Selic a 15% aperta o cerco para empresas e aumenta a inadimplência, afirma CEO do Inter.

A taxa básica de juros no Brasil, atualmente fixada em 15%, está gerando uma forte pressão sobre as empresas, elevando também o risco de inadimplência dentro do sistema financeiro, conforme declarado por Alexandre Riccio, CEO do Inter no Brasil.

Em uma entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo discutiu os efeitos da atual política monetária, além de detalhar como a instituição está se preparando para enfrentar os próximos meses.

Riccio destacou que o banco compartilha da perspectiva do Banco Central em relação à trajetória das taxas de juros, antecipando cortes a partir da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e projetando uma taxa de cerca de 12,5% até o final do ano.

No entanto, ele alertou que a manutenção de juros elevados por um período prolongado já começa a provocar impactos negativos nas operações do setor empresarial.

Estratégia contra inadimplência

Para lidar com esse cenário desafiador, o Inter adota uma abordagem considerada mais conservadora em suas práticas financeiras.

“Temos uma carteira que é formada por dois terços colateralizados e um terço não colateralizados, o que torna essa carteira mais resiliente”, explicou Riccio. De acordo com ele, essa estrutura permite que o banco seja menos impactado pelos ciclos de inadimplência que afetam o mercado.

A porção não colateralizada da carteira, que é composta principalmente por cartões de crédito, recebe atenção especial através de diversas iniciativas de cobrança direcionadas.

Embora o banco tenha registrado um leve aumento nos indicadores de atrasos superiores a 90 dias no último trimestre, o CEO demonstrou confiança na capacidade da instituição para administrar os riscos associados a essas ocorrências.

Crescimento sustentável

Quando questionado sobre a possibilidade de reduzir o ritmo de crescimento para preservar a qualidade da carteira, Riccio foi enfático: “Não consideramos o nosso crescimento como uma causa de inadimplência”.

Ele explicou que a expansão do banco não se baseia em um aumento do apetite por riscos, mas sim em uma abordagem mais seletiva na aprovação de crédito.

“Temos uma estratégia que é mais seletiva. O que isso implica na prática? Um percentual reduzido de aprovação de novos clientes para os produtos de crédito”, detalhou o executivo. Segundo ele, essa abordagem possibilita um controle mais eficaz da inadimplência, mesmo diante de um cenário de crescimento.

Riccio também enfatizou que o modelo de negócios do Inter é fundamentado em uma equação que leva em consideração a receita gerada pelo crédito, o custo de captação e a inadimplência, visando alcançar a rentabilidade desejada.

Nos últimos 12 trimestres consecutivos, o banco conseguiu aumentar sua margem financeira após o custo de risco em aproximadamente 0,2% a 0,3% a cada trimestre, evidenciando um crescimento sustentável em meio a um ambiente desafiador.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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