OpenAI e as Decisões do Departamento de Defesa
Declaração do CEO
Sam Altman, CEO da OpenAI, comunicou aos funcionários durante uma reunião geral realizada na última terça-feira que a empresa não tem a liberdade de tomar decisões operacionais sobre como sua tecnologia de inteligência artificial é utilizada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Segundo Altman, "talvez você ache que o ataque ao Irã foi bom e a invasão da Venezuela foi ruim", mas destacou que a equipe não pode opinar sobre essas questões.
Anúncio da Parceria com o DoD
Este encontro ocorreu quatro dias após a OpenAI ter anunciado uma nova parceria com o Departamento de Defesa, coincidentemente poucas horas antes de os EUA e Israel iniciarem uma série de ataques contra o Irã. Durante a reunião, Altman informou aos funcionários que o DoD reconhece a expertise técnica da OpenAI e deseja receber sugestões sobre onde os modelos da empresa seriam mais adequados. O Departamento permitirá que a OpenAI desenvolva a proteção que julgar necessária.
No entanto, Altman enfatizou que as decisões operacionais cabem ao secretário Pete Hegseth. Desde a divulgação do acordo com o Pentágono, ele tem enfrentado críticas, inclusive de alguns dos colaboradores da OpenAI, especialmente em razão da decisão da Anthropic, uma alternativa no setor, de ser rotulada como um "risco à cadeia de suprimentos para a segurança nacional". Na mesma linha, o ex-presidente Donald Trump havia instruído todos os órgãos federais dos EUA a "cessar imediatamente" o uso da tecnologia da Anthropic.
O Uso de Tecnologia
Informações revelam que a inteligência artificial da Anthropic foi utilizada nos ataques ao Irã durante o fim de semana e também na captura do deposto líder da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, em janeiro.
Defesa do Contrato
Altman defendeu o contrato da OpenAI por meio de diversas publicações em redes sociais, embora tenha reconhecido que a situação aparentou ser "oportunista e desorganizada" e que a empresa "não deveria ter se apressado para anunciar isso na sexta-feira". Em uma postagem naquele dia, ele afirmou que o DoD "demonstrou um profundo respeito pela segurança e um desejo de cooperar para alcançar o melhor resultado possível."
Situação da Anthropic
A Anthropic foi a primeira empresa a implementar seus modelos na rede classificada do DoD e estava em negociações sobre os termos de seu contrato antes que as conversações fracassassem. A Anthropic buscava garantias de que seus modelos não seriam utilizados para armas totalmente autônomas ou para vigilância em massa sobre cidadãos americanos, enquanto o Departamento de Defesa desejava que a Anthropic concordasse em permitir o uso de seus modelos em todos os casos legais.
No ano anterior, a OpenAI conquistou um contrato de 200 milhões de dólares do DoD, permitindo que a agência começasse a utilizar os modelos da empresa em aplicações não classificadas. O novo acordo permitirá que a empresa implemente seus modelos nas redes classificadas do departamento.
Outras Ações no Setor
A xAI, de Elon Musk, também concordou em implantar seus modelos em casos classificados. Altman afirmou: "Acredito que teremos, esperançosamente, os melhores modelos que encorajarão o governo a estar disposto a trabalhar conosco, mesmo que nossa proteção possa incomodá-los. Porém, haverá pelo menos um outro ator, que suponho ser a xAI, que efetivamente dirá ‘faremos o que você quiser’".
Conflito entre Fundadores
Sam Altman e Elon Musk, cofundadores da OpenAI, estão envolvidos em uma acirrada batalha legal que está marcada para ir a julgamento no próximo mês. Até o momento, a xAI não respondeu a um pedido de comentário sobre a situação.
— CNBC’s Kate Rooney contribuiu para este relatório.
ASSISTA: OpenAI pode lucrar substancialmente com o acordo com o Pentágono, segundo Alex Kantrowitz, do Big Technology.
Fonte: www.cnbc.com