Abertura de Inquérito por Vazamento de Informações Sigilosas
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, nesta sexta-feira, que a Polícia Federal deve instaurar um inquérito para investigar a origem do vazamento de informações sigilosas relacionadas a telefones celulares que foram apreendidos durante a investigação acerca do Banco Master. Essa determinação foi feita após um pedido apresentado pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro.
Decisão do Ministro
Em seu despacho, que contou com sete páginas, Mendonça afirmou: “À luz dessas premissas, acolho o requerimento formulado pela defesa do investigado Daniel Bueno Vorcaro e determino a instauração do competente inquérito policial, para a averiguação dos alegados vazamentos noticiados.” O ministro enfatizou que a investigação deve focar na possível identificação das pessoas responsáveis pela guarda do material sigiloso que o violaram, em vez de investigar aqueles que, no exercício legítimo da profissão jornalística, obtiveram acesso às informações.
Acesso à Informação
O despacho ainda destacou que a CPI Mista do INSS teve acesso a informações sigilosas de Vorcaro, assim como as autoridades policiais que compartilharam essas informações com a comissão.
O pedido da defesa do banqueiro para a abertura do inquérito mencionava a existência de “supostos diálogos” entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Trocas de Mensagens e Investigação
Uma reportagem do jornal O Globo revelou que Vorcaro se envolveu em uma intensa troca de mensagens com Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro pela Polícia Federal, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Esta semana, Vorcaro foi preso preventivamente novamente, em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga diversos crimes, como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nesta sexta-feira, Vorcaro foi transferido para uma penitenciária federal em Brasília, após autorização de Mendonça. Antes, ele havia sido detido na Penitenciária 2 de Potim, localizada no interior de São Paulo.
Mensagens Interceptadas
De acordo com a reportagem, tanto Vorcaro quanto Moraes utilizavam mensagens de visualização única pelo aplicativo WhatsApp. No entanto, Vorcaro mantinha os textos salvos no bloco de notas de seu celular. A reportagem não indicou a existência de mensagens de Moraes exceto por um emoji de polegar para cima, que aparentava aprovação a uma das mensagens enviadas por Vorcaro.
Nota de Moraes
Após a divulgação da primeira reportagem sobre essa troca de mensagens, Moraes se manifestou em uma nota, afirmando que não recebeu tais mensagens. Ele classificou a situação como uma “ilaçã mentirosa” que visa atacar o Supremo Tribunal Federal.
Defesa do Banqueiro
A defesa de Vorcaro também emitiu uma nota à imprensa, na qual afirmou que “diversas mensagens supostamente extraídas” de celulares de Vorcaro estavam sendo veiculadas por veículos de comunicação sem que a própria defesa tivesse tido acesso ao conteúdo. A defesa alegou que conversas pessoais e íntimas, que envolvem terceiros não ligados aos fatos, além de diálogos com autoridades, possivelmente editados e retirados de contexto, estavam sendo divulgados em diversos meios de comunicação.
Em virtude da gravidade da situação, a defesa solicitou a investigação para “identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.”
Objetivo da Investigação
Além disso, a defesa deixou claro que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou outras partes que possam ter recebido as informações, mas sim apurar quem, por ter o dever legal de proteger o material sigiloso, pode ter violado essa obrigação. “Esperamos que as autoridades que infringiram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõem pessoas sem relação com a investigação, além de interferirem na elucidação dos fatos”, acrescentou a defesa.
No ano anterior, uma reportagem do jornal O Globo também revelou informações sobre a contratação, pelo Banco Master, do escritório de advocacia Barci de Moraes, que é dirigido pela esposa e pelos filhos do ministro do STF.
Fonte: www.moneytimes.com.br