Avaliando a Situação do Mercado: Ibovespa e Dólar em Alta Leve
Com a recentemente anunciada decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14% para 13,74% ao ano, os mercados já assimilam essa mudança. Os investidores tentam prever o comportamento do Ibovespa durante o pregão desta quinta-feira, dia 17.
Desempenho do Índice EWZ
No mercado externo, o índice EWZ, que replica o desempenho do índice MSCI Brasil, contendo as principais ações da bolsa brasileira, apresentou uma alta de 1,39%, alcançando o valor de US$ 38 por volta das 19h, conforme o horário de Brasília. Vale ressaltar que, durante o pregão regular anterior, o índice havia encerrado em queda de 0,79%, cotado a US$ 37,46.
Com base nessa “prévia” do EWZ, espera-se que o Ibovespa (IBOV) reaja de forma contida à decisão do Copom. Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, aponta que o desempenho do índice ainda estará sob influência do cenário externo.
Essa opinião é corroborada por Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, que acredita que a Bolsa pode abrir em alta em decorrência do fato de que o Banco Central não se mostrou resistente a novos cortes na Selic durante as próximas reuniões.
Desempenho da Bolsa Brasileira
No fechamento da quarta-feira, dia 16, o principal índice da bolsa brasileira apresentou uma queda de 0,51%, estabelecendo-se em 185.547,66 pontos.
O Comportamento dos Juros Futuros
A equipe de estratégia da Warren Rena preveem um movimento moderado na curva dos juros futuros. Os estrategistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró afirmam que não esperam reações significativas no mercado de juros resultantes da nova decisão do Copom.
Os profissionais ressaltaram que a decisão do Copom estava em conformidade com o que o mercado já havia precificado, apresentando apenas mudanças sutis na comunicação da instituição.
Antes do comunicado do Copom, a curva já indicava a expectativa de um corte de 13 pontos-base na Selic durante a próxima reunião, marcada para novembro. Na quarta-feira, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, considerada de curtíssimo prazo, permaneceu praticamente inalterada, encerrando a 13,580%, leve aumento em relação aos 13,579% do fechamento anterior. Em contraste, a taxa de DI para janeiro de 2036, uma referência de longo prazo, fechou o dia a 14,190%, em comparação aos 13,375% do fechamento do dia anterior, resultando em uma queda de quase 19 pontos-base.
Análise do Dólar
No fechamento da quarta-feira, o dólar à vista (USDBRL) foi cotado a R$ 5,1514, registrando uma leve desvalorização de 0,07%, um movimento que contrasta com a trajetória do índice DXY.
Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, sugere que o real pode continuar apresentando um desempenho negativo, à medida que os investidores processem a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) de aumentar os juros para a faixa de 3,75% a 4,00%.
Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, observa que a combinação de redução das taxas de juros no Brasil e o aumento das taxas nos Estados Unidos reduz o diferencial entre os dois mercados. Segundo Mendes, essa situação pode tornar o carry brasileiro menos atrativo, criando pressão adicional sobre o real, especialmente em períodos de aversão ao risco global, quando há maior demanda por dólares e pelos Títulos do Tesouro Americano (Treasuries).
Revisão das Taxas de Juros no Brasil e nos Estados Unidos
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, alterando-a de 14% para 13,75% ao ano, sendo esta a quinta flexibilização consecutiva da taxa e novamente com uma decisão unânime entre os integrantes do colegiado. Essa medida estava em linha com as expectativas do mercado.
O comunicado do Copom indicou: “O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 13,75% a.a., e acredita que essa decisão está alinhada à estratégia de convergência da inflação em direção à meta ao longo do tempo relevante.” Além disso, o colegiado não trouxe novidades substanciais em relação ao comunicado anterior de agosto.
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve elevou as taxas em 25 pontos-base, sendo esta a primeira alta desde julho de 2023, levando as taxas para a faixa de 3,75% a 4,00%.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, adotou um tom rigoroso, afirmando que a “inflação ainda está muito alta e essa situação persiste há um longo período”. Warsh declarou que os índices de inflação observados neste verão não indicam melhorias significativas nas tendências subjacentes.
Após as declarações de Warsh, o mercado começou a consolidar expectativas de uma nova elevação nas taxas até dezembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, registrava 50,9% de probabilidade de um novo aumento nas taxas na reunião de outubro, em comparação a 49% que sinalizavam pela manutenção da faixa atual. Para a próxima decisão, prevista para dezembro, a expectativa predominante é de uma alta, com 87,7% de probabilidade garantida de um ajuste de, pelo menos, 25 pontos-base.
Fonte: www.moneytimes.com.br
