Selic a 13,75%: especialistas apontam as melhores opções de investimento neste novo contexto de taxa de juros.

Selic a 13,75%: especialistas apontam as melhores opções de investimento neste novo contexto de taxa de juros.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Taxa de Juros e Projeções Futuras

Atualmente, com a Selic estabelecida em 13,75% ao ano, os investidores enfrentam um cenário marcado por uma das taxas de juros mais elevadas do mundo. O ciclo de cortes na taxa ainda não possui um prazo definido para término. Enquanto grande parte do mercado antecipa uma estabilidade da taxa nos patamares atuais até dezembro, alguns economistas e gestores, em um ponto de vista divergente, acreditam na possibilidade de novos cortes já em 2026.

Uma informação importante que poderá influenciar as expectativas é a ata do Copom, que será divulgada na próxima semana. Esse documento trará indícios sobre se o Banco Central contempla a hipótese de mais um corte ou se optará por uma pausa, especialmente para avaliar o impacto da recente alta do petróleo associada a conflitos internacionais, conforme ressalta Gabriel Macarini, advisor sênior da Blue3 Investimentos.

Ante esse contexto, uma das principais indagações dos investidores é se ainda é vantajoso concentrar as aplicações na renda fixa ou se já está na hora de fazer a transição para a renda variável. Além disso, surge a dúvida sobre a viabilidade de investir no mercado brasileiro ou no exterior. O portal consultou especialistas para trazer uma análise mais detalhada sobre o tema.

Brasil ou EUA?

Com a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, surge a questão sobre a conveniência de considerar investimentos fora do país. Breno Falseti, sócio e gestor da Rubik Capital, realiza uma comparação entre as oportunidades. Ele menciona que, no Brasil, a taxa de juros nominal é de 13,75% ao ano, com um juro real superior a 7%. Por outro lado, nos EUA, as taxas nominais giram em torno de 4%. “Mesmo com o potencial de diversificação, o prêmio do Brasil se destaca e representa uma oportunidade”, afirma Falseti.

Macarini, por sua vez, visualiza potenciais oportunidades em ambos os mercados, já que os títulos do Tesouro americano com vencimento em 30 anos alcançaram máximas históricas recentemente.

Luciana Ikedo, especialista em investimentos, acredita que não é adequado obrigar os investidores a escolherem entre investir no Brasil ou nos Estados Unidos. Ela enfatiza que investir no exterior implica em exposição a uma moeda diferente, o que pode ter um impacto positivo ou negativo no retorno em reais.

Rafael Dadoorian, sócio fundador e head de renda fixa da Convexa, adota uma visão semelhante, afirmando que os dois mercados podem coexistir em uma carteira, independentemente das circunstâncias. Ele recorda que a média do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é o principal indicador da renda fixa, nos últimos dez anos, ficou em torno de 10% ao ano. Portanto, enquanto a Selic permanecer em dois dígitos, a renda fixa continuará a ser atraente.

Melhores Oportunidades na Renda Fixa

Na área da renda fixa, os especialistas consultados enfatizam uma preferência pelas aplicações atreladas à inflação. Macarini aponta que os títulos do Tesouro IPCA com vencimentos em 2035, 2040 e 2050 apresentam uma oportunidade considerável, destacando que o nível de taxa atualmente negociado foi raramente observado na história.

Dadoorian complementa que títulos públicos e CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) vinculados ao IPCA continuam a ser bastante atraentes. Ele menciona que muitos desses papéis oferecem um retorno de IPCA +7%. O especialista também considera o Tesouro Selic como uma opção de liquidez imediata ou como uma aplicação para objetivos de muito curto prazo.

Victor Deischl, sócio e gestor de renda fixa da Rubik Capital, recomenda a inclusão de títulos prefixados nas sugestões de alocação. Ele observa que um título do Tesouro Prefixado pode oferecer taxas que variam entre 13,8% e 14,2% ao ano, dependendo do prazo de vencimento. Segundo Deischl, caso o ciclo de cortes de juros persista, aqueles que optarem por fixar essas taxas usufruirão não apenas de altos retornos, mas também de uma valorização significativa dos títulos no mercado.

