Projeção de Crescimento do PIB
O Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para o ano corrente, estabelecendo o novo índice em 2%. Essa atualização foi divulgada no boletim Macrofiscal na terça-feira, dia 22. Na edição anterior, lançada em julho, a estimativa de crescimento era de 2,3%.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren e ex-Secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, destacou que a revisão das projeções era esperada. De acordo com ele, “o governo é sempre um pouco mais lento para incorporar um cenário que o mercado já indica. Isso costuma acontecer sempre.”
Salto observou que os dados referentes à atividade econômica, que incluem o PIB dos trimestres anteriores e o IBC-Br — um indicador de atividade do Banco Central que serve como prévia da economia oficial — sinalizavam uma desaceleração desde meados de 2025. Ele indicou que esse movimento é reflexo de uma política monetária em operação com uma taxa real de juros consideravelmente superior à chamada taxa neutra, o que torna essa política contracionista.
Apesar disso, Salto ponderou que a projeção de 2% ainda poderia ser otimista. “Vai ser preciso acompanhar os setores de atividade, a indústria, os serviços e o agronegócio até o final do ano para avaliar esse desempenho”, declarou.
Além disso, ele acrescentou que o cenário aponta para uma atividade ainda mais fraca em 2027, ano em que as expectativas do mercado se concentrarão na composição do ajuste fiscal que o governo deverá anunciar.
Fatores que Afetam a Convergência da Inflação
Quando foi questionado sobre os motivos pelos quais a inflação não está convergindo rapidamente para a meta, mesmo diante de uma economia em desaceleração, Salto listou diversos fatores que influenciam essa situação.
No contexto internacional, ele ressaltou as mudanças nos preços relativos resultantes do aumento do petróleo, que foram provocadas por choques de oferta negativos associados a conflitos no Oriente Médio. Ademais, a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, posterior à última decisão do Federal Reserve, também é uma variável a ser considerada.
Salto explicou que “quando os juros lá fora ficam mais altos, isso também coloca dificuldades para o Banco Central brasileiro.”
No âmbito doméstico, ele identificou a pressão da demanda advinda dos gastos públicos como um fator relevante. Salto afirmou que o crescimento dos gastos públicos acumulados no ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, se encontra cerca de 5% acima da inflação, “rodando num ritmo acima da economia.”
Entretanto, ele enfatizou que a inflação não está descontrolada e que a alta dos preços acumulada ao longo de quatro anos se apresenta como a menor desde a implementação do Plano Real.
Reajuste do Bolsa Família e seu Impacto Fiscal
No que diz respeito ao reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na semana anterior, Salto analisou a questão sob duas dimensões distintas. Primeiro, do ponto de vista legal, ele afirmou que o reajuste de 15,04% tem como objetivo recompor a inflação e está em conformidade com o artigo 73 da lei eleitoral, o qual permite esse tipo de concessão, desde que restrita à recomposição da perda inflacionária, sem a criação de novos benefícios.
Além disso, Salto considerou que o reajuste é compatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal, já que o governo anunciou remanejamentos de fontes orçamentárias destinadas a cobrir os três meses de benefício que foram reajustados.
Por outro lado, sob a perspectiva fiscal, Salto alertou para os impactos no orçamento. Ele destacou que, neste ano, o efeito será de quase R$ 6 bilhões, especificamente R$ 5,8 bilhões, e para o próximo ano, a estimativa elaborada pela Warren indica um impacto de R$ 23,2 bilhões.
Salto sublinhou que esses valores não podem ser ignorados, especialmente no ano de 2026, quando o governo tem como meta fiscal alcançar um superávit de 0,5% do PIB.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
