Solução para a restrição na oferta de combustíveis é o reajuste da Petrobras, afirmam especialistas do setor.

Reajuste de Preços e Crise de Combustíveis

A solução para a atual crise de restrição de oferta de combustíveis no Brasil pode ser um reajuste de preços praticados pela Petrobras (PETR4). Esse ajuste permitiria a abertura de uma janela de importação, garantindo a segurança necessária para que mais agentes possam trazer produtos do exterior e retribuir suas atividades, conforme afirmaram diversas fontes do setor de distribuição à Reuters.

Práticas de Preços e Aumento da Crise

Uma das fontes do setor, que optou por não se identificar, destacou que "Enquanto a Petrobras não equalizar seus preços aos dos importados e mantiver a prática de não atender pedidos adicionais e suspender leilões — mesmo que estes cheguem a negociar produtos, em alguns casos, a até R$2,50 por litro acima do preço de lista — a situação tende a se agravar."

A Petrobras é responsável por mais de 50% do consumo de diesel no Brasil. Aproximadamente 20% do total provém de refinarias privadas, enquanto o restante é oriundo de importações, realizadas por um conjunto de empresas que inclui tanto grandes quanto pequenas, além da própria estatal.

Defasagem nos Preços

A importância de equiparar as cotações do país, que estão defasadas em mais de 70% em relação aos valores praticados no exterior, foi enfatizada pelas fontes. Essa equiparação é vista como crucial para viabilizar as compras externas e retomar os leilões, que incluem produtos importados pela Petrobras.

Solicitação da ANP e Preocupações do Setor

Na véspera, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) solicitou que a Petrobras retome os leilões de combustíveis. Essas concorrências foram interrompidas sem aviso prévio no início da semana, após o sindicato Sindicom, que representa as distribuidoras nacionais Raízen, Vibra e Ipiranga, manifestar preocupações sobre o abastecimento em uma carta enviada à ANP e ao governo. A associação Brasilcom, que representa mais de 40 distribuidoras regionais, também expressou receios acerca da situação de abastecimento, apoiando a exigência de paridade com o diesel importado.

Justificativas da Petrobras para a Paralisação

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, comunicou à imprensa na semana anterior que a interrupção dos leilões seria para reavaliar os estoques, embora não tenha fornecido detalhes adicionais. Até o momento, a companhia não indicou se as concorrências serão retomadas.

Em resposta ao pedido da ANP, a Petrobras afirmou que iria analisar a questão, mas destacou que continua a entregar ao mercado o volume total de combustíveis produzidos em suas refinarias, as quais estão operando em capacidades máximas. A petroleira também informou que tem ampliado e antecipado as entregas às distribuidoras, superando em cerca de 15% os volumes acordados no início do mês.

Efeitos da Interrupção na Oferta de Diesel

A parada nas ofertas adicionais de diesel em leilões pela Petrobras, que estavam sendo negociadas entre R$1,80 e R$2,00 por litro acima do preço de referência das refinarias da empresa, ocorre em um contexto em que o governo busca formas de evitar impacto negativo ao consumidor, especialmente em um ano eleitoral relevante.

Para enfrentar a situação, o governo adotou ações como a redução de tributos federais sobre combustíveis e a implementação de um programa de subsídio ao diesel. A administração também tem exercido pressão sobre os Estados para que reduzam o ICMS sobre os combustíveis, ao passo em que tem aprimorado suas estratégias para evitar uma greve de caminhoneiros.

Análise Crítica das Medidas do Governo

Uma fonte de uma distribuidora comentou: “Se o governo quer salvar os caminhoneiros, pode reativar o cartão do caminhoneiro, ao invés de pressionar Estados a perder ICMS, ameaçar agentes privados com tabela de preços.” Essa pessoa alegou que estabelecer fretes mais altos, como está sendo feito, poderia resultar em preços elevados de combustíveis, impactando principalmente o diesel, a gasolina e o etanol.

Experts no setor apontam que as medidas implementadas pelo governo visam minimizar os impactos sobre o consumidor, mas não resolvem as restrições à oferta, que já são sentidas no mercado, além de não eliminarem os riscos de desabastecimento a nível nacional.

Considerações Sobre a Produção de Combustíveis

Em relação à disparada recente dos preços do petróleo no mercado internacional, fontes afirmam que esse aumento chegará ao consumidor brasileiro de forma inescapável, mesmo que algumas medidas do governo busquem mitigar os efeitos. Isso se deve ao fato de que o Brasil não é autossuficiente na produção de combustíveis.

Além disso, as normas do mercado proíbem que empresas realizem compras de produtos no exterior e os vendam a preços inferiores aos de aquisição, sem serem compensadas por isso. A Petrobras, sendo uma empresa de capital misto, não pode gerar prejuízo para abastecer o mercado, visto que há diretrizes em seu estatuto e por estar listada na Bolsa de Nova York, correndo o risco de que os membros de sua diretoria sejam processados judicialmente.

Ação da Petrobras e Situação Atual no Mercado

Conforme destacado por agentes do mercado, a Petrobras reduziu a oferta de diesel dentro dos limites de seus contratos e por preços inferiores à paridade de importação, e estava comercializando volumes adicionais em leilões a preços mais altos.

Uma fonte adicionou: “A pauta do governo é o preço, e ele terá que entender que existe a mão do mercado internacional que não consegue controlar.” A mesma fonte reiterou que a única maneira de resolver essa questão é por meio da prática da paridade de preço internacional por parte da Petrobras.

Importação e Abastecimento Futuro

De acordo com as declarações feitas, distribuidoras nacionais que possuem contratos e obrigações com redes de distribuição estão aptas a importar volumes adicionais, assegurando o abastecimento de seus clientes. Contudo, essa atividade ocorre em um cenário de risco elevado.

Para os fornecedores menores, que dependem da abertura da janela de importação, a falta de opções para atender o mercado é uma situação complicada e tem gerado restrições à oferta em várias regiões do Brasil, especialmente onde há dependência de produtos importados.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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