Sabesp (SBSP3) avança na universalização, analisa Copasa e elabora estratégias para enfrentar a crise hídrica.

Sabesp e o Cenário de Investimentos para 2026

A Sabesp (SBSP3) inicia o ano de 2026 com um planejamento de investimentos considerável, sendo identificada pelo mercado como uma possível compradora da Copasa (CSMG3). A companhia enfrenta o desafio de navegar um cenário hídrico mais pressionado pela primeira vez sob gestão privada.

Metas de Universalização do Saneamento

Com foco acelerar a universalização do saneamento na cidade de São Paulo, prevista para ser concluída em 2029, a Sabesp caminha para o segundo ano pós-privatização. Em 2025, a empresa atingiu um recorde em termos de investimentos, fortemente impulsionada pelas metas estabelecidas durante o processo de privatização. O Capital Expenditures (Capex) projetado para 2025 foi de aproximadamente R$ 15 bilhões, comparado aos R$ 6,9 bilhões em 2024 e a uma média histórica de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões antes da desestatização. Para o período até 2030, a previsão é de R$ 70 bilhões em investimentos.

Agilidade Impulsionada pela Privatização

“A nossa grande prioridade é universalizar o saneamento, e a privatização nos deu a agilidade necessária para acelerar essa entrega. Desde então, a Sabesp conecta cerca de 2.400 domicílios por dia”, afirma Daniel Szlak, diretor financeiro (CFO) da companhia, em entrevista ao Money Times.

A companhia opera com metas anuais contratuais visando o avanço na universalização. Nos primeiros anos, o foco está na quantidade total de novas ligações de água e esgoto, incluindo áreas informais e rurais. A partir de 2027, o critério passa a ser a cobertura percentual.

Em 2025, as metas estabelecidas para o ano foram cumpridas com um mês de antecedência. Até o final de novembro, foram registradas 645,7 mil novas conexões à rede de água e 762,6 mil à de esgoto, superando as metas de 435,8 mil e 588,4 mil, respectivamente.

Estratégias de Capitalização

O crescimento acelerado dos investimentos ocorre sem que a companhia tenha recebido recursos financeiros do leilão de privatização. Do montante total de R$ 70 bilhões, a expectativa é captar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões por meio de dívidas.

“Só em 2025, a Sabesp já captou cerca de R$ 19 bilhões, mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador. Após 12 anos afastada do mercado internacional, retornamos a emitir dívida no exterior, com um bond nos Estados Unidos”, afirma Szlak.

O CFO acrescenta que a empresa também reestabeleceu relações com organismos multilaterais, como o Banco Mundial, buscando diversificar as fontes de capital, acessando, além do mercado tradicional, bancos de fomento, debêntures e linhas de financiamento como a EcoInvest.

“Hoje, a Sabesp possui rating AAA no Brasil e um nível acima do soberano na escala global. Isso nos confere credibilidade, facilitando o acesso ao capital e a captação em condições mais favoráveis”, diz Szlak. “A companhia entrou nesse ciclo desalavancada, o que traz maior conforto financeiro.”

Parte dos investimentos previstos será financiada pela geração operacional de caixa, a qual, segundo Szlak, será sustentada por melhorias em eficiência. Desde a privatização, a empresa já obteve cerca de 15% de eficiência, principalmente através de tecnologia e digitalização, com a intenção de avançar ainda mais nesse aspecto.

Entre os principais investimentos estão aqueles voltados para telemedição, modernização de sistemas e criação de centros de operações, além de melhorias no atendimento ao cliente.

Entretanto, mesmo com os avanços operacionais, a política de dividendos tende a ser adotada de forma mais conservadora. O CFO declara que a Sabesp prevê reinvestir 75% do lucro em 2025, 50% em 2026 e 2027, e pelo menos 25% em 2028 e 2029.

Perspectivas de Aquisições e Desafios Hídricos

Após a privatização, Szlak menciona que a Sabesp passou a adotar uma postura mais proativa na análise de oportunidades de crescimento por meio de aquisições. Ele afirma: “Como uma companhia de capital aberto, há um dever fiduciário de avaliar ativos relevantes do setor.”

Nesse contexto, a Copasa (CSMG3), que teve sua privatização aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais em dezembro, é considerada um ativo potencialmente estratégico. As expectativas do mercado colocam a Sabesp entre as favoritas para a aquisição.

“A Copasa é de nosso interesse. Vamos fazer a análise, calcular os riscos e, se houver um retorno ajustado ao risco, apresentaremos ao conselho e aos acionistas”, promete. “Entretanto, crescer só faz sentido se não comprometer nosso plano principal, que é a universalização.”

Em outubro de 2024, a Sabesp anunciou sua primeira aquisição após a privatização. A empresa adquiriu a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) por R$ 1,1 bilhão, que é responsável por ativos estratégicos, como as represas Billings e Guarapiranga.

Szlak explica que a operação acelera a integração do sistema hídrico, reduzindo a dependência de obras longas e dispendiosas, além de alinhar-se ao plano de melhoria da qualidade do rio Tietê, visando uma recarga mais consistente dos reservatórios e fortalecendo a resiliência do abastecimento na Grande São Paulo.

No final de dezembro, os reservatórios da região estavam operando com cerca de 26% de sua capacidade, com partes da população enfrentando falta de acesso à água. A Sabesp considera o risco hídrico como um desafio estrutural, amplificado pelo crescimento populacional e pelas alterações climáticas, e não como um evento isolado.

“Nos últimos dez anos, ampliamos a capacidade de reservação em cerca de 11% a 12% e aumentamos as fontes de água em aproximadamente 50%”, afirma Szlak, que defende que os ganhos de eficiência e a vigilância sobre vazamentos também devem contribuir para a solução desse problema no longo prazo. “Não controlamos o clima, mas controlamos os investimentos.”

Fonte: www.moneytimes.com.br

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