Desalinhamento nas Cotas de Importação de Carne Bovina na China
O Santander identificou um desalinhamento entre as cotas de importação de carne bovina e a trajetória estrutural da oferta de gado na China. De acordo com os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, o país tem aumentado sua dependência de importações a fim de atender à crescente demanda interna.
Aumento da Dependência por Importações
Os analistas ressaltam que é desafiador conciliar uma oferta doméstica de gado, que está se tornando estruturalmente mais limitada, com a crescente necessidade de importar carne bovina. À medida que se observa uma esperada liquidação do rebanho, pode ocorrer uma produção ainda mais baixa, resultando em uma dependência ainda maior das importações. Isso suscita preocupações sobre a viabilidade das cotas e a possibilidade de aplicação de impostos adicionais no médio prazo.
Apesar das incertezas em torno da alocação de volumes e dos riscos para empresas do setor, como a Minerva Foods (BEEF3), o Santander aponta que a América do Sul e a Austrália são atualmente as únicas regiões com capacidade suficiente para atender ao mercado chinês.
Consumo de Carne Bovina na China
O consumo de carne bovina na China teve um crescimento significativo na última década, o que resultou em um aumento acentuado nas importações do produto, colocando o país entre os principais importadores globais de carne bovina. Entretanto, a carne bovina continua a ser a proteína menos consumida em comparação com outras como a carne suína, com um mercado que é cinco vezes menor, indicando um potencial considerável para um aumento da participação no mercado ao longo do tempo.
Fatores que Impactam a Oferta
No que diz respeito à oferta, o rebanho bovino na China está em declínio, resultado dos elevados níveis de abate de vacas. Esse cenário sugere uma oferta doméstica mais restrita, estimulando uma dependência maior das importações para equilibrar a oferta e a demanda do mercado.
Diferenças de Preços e Necessidade de Importações
A América do Sul apresenta uma competitividade notável no fornecimento global de carne bovina. Em janeiro, o preço do boi no Brasil estava em torno de US$ 4 por quilo, enquanto os preços na Austrália e nos Estados Unidos se aproximavam de US$ 5 por quilo. Esses valores são comparados a um preço médio de importação na China de US$ 5,5 por quilo e a preços médios no atacado em torno de US$ 9 por quilo.
Mesmo com a consideração de tarifas sobre volumes importados que excedem as cotas, esses diferenciais de preços indicam que a China deve continuar a aumentar suas importações para atender à demanda, mesmo após uma possível estabilização nos volumes importados.
Fonte: www.moneytimes.com.br