Um super El Niño a caminho? Veja quais são os riscos para o Brasil, segundo especialistas
Expectativas de Clima para o Segundo Semestre
As previsões indicam a possibilidade de temperaturas extremas e um aumento significativo nas chuvas no Brasil durante o segundo semestre do ano. Essa expectativa está sendo acompanhada de perto por especialistas, que alertam sobre os impactos que um possível fenômeno climático, conhecido como super El Niño, pode trazer para o país.
Análise do Setor Agrícola
O Bank of America (BofA) revisou suas recomendações para a SLC Agrícola, alterando a classificação de “venda” para “neutra”. A mudança se baseia em um cenário mais otimista para o setor agrícola brasileiro até 2027. De acordo com os analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo, a alta nos preços das commodities, especificamente dos grãos, impulsionada por fatores como conflitos e condições climáticas desfavoráveis, deve beneficiar a SLC, mesmo com as incertezas relacionadas ao câmbio.
Desafios a Curto Prazo
Apesar das projeções favoráveis, existem desafios que a SLC precisará enfrentar no curto prazo, incluindo o aumento nos custos de produção e as restrições de preço que podem impactar seu desempenho financeiro. A dívida líquida da empresa deve aumentar devido a aquisições de terras, o que poderá afetar o fluxo de caixa livre da companhia.
Mudança na Recomendação do BofA
De acordo com o BofA, o setor agrícola brasileiro está saindo de um período caracterizado por preços baixos e altos custos, o que justificou a alteração na recomendação da SLC Agrícola. A instituição acredita que um ciclo mais favorável para os preços dos grãos pode sustentar bons resultados até 2027.
Variação dos Preços dos Grãos
As analistas mencionam que os preços dos grãos apresentaram uma alta superior a 20% nos últimos dois meses, e mais de 30% ao longo do ano. Esse aumento é atribuído a diversas guerras em curso, condições climáticas adversas nos Estados Unidos, severo estresse nas safras na Europa, bem como ao fortalecimento do fenômeno El Niño e mudanças nas posições de comércio registradas pela CFTC (Commodity Futures Trading Commission), a agência que regula o mercado de derivativos nos EUA.
Expectativas de Manutenção de Preços Elevados
O BofA prevê que as disrupções ainda em andamento resultarão na manutenção de altos preços para os grãos até 2027, conforme indicado na revisão de preços realizada pela equipe global de agricultura. A análise sugere que a SLC poderá se beneficiar do aumento dos preços do milho e da soja, embora as incertezas cambiais permaneçam como um ponto crítico.
Fatores de Incerteza e Premissas Econômicas
O BofA trabalha com a premissa de que o dólar será cotado a R$ 5,00 em 2027. A instituição estima que para cada variação de R$ 0,10 nessa suposição, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) projetado para 2027 se moverá em torno de 1,8%.
Desafios de Produção e Custos
Os analistas ressaltam que, apesar da perspectiva positiva de longo prazo, o curto prazo apresenta obstáculos significativos para a SLC. Um dos principais desafios é o aumento dos custos de produção do milho, que está projetado para crescer 8,3% em relação ao último ano. Além disso, há o risco de pressão sobre a produtividade, associado ao fenômeno climático El Niño.
Restrições de Preço e Exposição
O banco também evidencia que existem restrições de preço que diminuem a exposição da SLC às altas nos preços. Aproximadamente 50% da produção de algodão e soja prevista para 2027 está travada abaixo do preço à vista, e cerca de 40% da safra de algodão de 2026 está protegida a um preço de US$ 0,75 por libra, frente a US$ 0,83 por libra observados no mercado à vista.
Considerações sobre Alocação de Capital
Ao avaliar a alocação de capital da SLC, o BofA indica que, apesar de os resultados apresentarem uma performance mais robusta, a empresa deve contar com um retorno de fluxo de caixa livre estimado em apenas 6% para 2027, o que é pressionado por um balanço financeiro mais alavancado.
Perspectiva da Dívida Líquida
Conforme o relatório do BofA, a dívida líquida da SLC deve aumentar de R$ 3,6 bilhões em 2024 (representando 2,0 vezes a relação entre a dívida líquida e o EBITDA) para R$ 6,1 bilhões em 2026 (equivalente a 2,4 vezes). Isso se dará após aproximadamente R$ 2,25 bilhões em aquisições de terras, além dos riscos associados a novas compras enquanto a Radar continua a monetizar seus ativos.
Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast.
Fonte: www.estadao.com.br
