a recuperação operacional e a conversão dos estoques em caixa não atendam às expectativas, ou se a companhia não conseguir fortalecer sua liquidez e reduzir a alavancagem de acordo com o que foi projetado.
No cenário básico da S&P, a dívida ajustada sobre o EBITDA deve se situar em cerca de 2,3 vezes até o fim de 2026, permanecendo entre 2,0 e 2,5 vezes nos anos subsequentes. A expectativa é que o fluxo de caixa operacional livre seja negativo até 2027.
Desempenho na bolsa em queda
A piora no rating acontece em um momento desfavorável para a companhia no mercado de ações.
No acumulado do ano, a ação da 3tentos sofreu uma queda de 30%, com grande parte dessa perda ocorrendo em uma única sessão, quando houve uma reunião fechada entre a administração da 3tentos e o sell side, na qual a empresa revisou suas projeções para baixo.
A partir desse evento, diversas corretoras reduziram suas expectativas para a empresa, que anteriormente era bem vista no agronegócio. Em um relatório recente, por exemplo, o BBA diminuiu o preço-alvo para os papéis de R$ 20 para R$ 19 ao final de 2026.
Apesar disso, os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama afirmam que o desempenho abaixo do esperado no segundo trimestre de 2026 representou apenas um revés temporário, e não uma mudança estrutural na tese de investimento.
Fonte: www.moneytimes.com.br
