Crise no IBGE
Exoneração de Rebeca Palis
Quatro dias após a exoneração de Rebeca Palis do cargo de coordenadora de contas nacionais, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta um “clima muito ruim” entre gerentes e coordenadores. Há temores de novas retaliações, conforme relatou uma fonte que está informada sobre os acontecimentos nesta sexta-feira, 23. A reportagem tentou contato com o IBGE, mas não obteve retorno.
Novas Diretrizes e Clima Institucional
A fonte mencionou que a direção do IBGE está lançando o plano de trabalho para 2026 fora do Rio de Janeiro, onde estão localizados a maior parte dos servidores. “O Rio é também o local onde estão os coordenadores e gerentes, o que agrava o distanciamento da gestão em relação a esses profissionais e contribui para o clima pesado no instituto”, destacou a fonte.
Saída de Cristiano Martins
Ainda segundo a fonte, Cristiano Martins, que era vice de Rebeca e assumiu o cargo interinamente durante a transição, pediu exoneração nesta sexta-feira. O cargo de coordenador de contas nacionais é crucial, pois é responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). “Ele pediu exoneração como uma forma de solidariedade a Rebeca e em virtude do clima adverso no instituto”, afirmou a fonte.
Revisão das Contas Públicas
Atualmente, o IBGE trabalha na revisão das contas públicas. A proposta visa atualizar as estatísticas para captar mudanças na economia, considerando, por exemplo, as transformações digitais. Essa iniciativa é parte da gestão de Marcio Pochmann, que foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, a saída de Rebeca trouxe incerteza a esse processo e pode atrasar a implementação das mudanças necessárias.
Críticas às Mudanças na Gestão
Segundo a fonte, a administração de Marcio Pochmann também buscou a criação da Fundação IBGE, uma estrutura que permitiria a contratação de pessoas sem a necessidade de concurso público. No entanto, esta proposta gerou resistência entre os coordenadores, que expressaram seu descontentamento em uma carta pública. No documento, os profissionais afirmaram que as decisões recentes da direção do IBGE colocam em “risco a soberania geoestatística brasileira”.
Impacto da Exoneração no Clima Institucional
Desde a divulgação dessa carta, o clima no IBGE se deteriorou e a demissão de Rebeca foi vista como um ponto de partida para a instabilidade. No geral, muitos colaboradores têmem uma piora da situação, especialmente após a saída de Cristiano Martins. Os receios são de que essas mudanças venham a impactar não apenas o ambiente de trabalho, mas também a qualidade e a integridade das informações estatísticas produzidas pelo instituto.
Fonte: veja.abril.com.br