Conflito entre os Estados Unidos e Europa
A disputa entre os Estados Unidos e a Europa sobre o futuro da Groenlândia provocou uma grande volatilidade no índice S&P 500 esta semana. Apesar disso, o índice de ações encerrou o período, que foi encurtado devido ao feriado, quase no mesmo patamar em que havia começado.
Ameaça de Tarifas
No final de semana, o presidente Donald Trump intensificou seus esforços para anexar o território dinamarquês da Groenlândia ao ameaçar a imposição de novas tarifas sobre importações de oito nações europeias que se opõem à ação. Essas tarifas, que inicialmente afetam antigos aliados como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, estavam previstas para entrar em vigor no dia 1º de fevereiro, com uma taxa de 10%.
Ao retornarem do feriado em homenagem a Martin Luther King Jr., os traders encontraram o mercado em uma espiral descendente. Na terça-feira, o S&P 500 caiu cerca de 2%, o mesmo aconteceu com o Nasdaq Composite. O índice Dow Jones Industrial Average despencou 870 pontos.
Reversão de Cenário
No entanto, na quarta-feira, a situação mudou quando o presidente anunciou que ele e o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, haviam "formado o esboço de um futuro acordo em relação à Groenlândia" e que as tarifas ameaçadas seriam retiradas. Em resposta, as ações dos EUA dispararam na quarta-feira, e a recuperação continuou na quinta, o que deixou o S&P 500 com uma queda tímida ao longo da semana.
Perguntas sobre o Mercado
Tom Garretson, estrategista sênior de portfólio da RBC Wealth Management, questionou em entrevista ao CNBC: "A grande pergunta na semana passada foi: ‘Por que os mercados não estavam realmente reagindo a muitos desses problemas até que eles acontecessem nesta semana?’" Ele acrescentou que "as ameaças tarifárias estarão presentes, mas, no final das contas, a administração é amplamente vista como tendo impacto negativo no mercado. Acredito que o mercado confia na ideia de que, se eles pressionarem demais nas ameaças tarifárias, começarão a recuar".
Por outro lado, Jed Ellerbroek, da Argent Capital Management, destacou que os investidores não acreditam mais que todas as declarações de Trump serão efetivamente implementadas. Se fosse o caso, segundo ele, o mercado teria sofrido uma perda bem maior do que a queda de 2% observada na terça-feira. "É extremamente difícil para o mercado de ações precificar as ações e comportamentos do presidente Trump", reiterou Ellerbroek.
Expectativa de Volatilidade
Apesar de os investidores estarem relembrando a estratégia denominada "TACO" — que representa "Trump Sempre Recua" — ainda persiste o risco de que a instabilidade geopolítica, especialmente em questões comerciais, possa agitar os mercados. Na quinta-feira, por exemplo, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que, embora não soubesse o que continha no "esboço" do acordo que Trump firmou com Rutte, a soberania da Groenlândia era inegociável. Essas declarações ecoaram comentários anteriores feitos pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.
Scott Ellis, diretor gerente de crédito corporativo na Penn Mutual Asset Management, observou que, com os valores de mercado onde estão, há cada vez menos espaço para amortecimento. Isso ficou evidente na leve indigestão que os mercados experimentaram no início da semana. "Esperamos que, à medida que a volatilidade e as manchetes aumentem, possamos ver mais disso ao longo do ano", comentou.
Perspectivas para Ações
Apesar das incertezas, Ellis mantém uma perspectiva construtiva para o mercado de ações em 2026, enfatizando que a diversificação será fundamental para enfrentar as turbulências futuras. Eric Parnell, estrategista-chefe de mercado do Great Valley Advisor Group, alertou os investidores sobre a importância de monitorar os dados macroeconômicos, destacando que os fundamentos subjacentes do mercado permanecem "fortes". Ele ressaltou que a volatilidade pode "criar oportunidades de compra".
"É uma notícia surpreendente para o mercado, no curto prazo, dizer: ‘Ok, estamos falando sobre anexar a Groenlândia. Vamos aplicar tarifas a esses países.’ Isso perturbou os mercados na terça-feira, mas não demorou para que a narrativa fosse revertida pela Casa Branca, e os mercados se recuperaram", afirmou Parnell.
Considerações Finais
Neste contexto, observou Parnell, "mercados internacionais e emergentes tiveram um ótimo desempenho no ano passado, e continuamos otimistas em relação aos mercados fora dos Estados Unidos".
Fonte: www.cnbc.com