Taxas de DIs e Cenário Econômico
Influenciadas por dados inflacionários mais favoráveis, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo encerraram a quinta-feira em queda, embora ainda distantes das mínimas do dia. O movimento ocorreu após declarações de dirigentes do Banco Central, que negaram que o horizonte da política monetária esteja sendo prolongado.
Tendências das Taxas de Longo Prazo
As taxas de longo prazo, que inicialmente caíram pela manhã, terminaram a sessão com alta, refletindo uma inclinação da curva a termo brasileira. No final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 foi registrada em 14,24%, apresentando uma diminuição de 8 pontos-base em relação ao ajuste de 14,32% da sessão anterior. Enquanto isso, a taxa do DI para janeiro de 2035 fechou em 14,3%, com um aumento de 9 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,21%.
Dados do IPCA-15
No início da jornada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o IPCA-15, um indicativo antecipado da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, uma desaceleração comparada à alta de 0,62% registrada em maio. Economistas consultados pela Reuters haviam projetado um aumento de 0,44% para o mesmo mês.
Comportamento dos Serviços
Dados adicionais revelaram que a taxa dos serviços subjacentes, que exclui itens mais voláteis, desacelerou de 0,53% em maio para 0,27% em junho, conforme avaliação do banco Bmg. A inflação dos serviços intensivos em mão de obra também apresentou diminuição: passou de 0,60% para 0,50% no mesmo período. De maneira geral, a taxa dos serviços variou de 0,48% para 0,40%.
Núcleos de Inflação
Houve uma melhora na média dos núcleos de inflação acompanhados pelo Banco Central, com a taxa reduzindo-se de 0,48% em maio para 0,34% em junho, de acordo com os dados do Bmg. Esse conjunto de indicadores contribuiu para uma diminuição nas taxas ao longo da curva a termo.
Declarações do Banco Central
A mudança de cenário ocorreu por volta das 11h, quando diretores do Banco Central participaram de uma coletiva para discutir o Relatório de Política Monetária, publicado anteriormente. Durante a entrevista, as autoridades tentaram minimizar os rumores gerados pelo comunicado e pela ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), onde a instituição cortou a taxa básica de juros, a Selic, em 25 pontos-base, reduzindo-a para 14,25% ao ano.
Comentários do Diretor
O diretor Paulo Picchetti enfatizou que o Banco Central não está prolongando o horizonte relevante para a política monetária nem tem a intenção de fazê-lo. Ele também observou que a instituição optou por não dar orientações sobre os futuros caminhos da Selic devido à incerteza do cenário atual.
Impactos Externos
Picchetti ressaltou que as comunicações recentes do Banco Central chamaram a atenção para o primeiro trimestre de 2028, pois a instituição avalia que o choque de oferta derivado da guerra no Oriente Médio, juntamente com o fenômeno climático El Niño, impacta a inflação, mas é insensível às ações do Banco Central em relação aos juros. Ele argumentou que um aumento nas taxas de juros "não abriria o Estreito de Ormuz" nem alteraria as condições do clima, mas poderia resultar em uma desaceleração desordenada da atividade econômica.
Expectativas do Mercado
Desde a semana anterior, parte do mercado interpretava as mensagens do Banco Central como indicativas de que não haverá aumentos na Selic em um futuro próximo, apontando para a possibilidade de novas reduções. Entretanto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou que, devido à incerteza, a instituição não está emitindo sinalizações sobre a trajetória futura dos juros, destacando que não há alterações na política monetária em vigor.
Reação do Mercado
Em resposta aos comentários de Picchetti e Galípolo, as taxas futuras mostraram um fortalecimento em toda a curva, e esse movimento se intensificou ao longo da tarde. Marcos Praça, diretor de Análise da Zero Markets Brasil, comentou que o mercado brasileiro está habituado a orientações claras, mas que os diretores do Banco Central deixaram evidente que isso não é viável no momento.
A taxa do DI para janeiro de 2028, que havia alcançado uma mínima intradia de 14,120% (-20 pontos-base) às 9h42, após a divulgação do IPCA-15 e antes da coletiva, posteriormente atingiu uma máxima de 14,290% (-3 pontos-base) às 15h.
Comportamento das Taxas
Da mesma forma, a taxa do DI para janeiro de 2035 apresentou uma mínima de 14,120% (-9 pontos-base) às 14h42, antes de atingir uma máxima de 14,330% (+12 pontos-base) também às 15h. Praça observou que o mercado está se abrindo para a possibilidade de um corte adicional de 25 pontos-base na Selic em agosto, conforme indicado pelo DI para janeiro de 2027, e enfatizou a necessidade de avaliação dos futuros dados de inflação.
Projeções do Banco Central
No Relatório de Política Monetária divulgado previamente, o Banco Central projetou que a inflação seguiria em alta nos três últimos trimestres deste ano, prevendo um fechamento de 2026 em 5,2%. Isso está acima do teto da meta estabelecida em 4,5%. De acordo com as previsões, a inflação deverá cair gradualmente, atingindo 3,7% no final de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, com um retorno a 3,1% no final de 2028.
Crescimento do PIB
Ainda no documento, o Banco Central ajustou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% para 2,0% em 2026, citando a aceleração da atividade econômica, a resiliência do mercado de trabalho e as medidas de estímulo implementadas pelo governo.
Cenário Internacional
No cenário externo, ao final da tarde, os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos operavam em baixa, após a divulgação de dados de inflação de maio que ficaram ligeiramente abaixo das expectativas de alguns investidores. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos, uma referência global para decisões de investimento, apresentava uma queda de 1 ponto-base, situando-se em 4,392%.
Fonte: www.moneytimes.com.br


