Bolsa pode valorizar com ajuste fiscal em 2027, mas eleição deve trazer volatilidade, diz Ágora
Expectativas para a Bolsa e a Economia
O economista-chefe da corretora Ágora, Dalton Gardimam, prevê que a Bolsa pode experimentar uma valorização com a implementação de um ajuste fiscal em 2027. Porém, ele ressalta que as eleições devem trazer um aumento na volatilidade nesse cenário. Gardimam acredita que setembro deverá ser um mês marcante, com mudanças de posicionamento e oscilações nos mercados financeiros.
Análise de Luis Stuhlberger sobre o Risco Fiscal
Luis Stuhlberger, fundador da Verde Asset, expressou preocupações sobre o risco fiscal no Brasil sob a administração do governo Lula, considerando-o insustentável e alertando sobre a alta dívida do país. Ele acredita que a economia brasileira deve sofrer uma desaceleração devido aos juros elevados e ao aumento do nível de inadimplência das famílias. Stuhlberger prevê que, caso a oposição vença as eleições, isso poderia reduzir o risco fiscal e atrair mais investimentos, embora seja cético quanto à capacidade do senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula, de implementar as correções necessárias.
Potenciais Impactos da Eleição
Uma vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições poderia resultar em uma forte alta da Bolsa e em uma queda do dólar, conforme a avaliação de Stuhlberger. Ele comenta que, diante das expectativas de uma redução do risco fiscal, haveria espaço para a valorização das ações brasileiras, com a entrada de investidores tanto locais quanto estrangeiros.
Durante um debate promovido pela Monte Bravo, Stuhlberger declarou que o governo Lula 3 “levou o quadro fiscal a um nível absolutamente insustentável”. Ele aponta que a relação da dívida está “perigosamente alta” e que não há perspectivas de queda. Para ele, o terceiro mandato de Lula foi o pior em termos fiscais.
Desaceleração Econômica e Expectativas para o Futuro
Stuhlberger também alertou que o Brasil está caminhando para um quadro de desaceleração econômica, com sinais claros disso, impulsionados pelos altos juros, pelo endividamento das famílias e pelo aumento da inadimplência. Ele afirmou que, caso Lula busque um novo mandato, provavelmente terá que iniciar com alguma estratégia focada na contenção de gastos para evitar uma reação negativa do mercado. Contudo, há o risco de que uma recessão faça com que o governo adote medidas de estímulo através de crédito e garantias, o que poderia transferir um problema maior para o futuro.
Em suas considerações sobre o mercado de opções, Stuhlberger indicou que há uma expectativa embutida de alta do dólar caso Lula vença as eleições, mas que a Bolsa parece ter um comportamento mais assimétrico, visto que é um mercado pequeno com baixa posição de investidores.
Análise do Cenário Cambial
Ao discutir a questão cambial, o gestor também enfatizou a importância de considerar o risco de “convertibilidade” em um cenário de crise, o que poderia levar a um aumento nos custos para a aquisição de moeda americana.
Expectativa em Caso de Vitória da Oposição
Stuhlberger destacou que uma possível vitória da oposição nas eleições presidenciais poderia resultar em um fluxo generalizado para a Bolsa brasileira, com compras de investidores locais e estrangeiros. No entanto, ele manifestou ceticismo em relação à habilidade de Flávio Bolsonaro em implementar uma agenda para corrigir os desequilíbrios na economia.
Em uma comparação com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Stuhlberger comentou que “o pai, pelo menos, tinha um projeto”. Para ele, o Brasil necessita de um líder forte e respeitado, algo que, na sua avaliação, Flávio não é.
Equipe de Flávio Bolsonaro e Expectativas
Stuhlberger reconheceu que Flávio Bolsonaro conta com uma equipe qualificada, citando como exemplo Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, que coordena o programa econômico do candidato. No entanto, ele observou que, se Flávio vencer as eleições, é provável que Daniella não assuma a Fazenda, mas sim a presidência do Banco do Brasil.
Perspectivas de Crise Econômica
O fundador da Verde Asset considera que o Brasil não atravessa uma crise significativa que exigiria uma correção abrangente, como ocorreu na Argentina. Ele afirmou que para o Brasil “acordar”, as circunstâncias precisariam piorar consideravelmente, uma vez que a economia ainda opera com uma taxa de desemprego relativamente baixa, mesmo diante do alto nível de endividamento das famílias.
Stuhlberger acredita que, mesmo sem grandes avanços, a simples saída de Lula do poder poderia aliviar as preocupações em torno do risco fiscal e estimular o apetite do mercado por ações. Ele argumentou que a redução no ritmo de expansão das despesas públicas poderia ser suficiente para animar o mercado, mesmo que Flávio não retorne à antiga regra do teto de gastos.
Considerações Finais sobre Patrimônio
O gestor concluiu afirmando que, independentemente de um cenário otimista no mercado interno, é aconselhável manter parte do patrimônio no exterior, em razão de preocupações relacionadas à institucionalidade.
Com informações da Broadcast
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Fonte: www.estadao.com.br
