Qual será a próxima grande descoberta científica da inteligência artificial?
A solução do problema do milênio de Navier-Stokes por uma IA acelerou as expectativas. Crédito: Alexandre Chiavegatto Filho
Exposição do Santander à Microsoft
Santander aumentou sua exposição à Microsoft (MSFT34) após uma redução anterior, motivada por incertezas a respeito do impacto da inteligência artificial no setor de software. O banco acredita que a queda no valor das ações foi resultado de preocupações exageradas sobre a possibilidade de a IA ameaçar os negócios da multinacional.
Avaliação das Ações da Microsoft
A avaliação do Santander é de que a desvalorização dos papéis não apresentou uma deterioração equivalente nas expectativas de lucro da Microsoft. O banco considera que a gigante da tecnologia está mais protegida em comparação a outras empresas do setor de software e enxerga a inteligência artificial como um impulso para áreas, como a computação em nuvem.
“Os preços caíram, só que os lucros esperados para frente não”, afirma Lucas Serra, analista de BDRs (recibos de ações no exterior) do Santander.
Reavaliação na Carteira de BDRs
A mudança de perspectiva levou o Santander a reavaliar e aumentar sua participação na Microsoft em sua carteira de BDRs. O banco havia diminuído a participação da empresa de 9% para 6% em meio a incertezas do setor, mas agora elevou a fatia para 7%. Atualmente, a Microsoft se destaca como a principal aposta do banco entre as empresas do segmento de software.
Por outro lado, o Santander não observa o mesmo nível de confiança em algumas empresas que estão mais concentradas nesse segmento. Entre os exemplos citados estão Salesforce, IBM e Adobe, que, de acordo com a avaliação do banco, enfrentam uma maior incerteza acerca do impacto da inteligência artificial em seus modelos de negócios.
Resultados da Salesforce e Percepção do Mercado
Após os resultados divulgados pela Salesforce no final do mês passado, Serra mencionou que o mercado começou a cogitar o impacto da IA sobre empresas de software com um olhar menos pessimista.
“Antes, era comentado sobre a disrupção das empresas de software. Agora, o mercado parece dar o benefício da dúvida, acreditando que as empresas possam incorporar IA ao seu negócio e gerar mais valor ao cliente.”
Lucas Serra, analista de BDRs do Santander
Por que o Santander vê a Microsoft mais protegida da IA
De acordo com o Santander, o risco de disrupção das empresas de software pela inteligência artificial não é uniforme. Especificamente, a Microsoft possui características que a tornam sua operação mais resiliente a esse tipo de ameaça.
A Microsoft mantém uma posição consolidada em sistemas operacionais e softwares amplamente utilizados, como Windows e Office. Segundo a avaliação de Serra, seria bastante desafiador para uma inteligência artificial desenvolver um novo sistema operacional que pudesse rapidamente conquistar uma fatia de mercado comparável à da Microsoft.
Efeito de Rede e Crescimento da Azure
Outro fator que contribui para essa proteção é o conceito conhecido como ‘efeito de rede’: quanto maior o número de usuários utilizando produtos específicos, maior tende a ser a concentração de mercado em torno da plataforma correspondente.
Adicionalmente, a Microsoft possui uma divisão de computação em nuvem, a Azure. Serra destaca que esta divisão está apresentando um crescimento de aproximadamente 40% na comparação anual, com margens financeiras que se aproximam de 40%.
Com isso, para a Microsoft, o Santander acredita que a inteligência artificial poderá ser mais uma oportunidade de crescimento do que uma ameaça real. A evolução da tecnologia propõe um aumento na demanda por infraestrutura de computação em nuvem, beneficiando negócios como o Azure.
“O desenvolvimento da inteligência artificial também favorece o negócio da Microsoft. A empresa não será simplesmente disruptada e desaparecerá do mapa.”
Lucas Serra, analista de BDRs do Santander
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Fonte: www.estadao.com.br
