Taxas de juros no Brasil continuam a atrair investidores estrangeiros para stablecoins, mesmo após redução da Selic.

Taxas de juros no Brasil continuam a atrair investidores estrangeiros para stablecoins, mesmo após redução da Selic.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Brasil e o Apelo das Stablecoins no Cenário Internacional

Diferenciais Atrativos para Investidores Estrangeiros

Com a recente queda da taxa Selic e o aumento dos juros nos Estados Unidos, o Brasil ainda se destaca como um local atrativo para investimentos, especialmente em stablecoins lastreadas em real. Essa análise é feita por John Delaney, cofundador e CEO da Crown, que acredita que a demanda por esses ativos continuará a crescer, mesmo com a redução das diferenças entre as taxas de juros dos dois países.

Delaney observa que parte da procura por esses ativos digitais vem de investidores interessados em aproveitar o diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, uma prática conhecida como carry trade. Apesar de tal movimentação ter um efeito no curto prazo, o CEO ressalta que isso não diminui a atratividade das stablecoins como um canal de acesso ao mercado brasileiro.

“Isso afeta no curtíssimo prazo, mas não impacta tanto no longo prazo. Os juros dos Estados Unidos ainda são muito baixos, em torno de 4%. Portanto, a diferença em relação aos juros brasileiros permanece significativa”, afirmou Delaney em entrevista ao E-Investidor durante o Digital Assets Conference (DAC) 2026, realizado em São Paulo.

Decisões Recentes do Federal Reserve e do Copom

Em um contexto mais amplo, nesta mesma quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) decidiu elevar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Em contrapartida, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil agiu de forma oposta, reduzindo a taxa Selic para 13,75%. Essas decisões refletem as diferentes estratégias monetárias adotadas por cada país diante do cenário econômico atual.

A Crown e a BRLV

A Crown é responsável pela emissão da BRLV, uma stablecoin que é lastreada em real e apresenta paridade de 1:1 com a moeda brasileira. Isso significa que cada unidade da BRLV corresponde a R$ 1. Até o momento, a emissão total dessa criptomoeda se aproxima de R$ 400 milhões, e a empresa mantém reservas em títulos públicos para garantir o lastro dos tokens. O CEO da Crown expressa a expectativa de que até 8% da base monetária brasileira esteja representada em ativos on-chain na próxima década, o que equivaleria a cerca de R$ 1 trilhão.

Delaney enfatiza que todas as moedas fiduciárias, incluindo o dólar e o real, estão competindo no mercado internacional. Os elevados juros brasileiros tornam o real atraente para investidores externos, embora tal situação seja, em certa medida, uma desvantagem para o mercado interno. Ele também destaca que a atual regulação do mercado cripto no Brasil é favorável, o que contribui para o crescimento das criptomoedas no país.

Expansão das Stablecoins no Brasil

As stablecoins são moedas digitais que buscam manter um valor equivalente ao de moedas fiduciárias, como o dólar e o real. A tecnologia por trás dessas moedas é capaz de reduzir os custos e o tempo de operações transfronteiriças. Utilizando a rede blockchain, que registra as transações de criptomoedas, indivíduos e empresas podem realizar operações financeiras em tempo real, de qualquer lugar do planeta.

No Brasil, as stablecoins ganharam um apelo ainda maior após a mudança na legislação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no primeiro semestre do ano anterior. Com a alíquota unificada em 3,5% para a maioria das operações de câmbio, muitos brasileiros passaram a recorrer às criptomoedas para evitar o pagamento do imposto em transações internacionais. Esse benefício contribuiu significativamente para a popularização das stablecoins, especialmente aquelas atreladas ao dólar americano.

Volumes de Negociação em Aumento

Conforme dados da plataforma Biscoint, em julho, as negociações de stablecoins ligadas ao dólar no Brasil atingiram a marca de R$ 27 bilhões. Este volume representa o maior registrado pela plataforma desde o início da série histórica em 2024, superando até mesmo o montante negociado em ações de grandes empresas da Bolsa de Valores, como Petrobras e Vale.

A crescente adesão às stablecoins reflete uma mudança no comportamento dos investidores e sugere um futuro promissor para esses ativos digitais no Brasil, que continua a buscar maneiras de integrar-se a mercados financeiros globais e se beneficiar dos diferenciais econômicos em um cenário internacional dinâmico.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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