Soja se estabiliza próximo ao auge de 3 meses em Chicago; cacau alcança menor preço em quase três anos em Londres.

Aumento dos Contratos Futuros da Soja

Os contratos futuros da soja negociados na bolsa de Chicago apresentaram alta na terça-feira, 24, aproximando-se de uma máxima de três meses. Esse movimento se deu devido ao alívio temporário das apreensões relacionadas à instabilidade na política tarifária dos Estados Unidos, a qual afeta as vendas potenciais para a China, que é a principal importadora do produto.

Demanda Interna e Efeitos no Mercado

De acordo com analistas do setor, a forte demanda interna por soja dos EUA também teve um papel importante em sustentar o mercado, mesmo com a queda registrada nos futuros de milho e trigo. Os operadores do mercado de soja estavam atentos à reação da China, especialmente após a Suprema Corte americana ter derrubado, na sexta-feira anterior, as tarifas recíprocas globais implementadas pela administração do ex-presidente Donald Trump. Trump, por sua vez, havia anunciado uma nova alíquota geral de 10%, que posteriormente se elevou para 15%.

Um funcionário do Ministério do Comércio da China informou que o país está acompanhando de perto as políticas dos Estados Unidos e tomará decisões sobre ajustes às contramedidas tarifárias "no momento oportuno". Além disso, o mesmo oficial expressou disposição para realizar consultas abertas durante a sexta rodada de negociações econômicas e comerciais entre os dois países. Jim Gerlach, presidente da A/C Trading em Indiana, comentou que "o fato de os dois lados ainda estarem em modo de negociação é positivo para o mercado".

Inseguranças Relacionadas à Demanda

Os futuros de soja com vencimento em maio fecharam em alta de 5,50 centavos, estipulando um preço de US$11,5525 por bushel, após atingir na segunda-feira o nível mais alto desde 19 de novembro. Por outro lado, os futuros de óleo de soja registraram máximas contratuais. O especialista Andrey Sizov, da consultoria Sovecon, destacou que o mercado de soja aguarda um possível interesse de compra da China, especialmente após o país se recompor dos feriados do Ano Novo Lunar.

Os futuros do trigo encerraram com uma queda de 0,50 centavo, resultando em um preço de US$5,7325 por bushel, embora na segunda-feira o contrato tenha atingido o nível mais elevado desde 29 de julho. Para o milho, o fechamento foi em queda de 1,75 centavo, a US$4,385 por bushel, após ter alcançado o valor mais alto desde 12 de janeiro no dia anterior.

Brasil Apresenta Preços Mais Competitivos

As mudanças na política tarifária dos Estados Unidos geraram incertezas sobre a continuidade das compras de soja norte-americana pela China, que haviam sido retomadas recentemente após uma trégua comercial em outubro do ano passado. A redução das pressões tarifárias dos EUA pode levar a China a priorizar a reserva de suprimentos da safra brasileira, que está a caminho de estabelecer um novo recorde. Contudo, a concorrência imediata do Brasil parece ser limitada pelo avanço relativamente lento da colheita, conforme relataram operadores do setor.

Um trader de oleaginosas baseado em Cingapura comentou que "não vislumbramos uma grande alta nos preços da soja, a menos que a China adquira cargas americanas". Ele acrescentou que "os compradores estão preferindo as cargas brasileiras, que estão sendo oferecidas a preços muito mais competitivos".

Queda dos Preços do Cacau

Os contratos futuros de cacau negociados em Londres apresentaram queda, alcançando uma mínima em quase três anos. A possível recuperação das exportações da Costa do Marfim fez aumentar as preocupações sobre um excedente de oferta. A commodity fechou com uma perda de 44 libras, ou 2%, atingindo o valor de 2.159 libras por tonelada métrica. Durante o pregão, o cacau chegou a uma mínima próxima de 2.075 libras.

Corretores do setor afirmaram que a esperada recuperação das exportações da Costa do Marfim, em um mercado global já saturado, pressionou os preços, e as vendas por parte de especuladores também contribuíram para a aceleração dessa queda. O Conselho de Café e Cacau da Costa do Marfim e um grupo de exportadores de cacau, denominado GEPEX, chegaram a um consenso para permitir o retorno dos contratos de exportação, conhecidos como compras de liberação, para a safra intermediária, conforme revelaram oito fontes próximas ao assunto.

Os contratos de cacau em Nova York caíram 0,8%, estabilizando-se em US$3.078 por tonelada, após ter atingido anteriormente uma mínima de mais de dois anos e meio, posicionando-se em US$2.952. Por sua vez, o Brasil decidiu suspender temporariamente as importações de cacau provenientes da Costa do Marfim, devido a riscos fitossanitários, conforme notificação publicada na terça-feira no Diário Oficial do país.

Desempenho do Café

No segmento do café, o café arábica encerrou a negociação com uma alta de 7,45 centavos, ou 2,7%, com um preço final de US$2,855 por libra-peso. Os corretores observaram que as atenções do mercado permanecem voltadas para as perspectivas quanto à safra deste ano no Brasil, que têm se mostrado mais promissoras devido às chuvas recentes. Entretanto, a tendência de baixa observada nos preços parece estar perdendo força, especialmente porque os agricultores brasileiros estão relutantes em realizar vendas nos valores atuais. O café robusta, por sua vez, subiu 2,2%, passando a ser cotado a US$3.640 por tonelada.

Variação dos Preços do Açúcar

O açúcar bruto teve um aumento de 0,1 centavo, o que representa uma alta de 0,7%, colocando o preço em 14,55 centavos por libra-peso. O primeiro contrato do açúcar irá expirar em 27 de fevereiro. Segundo o analista sênior de açúcar Michael McDougall, "com quatro dias de negociação e ao comparar os contratos em aberto com os últimos nove anos, isso indica uma entrega de 1,127 milhão de toneladas, o que é cerca de 3% acima da média". O mercado, aos poucos, vem recuperando território após ter caído para uma mínima de cinco anos, estabelecendo-se em 13,67 centavos em 12 de fevereiro. O açúcar branco, por sua vez, apresentou uma leve queda de 0,2%, sendo cotado a US$407,20 por tonelada.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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