Resultados da Shell e Desempenho Financeiro
A estação de combustíveis Shell localiza-se na 106 Old Brompton Road, na Royal Borough de Kensington e Chelsea, em Londres, na Inglaterra. No dia 25 de dezembro de 2025, a empresa britânica Shell reportou os seus menores lucros trimestrais em quase cinco anos, em um contexto de preços mais baixos do petróleo e ajustes fiscais desfavoráveis no quarto trimestre.
A Shell registrou ganhos ajustados de 3,26 bilhões de dólares para o trimestre, ficando abaixo das expectativas dos analistas que era de 3,53 bilhões de dólares, segundo um consenso compilado pela LSEG. Uma previsão separada fornecida pela própria empresa havia estimado um lucro esperado para o quarto trimestre em 3,51 bilhões de dólares.
Esse resultado representa o menor ganho trimestral da Shell desde o primeiro trimestre de 2021, quando os ganhos ajustados foram de 3,2 bilhões de dólares.
No total do ano de 2025, a Shell reportou ganhos ajustados mais fracos do que o esperado, totalizando 18,5 bilhões de dólares, em comparação com um lucro anual de 23,72 bilhões de dólares no ano anterior.
O CEO da Shell, Wael Sawan, afirmou durante uma entrevista ao programa “Squawk Box Europe” da CNBC, que, apesar dos resultados, a empresa teve um trimestre operacional forte. “Vários fatores nos afetaram neste trimestre. O principal foi alguns ajustes fiscais que tiveram um impacto negativo sobre nós. O setor químico realmente apresentou desempenho fraco, mas eu destacaria a força dos nossos negócios de gás integrado, upstream e marketing,” comentou Sawan.
Dividendo e Programa de Recompra de Ações
A empresa anunciou um aumento de 4% em seu dividendo, que agora é de 0,372 dólares por ação, além de um programa de recompra de ações no valor de 3,5 bilhões de dólares. Esta ação marca o 17º trimestre consecutivo com aquisição de ações acima de 3 bilhões de dólares.
No final do ano passado, a dívida líquida foi de 45,7 bilhões de dólares, refletindo um endividamento de 20,7%. Este valor representa um aumento em comparação à dívida líquida de 41,2 bilhões de dólares e um endividamento de 18,8% no final do terceiro trimestre.
As ações da Shell, listadas em Londres, registraram queda de 1,8% durante as negociações matinais. Até o momento, o papel já teve uma alta de cerca de 3,6% neste ano.
Desafios do Setor de Energia
Os resultados da Shell ocorrem em um momento em que a queda dos preços do petróleo força os grandes produtores de energia europeus a enfrentar decisões difíceis. Um ambiente de mercado desafiador, aliado às expectativas de uma temporada de lucros fraca, já havia gerado preocupações em relação aos pagamentos aos acionistas do setor.
A Equinor, empresa de energia estatal da Noruega, foi uma das primeiras a adotar medidas drásticas nesse sentido. A companhia anunciou cortes significativos em seu programa de recompra de ações na última quarta-feira, após reportar uma queda de 22% nos lucros do quarto trimestre. A Equinor comunicou que iria reduzir os seus programas de recompra de ações para 1,5 bilhões de dólares neste ano, em comparação aos 5 bilhões de dólares do ano passado. Além disso, a empresa também irá diminuir os investimentos em projetos de energia renovável e de baixo carbono.
Perspectivas de Melhoria e Inovação
O CEO da Shell, Sawan, mencionou que quando assumiu o cargo há cerca de três anos, seu objetivo era impulsionar a cultura de desempenho dentro da empresa. “Agora, ao olhar para o futuro, ainda vemos muitas oportunidades para melhorar nosso desempenho,” afirmou Sawan, citando a implementação de inteligência artificial e melhorias na cadeia de suprimentos como áreas de foco.
Ele também ressaltou que existem oportunidades para aumentar os retornos. “Nesta próxima fase, você verá que continuaremos a ser consistentes no retorno de capital e que continuaremos a buscar melhorias em nosso retorno sobre o capital,” acrescentou Sawan.
A BP, do Reino Unido, e a TotalEnergies, da França, estão programadas para reportar os seus resultados do quarto trimestre na próxima semana.
Fonte: www.cnbc.com