Contudo, no que tange ao crédito privado, a Rubik adverte para a necessidade de cautela. Com o aumento da inadimplência e a compressão dos spreads, o investidor pode não estar recebendo a devida compensação pelo risco adicional envolvido.

Reserva de Emergência

No que se refere à reserva de emergência, as recomendações dos especialistas permanecem inalteradas. É aconselhado que os investidores mantenham ativos pós-fixados que ofereçam liquidez diária e risco mínimo, independentemente do nível da Selic.

Deischl, por exemplo, considera a reserva de emergência como um “seguro de liquidez”. Ele menciona o Tesouro Selic, fundos DI simples com taxa zero e CDBs de grandes instituições financeiras que oferecem rendimentos próximos de 100% do CDI como boas alternativas.

Luciana Ikedo acrescenta o Tesouro Reserva à lista, ressaltando, entretanto, que neste caso, a rentabilidade deve ser vista como consequência.

Dadoorian também chama atenção para o recente crescimento dos ETFs (fundos de índice) Smart Selic, que apresentam cerca de 90% de alocação em Selic e 10% em Tesouro IPCA 2060. Ele enfatiza que essa combinação favorece uma otimização fiscal, uma vez que o imposto de renda sobre os ganhos de capital é fixo em 15%, enquanto CDBs e Tesouro Selic estão sujeitos à tabela regressiva, que começa em 22,5%.

E a Bolsa de Valores?

Vitor Saccardo, que ocupa a posição de head da mesa de renda variável da Convexa, argumenta que generalizar sobre a atratividade da bolsa de valores não é recomendável. Para ele, essa análise depende do desempenho individual dos setores, das empresas envolvidas e do preço de aquisição das ações.

Ele menciona que investidores estrangeiros injetaram aproximadamente R$ 26,3 bilhões na bolsa apenas no mês de janeiro. Até o dia 15 de setembro, o saldo ainda se mantinha positivo em cerca de R$ 25 bilhões.

Macarini, da Blue3, observa um padrão semelhante, destacando a forte entrada de fluxo de investimento estrangeiro até o mês de março, algumas saídas entre março e agosto, e uma recuperação nas compras na última semana de agosto.

Gregócio Nissel, também sócio e gestor da Rubik Capital, acredita que o investidor estrangeiro deve continuar sendo o principal comprador da bolsa brasileira a curto prazo, enquanto o investidor local deve adotar uma abordagem mais lenta. Nissel aponta que a renovação política é um fator determinante para essa perspectiva.

Setores Atrativos

Face a um cenário de juros restritivos, os especialistas sugerem que os investidores direcionem a atenção para empresas com fluxo de caixa previsível. As áreas recomendadas incluem instituições financeiras, serviços financeiros, utilities (empresas de utilidade pública), setor de energia elétrica e seguradoras.

Nissel, em suas indicações, observa as utilities como energia, transmissão e saneamento, além de mencionar infraestrutura e concessões como ativos que se comportam como títulos longos.

Saccardo também demonstra preferência por empresas do setor de utilities, mas acrescenta que exportadoras e incorporadoras ligadas ao programa Minha Casa Minha Vida representam oportunidades a serem exploradas.

Por outro lado, os setores que demandam maior cautela incluem consumo cíclico, construtoras que apresentam elevado endividamento, varejo discricionário, consumo dependente de crédito e empresas com dívidas significativas.

Saccardo adverte sobre o cuidado necessário com empresas que se encontram excessivamente alavancadas e que possuem dívidas vinculadas ao CDI. No entanto, ele ressalta que essas empresas, principalmente do varejo, podem ser as mais favorecidas no momento em que a curva de juros começar a cair.

“O investidor não deve observar apenas a Selic atual. O mercado já começa a precificar o futuro”, defende Saccardo. Ele refere-se às projeções do último boletim Focus, que indicam uma Selic próxima de 12% ao final de 2027, e salienta que parte desse movimento poderá já estar refletida nos preços das ações antes mesmo que a taxa atinja efetivamente esse valor.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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