São Martinho (SMTO3) se destaca no setor de etanol com preços do açúcar em queda.

São Martinho (SMTO3) se destaca no setor de etanol com preços do açúcar em queda.

by Ricardo Almeida
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Situação do Setor de Açúcar

Os preços baixos do açúcar bruto, conforme indicam as cotações na bolsa de Nova York, estão abaixo do custo de produção para uma significativa parte do setor sucroalcooleiro no Brasil. Essa condição deve resultar em uma migração maior do uso de cana-de-açúcar para a produção de etanol. Essa afirmação foi feita por Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de Relações com Investidores da São Martinho (SMTO3).

Preço do Açúcar e do Etanol

No início da negociação dessa terça-feira na bolsa ICE, o primeiro contrato do açúcar oscilou levemente acima de 14 centavos de dólar por libra-peso, alcançando um mínimo que não era registrado há cinco anos. Em uma teleconferência, onde foram apresentados os resultados trimestrais da São Martinho, Vicchiato destacou que o preço equivalente do etanol, variando entre 15 e 15,5 centavos de dólar por libra-peso, favorece uma mudança na alocação da cana para a produção do biocombustível em detrimento da produção de açúcar.

O diretor expressou sua preocupação ao afirmar: “O preço de açúcar de tela é 14, o etanol entre 15 e 15,5, é um preço que não faz o menor sentido.” Ele acrescentou que não considerou nessa análise aspectos relacionados a impostos, já que no açúcar exportado a empresa enfrenta um período prolongado para a recuperação dos créditos tributários.

Mudanças na Produção

Desde setembro, as usinas da São Martinho que têm a capacidade de produzir ambos os produtos estão direcionando 100% de sua produção para etanol. Vicchiato mencionou que, além dos preços, fatores relacionados ao capital de giro também impulsionam o aumento na fabricação do biocombustível.

Expectativas para a Produção

Sobre as expectativas de produção para o próximo ano, Vicchiato indicou que o desempenho estará fortemente vinculado à produtividade agrícola. Ele adiantou que a produção de açúcar da companhia deve ficar entre 1 milhão e 1,3 milhão de toneladas, em comparação com as 1,42 milhão de toneladas projetadas para a safra atual. Em contrapartida, a produção de etanol deve aumentar, estimando-se uma produção entre 1 bilhão e 1,1 bilhão de litros, em comparação aos 914 milhões de litros previstos para a safra atual.

Ajustes na Moagem de Cana

As projeções para a safra atual já contemplam uma revisão para baixo na moagem de cana, que deverá ser ajustada em 600 mil toneladas em relação à orientação anterior, totalizando 22 milhões de toneladas em 2025/26. Segundo Vicchiato, a redução de 2,7% na expectativa de moagem para 2025/26, anunciada recentemente, ocorreu devido a problemas climáticos enfrentados em Goiás e em importantes polos produtores do Estado de São Paulo.

Previsão para a Safra 2025/26

Devido à menor moagem causada pela redução na disponibilidade de cana, a safra 2025/26 das usinas paulistas da São Martinho poderá terminar em 20 de novembro, o que deverá ser uma realidade para a maioria das usinas do setor. Neste final de safra do centro-sul, as usinas devem experimentar uma redução diária na moagem, além de uma mudança no foco de produção para o álcool, conforme adiantou Vicchiato. Ele ainda destacou que, se os preços do açúcar permanecerem neste patamar, não fará sentido iniciar a safra com foco em açúcar.

Desafios e Investimentos

Vicchiato também se referiu à queda nos preços do açúcar no mercado internacional e à desvalorização do câmbio no Brasil, que têm dificultado as fixações para a próxima safra. Ele declarou que a empresa tomará medidas para ajustar os custos de produção, mas reafirmou o compromisso em continuar a investir em projetos de etanol de milho.

Ele ressaltou: “A alavanca que não vou apertar é parar de investir na unidade de etanol de milho, que vai ter retorno super bom… a planta de etanol de milho é uma maneira de ficar mais competitivo daqui a um ano e meio quando ela estiver pronta.”

Por fim, Vicchiato avaliou que, caso os preços do açúcar permaneçam em níveis semelhantes, a próxima safra poderá trazer desafios significativos quanto aos resultados financeiros, e usinas em situação financeira mais crítica poderiam até optar por reduzir a moagem.

Ele concluiu mencionando que, apesar das dificuldades esperadas, a São Martinho poderá enfrentar este ano desafiador e se fortalecerá em 2027, conseguindo assim se recuperar.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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