Movimentação do Mercado Financeiro
Após sete sessões consecutivas de queda, as taxas dos DIs apresentaram leves altas na sexta-feira, dia 30, em uma sessão que foi marcada pela indicação do substituto de Jerome Powell na liderança do Federal Reserve e por tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
Alta das Taxas Futuros
O leve aumento das taxas futuras no Brasil foi observado em meio à alta significativa do dólar e à queda do Ibovespa, resultando em um dia geral negativo para os ativos brasileiros.
No final da tarde, a taxa do DI referente a janeiro de 2028 chegou a 12,705%, apresentando uma elevação de 2 pontos-base em relação ao ajuste anterior, que foi de 12,685%. Por sua vez, a taxa do DI para janeiro de 2035 subiu para 13,32%, com um incremento também de 2 pontos-base em relação ao ajuste de 13,304%.
Escolha de Novo Chefe do Fed
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou a escolha de Kevin Warsh, ex-diretor do Federal Reserve, para assumir a presidência do banco central americano, a partir do término do mandato de Powell em maio. Essa decisão oferece a um crítico frequente da instituição a chance de implementar sua proposta de “mudança de regime” na política monetária.
O comunicado resultou em, pela manhã, um aumento do dólar em relação a várias outras moedas, além de uma estabilidade nos rendimentos do Treasury de dois anos. Entretanto, as taxas dos títulos de 10 e 30 anos apresentaram elevações.
Comportamento das Taxas de DIs no Brasil
No território brasileiro, a curva de DIs mostrava leves altas, especialmente na ponta longa, refletindo o avanço do dólar em comparação ao real.
De acordo com Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a escolha de Warsh por Trump pode exercer pressão sobre o dólar, resultando em yields globais mais altos a curto prazo, enquanto a projeção de juros pode ver uma diminuição mais lenta. No entanto, Zogbi ressaltou que o mais relevante é que tal escolha diminui o tail risk (risco de cauda) político, podendo induzir a uma reprecificação global das taxas de forma mais saudável a longo prazo.
Tensão entre Estados Unidos e Irã
No início da tarde, Trump declarou que uma grande armada dos Estados Unidos — maior do que a enviada anteriormente à Venezuela — estava a caminho do Irã, o que gerou apreensão nos mercados financeiros. Em consequência, o dólar acelerou seus ganhos em relação ao real, o Ibovespa renovou suas mínimas, e a curva de DIs voltou a apresentar força.
Fechamento do Dia
Na parte final da sessão, as taxas futuras reduziram os ganhos, mas ainda encerraram o dia com leves altas.
No cenário externo, os rendimentos dos Treasuries mostraram uma queda na ponta curta, mas subiram na ponta longa. Às 16h35, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete as expectativas para as futuras taxas de juros de curto prazo — havia caído 3 pontos-base, resultando em 3,525%. Por outro lado, o retorno do Treasury de dez anos — que é uma referência global para decisões de investimento — subiu 1 ponto-base, alcançando 4,239%.
Indicadores Econômicos do Brasil
Pela manhã, o Banco Central do Brasil divulgou que a dívida bruta — um indicador importante de solvência do país — fechou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Este percentual é inferior aos 79,0% registrado em novembro, mas superior aos 76,3% observados ao final de 2024. A expectativa de economistas consultados pela Reuters apontava uma dívida bruta de 79,5% ao término de 2025.
Além disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relatou que a taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,1% no quarto trimestre de 2025, marcando o nível mais reduzido da série histórica. Esse resultado está alinhado com as previsões feitas pelos economistas.
Fonte: www.moneytimes.com.br