Capital Insights: Abastecimento Global e a Suzano
Abastecimento e Desempenho da Suzano
O CEO da Suzano, Beto Abreu, destacou que garantir o abastecimento mundial é uma questão crítica para a empresa. Ele ressaltou que 80% da produção da companhia é destinada à exportação e garantiu que, mesmo em face da instabilidade gerada pela guerra, os clientes no Oriente Médio estão recebendo os suprimentos necessários.
Recomendação do Bradesco BBI
O Bradesco BBI tomou a decisão de rebaixar a recomendação da Klabin para neutra, enquanto mantém a Suzano como a única recomendação de compra (Outperform) no setor de papel e celulose. A análise do banco estabeleceu o preço-alvo da Suzano em R$ 59, uma diminuição em relação ao anterior, que era de R$ 73. Para a Klabin, foi fixado um preço-alvo de R$ 21 para o ano de 2027.
Contexto do Setor de Celulose
Essa decisão do Bradesco BBI reflete uma perspectiva mais cautelosa sobre o mercado de celulose. A instituição revisou as estimativas de Ebitda, reduzindo-as em 14% para 2027, bem como diminuiu as projeções para os preços da commodity. Apesar desses desafios, a Suzano é considerada bem posicionada no setor devido à sua estrutura de custos baixos e a previsão de fluxo de caixa positivo para 2027.
Cautela no Mercado de Celulose
O Bradesco BBI está adotando uma postura mais seletiva dentro do setor, especialmente diante de um ambiente que é estruturalmente desafiador para a celulose. Embora haja uma expectativa de melhora nos fundamentos no curto prazo, com o retorno de compradores da China e a recompra de estoques, a avaliação aponta para possíveis dificuldades futuras. Entre os fatores que podem afetar o mercado estão a aceleração da integração da celulose na China e o excesso de capacidade em papéis, além de uma pipeline relevante de novos projetos.
Projeções de Preço para Celulose
Como parte de suas análises, o Bradesco BBI também ajustou as previsões de preço para a celulose de fibra curta, estabelecendo uma projeção de US$ 584 por tonelada para 2027, anteriormente estimada em US$ 605. A previsão a longo prazo foi reduzida para US$ 570 por tonelada, de um patamar de US$ 600.
Estimativas para a Klabin
Além disso, os analistas Rafael Barcellos, Matheus Moreira e Gustavo Arruda da Klabin também cortaram suas estimativas de Ebitda para 2027, agora prevendo R$ 8,0 bilhões. Esse ajuste foi motivado por uma expectativa de preços de celulose abaixo do esperado, embora haja um compensação por um mix de papéis mais favorável e um aperto no mercado de kraftliner, um papel de alta resistência.
Avaliação do Relatório
A avaliação contida no relatório sugere que, com um múltiplo de 7,1 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda projetado para 2027, as ações da Klabin parecem estar justamente precificadas neste momento do ciclo. O Bradesco BBI expressou preocupação com o fluxo de caixa livre limitado, que poderá manter a desalavancagem em ritmo gradual. Para o final de 2027, espera-se que a relação entre dívida líquida e Ebitda se mantenha em 3,0 vezes, comparada a 3,2 vezes no segundo trimestre de 2026.
Situação da Suzano
Para a Suzano, que continua sendo classificada como “Top Pick” (melhor escolha) pelo Bradesco BBI, a companhia incorporou as reduções nas previsões de preços de celulose e enfrenta uma perspectiva desafiadora para o setor de papéis, juntamente com os custos elevados no curto prazo. Os impactos indiretos do conflito no Oriente Médio também foram mencionados como fatores a serem considerados.
Valuation e Projeção de Fluxo de Caixa
Apesar do reajuste na “almofada” de valuation para 5,6 vezes o valor da empresa sobre o Ebitda e a expectativa de um rendimento do fluxo de caixa livre de 10% para 2027, o Bradesco BBI considera a Suzano a empresa mais bem posicionada dentro de seu portfólio de cobertura. A companhia se destaca devido à sua estrutura de custos baixos e à previsão de uma mudança positiva na geração de caixa a partir de 2027.
A projeção de fluxo de caixa para a Suzano é de R$ 8,8 bilhões para 2027, com um rendimento estimado de 15% no fluxo de caixa livre, excluindo derivativos. Este cenário apoia uma desalavancagem gradual, prevendo uma relação de 2,8 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda no último trimestre de 2027, um avanço em relação à previsão de 3,3 vezes para o segundo trimestre de 2026.
Fonte: www.estadao.com.br
